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JECC 2 - GUERRA FRIA NA TERRA DO SAMBA EM “O HOMEM DO SPUTNIK”: O USO DO CINEMA NA SALA DE AULA

 

COLD WAR ON THE LAND OF SAMBA IN "THE MAN OF SPUTNIK": THE USE OF THE CINEMA IN THE CLASSROOM

 

Carlos Carvalho Cavalheiro1

 

 

 

RESUMO: O presente trabalho procura discutir a possibilidade do uso dos filmes brasileiros do ciclo das “Chanchadas” como instrumento de apoio pedagógico para o ensino de História, uma vez que as mesmas retratam aspectos da vida cotidiana de uma época, bem como explicitam as representações e visões de mundo de parcela da sociedade brasileira, sobretudo, a classe média e baixa do Rio de Janeiro dos anos 40 e 50 do século XX; tomando como exemplo o filme “O homem do Sputnik”, produzido em 1959 pelos estúdios da Atlântida e dirigido por Carlos Manga.

PALAVRAS CHAVES: Cinema Nacional, Educação, Ensino de História

 

ABSTRACT: The present work tries to discuss the possibility of using the Brazilian films of the "Chanchadas" cycle as an instrument of pedagogical support for the teaching of History, since they portray aspects of the daily life of an era, as well as explain the representations and visions Of part of the Brazilian society, especially the middle and lower classes of Rio de Janeiro in the 1940s and 50s of the 20th century; Taking as an example the film "The man of the Sputnik", produced in 1959 by the studios of Atlântida and directed by Carlos Manga.

KEY WORDS: National Cinema, Education, History Teaching

 

 

Introdução

 

O uso didático-pedagógico do cinema nas salas de aula, sobretudo para alunos do Ensino Fundamental e Médio, foi, nas palavras de Marcos Napolitano, descoberto tardiamente pelas escolas, se compararmos com o tempo de existência do cinema, que em 1995 completou cem anos (NAPOLITANO, 2006).

Parte dessa afirmativa pode ser explicada pela popularização dos aparelhos de reprodução de fitas em VHS na década de 1980, o que facilitou a projeção de filmes nas salas de aula por exigir poucos recursos: uma televisão, o aparelho de vídeo-cassete e o filme em formato de fita. Mas isso não é suficiente como explicação, pois já havia equipamentos portáteis de projeção de filmes nas décadas anteriores.

Um dos problemas da utilização dos filmes em sala de aula como material de apoio pedagógico é a falta de objetividade dos educadores quando se propõem a usar dessa ferramenta, conforme aponta José Manuel Moran, eis que não raro o filme é exibido como “tapa-buraco” (para suprir um problema inesperado, como a ausência de um professor), como “enrolação” (quando o vídeo não se refere ao conteúdo que está sendo trabalhado em sala de aula), por conta do “deslumbramento” do professor (que ao descobrir o uso do vídeo, o faz sem critérios e em todas as aulas), ou como material autossuficiente, ou seja, sem a necessidade de reflexão, dinâmicas, avaliação do que foi visto. E há ainda o caso dos professores perfeccionistas que não utilizam o filme em sala de aula porquanto sempre encontram alguma imperfeição estética, histórica ou informativa no filme (MORAN, 1995).

Acrescente-se, ainda, o preconceito inerente às produções nacionais, ainda mais em relação às chanchadas, que receberam o termo pejorativo desde o seu início. Em depoimento ao documentário “Assim era a Atlântida”, dirigido por Carlos Manga e produzido em 1975, o ator e produtor Cill Farney comenta o quanto “apanhava” da crítica cinematográfica. As chanchadas nunca foram um gênero bem visto pela intelectualidade brasileira. Há pouco se vem reconhecendo o valor artístico dessas produções, redimindo assim o trabalho de grandes humoristas como Oscarito, Grande Otelo, Zé Trindade, Zezé Macedo e tantos outros. Esse preconceito acompanha os dias atuais, sem dúvida.

Basta dizer que o livro “Como usar o cinema na sala de aula”, de Marcos Napolitano, aponta centenas de filmes com potencial de uso didático-pedagógico, sem citar nenhuma das chanchadas. Apenas em um momento, quando discorre sobre a história do cinema, as chanchadas são citadas e da seguinte forma:

 

O Brasil, depois dos chamados “ciclos regionais” dos anos 1920 e 1930 (cinema produzido por diretores pioneiros e artesanais, como Humberto Mauro, Silvino Santos e Eduardo Abelim), chegou a flertar com o cinema industrializado de vocação comercial, seja através dos dramas da Vera Cruz ou das chanchadas da Atlântida, ao longo dos anos 1950. Mas foi nos anos 1960 que, mesclando elementos do cinema francês e italiano, o Brasil gerou a primeira grande escola cinematográfica do Terceiro Mundo reconhecida pela crítica mais exigente, o Cinema Novo (NAPOLITANO, 2006, p. 74).

 

Da lista de mais de duzentos filmes indicados para uso em sala de aula, não há sequer uma produção da Atlântida da época das chanchadas, do que se depreende que haja sim um preconceito em relação a esse gênero. Poder-se-ia alegar que tais filmes não foram citados em decorrência da dificuldade de se obter cópias comerciais dos mesmos em formatos de VHS ou DVD. Não é verdade. Não há cópias de DVD disponíveis dos filmes “Independência ou Morte” (dirigido por Carlos Coimbra, 1972) e “Homem da capa preta” (dirigido por Sérgio Rezende, 1986), embora ambos constem na lista de sugestões para uso acostada ao final do referido livro.

Ademais, no mesmo ano em que o referido livro foi publicado, em 2006, todas as chanchadas disponíveis da Atlântida foram vertidas para o formato DVD na Coleção Atlântida 65 Anos. Não há, portanto, nenhuma justificativa plausível para a não inclusão desses filmes na lista.

Especialmente, o filme “O homem do Sputnik”, produzido em 1959, e que traz importantes informações sobre as representações e mentalidades de sua época, bem como um retrato do Brasil da Era Juscelino Kubitschek (JK).

Outra discussão pertinente relaciona-se ao conceito de fontes históricas. Ainda influenciados pelo positivismo do século XIX, muitos professores de História não reconhecem como fonte a multiplicidade de documentos, utilizando os filmes como meras “ilustrações” e não realmente como fonte histórica.

Como bem nos lembra o historiador Jacques Le Goff

 

A história nova ampliou o campo do documento histórico; ela substituiu a história [...] fundada essencialmente nos textos, no documento escrito, por uma história baseada numa multiplicação de documentos: escritos de todos os tipos, documentos figurados, produtos de escavações arqueológicas, documentos orais, etc. Uma estatística, uma curva de preços, uma fotografia, um filme ou, para um passado mais distante, um pólen fóssil, uma ferramenta, um ex-voto são, para a história nova, documentos de primeira ordem (LE GOFF, 1990, p.28).

 

 

Na mesma esteira, os Parâmetros Curriculares Nacionais para História e Geografia do Ensino Fundamental, traz a preocupação com o uso – e reconhecimento – de fontes diversificadas e não apenas as escritas. Com isso, outros documentos ganharam importância na investigação histórica, podendo, também, serem utilizados com o viés didático, em sala de aula.

Por esse motivo, os PCN’s discorrem sobre a importância do uso de fontes diversificadas, sobretudo nas aulas de História e Geografia, tendo em vista que a comunicação entre as pessoas não se estabelece apenas pela escrita. Então, por que reconhecer como fonte histórica apenas o documento escrito?

 

O questionamento sobre o uso exclusivo de fontes escritas levou a investigação histórica a considerar a importância da utilização de outras fontes documentais, aperfeiçoando métodos de leitura de forma a abranger as várias formas de registros produzidos. A comunicação entre os homens, além da escrita, é oral, gestual, figurada, musical e rítmica (BRASIL, 2001, p. 31)

 

Dentre as formas de linguagem e de formas de comunicação entre as pessoas, o filme / cinema possui a vantagem de englobar mais de uma. Afinal, o filme pode conter músicas, possui um padrão rítmico próprio, é gestual, é oral, simbólica... Enfim, é um veículo de comunicação que se utiliza de diversas linguagens, além de sua própria que se escora na imagem em ação, em movimento. Além disso, os filmes retratam a sua época. Mesmo um filme épico, como “Os dez mandamentos”, tem muito mais relação com o momento em que foi produzido do que com aquele que supostamente retrata. No caso em questão, o clássico filme de Cecil B. De Mille, se sobressai esse aspecto logo na abertura da película.

O diretor do filme aparece, por detrás de uma cortina, e diz que aquele gesto é algo incomum, mas que o tema do filme também o é: “o nascimento da liberdade”. E discorre sobre como se deu o processo de pesquisa para as filmagens. Em determinado momento, Cecil B. De Mille diz: “o tema deste filme é se o homem deve ser governado pelas leis divinas ou governado pelas leis de um ditador como Ramsés”. E continua: “Os homens são propriedade do Estado ou almas livres sob a Lei de Deus. A mesma batalha acontece no mundo até os dias de hoje”.

Esse filme foi produzido em 1956, durante o auge da Guerra Fria e da ferrenha oposição entre o mundo capitalista da “liberdade” e o comunista da “ditadura”. Cecil B. De Mille deixa explicito que seu filme é um alerta para o seu tempo, para a escolha entre a “liberdade” e a “ditadura”, entre ser “propriedade do Estado” ou “almas livres”.

Para deixar isso mais claro ainda, o diretor fez questão de um gesto “incomum”: apresentar as razões de seu filme, na abertura do mesmo. Por isso, os filmes são carregados da mentalidade e dos parâmetros de época.

Nesse sentido, filmes como as chanchadas cariocas são importantes testemunhos da mentalidade, do imaginário, do contexto histórico em que foram produzidos. O filme “O homem do Sputinik”, por exemplo, traz importantes elementos sobre o contexto da Guerra Fria, mas também a posição do Brasil em relação a esse contexto durante o governo JK.

Demonstra também o sentimento de auto-estima produzido durante os “Anos Dourados” no povo brasileiro. Talvez, pela primeira vez, os brasileiros acreditaram que o país “poderia dar certo”. Conforme atesta Boris Fausto, “na memória dos brasileiros, os cinco anos do governo Juscelino são lembrados como um período de otimismo associado a grandes realizações, cujo maior exemplo é a construção de Brasília” (FAUSTO, 1999, p. 429).

Ainda que não tenham sido produzidos com essa intenção, os filmes das chanchadas cariocas podem ser considerados como “lugares de memória” (NORA, 1993). De acordo com Pierre Nora, os lugares de memória são veículos que transportam as informações do passado “a forma extrema onde subiste uma consciência comemorativa numa história que a chama, porque ela ignora” (NORA, 1993, pp. 12 – 13). Nora (Op. cit.) diz que a memória espontânea, aquela que voluntariamente pertenceria ao cotidiano das pessoas, sem necessidade de ser “acionada” por nenhum mecanismo externo, presente no cotidiano das primeiras sociedades, já não existe mais em nossas organizações sociais mais complexas.

Por isso necessita-se, hoje, de lugares que “transportem” (ou carreguem) essa memória. “Se habitássemos ainda nossa memória, não teríamos necessidade de lhe consagrar lugares” (NORA, 1993, p. 8). Isso porque, “não haveria lugares, porque não haveria memória transportada pela história” (NORA, 1993, p. 8). Esse papel da história em “transportar” a memória do passado inexistiria, uma vez que “cada gesto, até o mais cotidiano, seria vivido como uma repetição religiosa daquilo que sempre se fez, numa identificação carnal do ato e do sentido” (NORA, 1993, pp. 8 – 9).

Apesar de o conceito desenvolvido por Nora apontar que um lugar de memória só existe se investido de vontade de memória, ou seja, a intenção de ser reconhecido como tal, os filmes das chanchadas cariocas poderiam ser considerados como tais por carregarem consigo informações importantes sobre o período em que foram produzidos.

Tais filmes são o testemunho de uma época e um imprescindível documento histórico que pode ser utilizado como ferramenta didática em aulas de História.

 

O homem do Sputnik”

 

Produzido em 1959, dirigido por Carlos Manga, tinha em seu elenco nomes como Oscarito (no papel de Anastácio, o “homem do Sputnik”), Zezé Macedo (como Cleci, esposa de Anastácio), Cyll Farney (o jornalista Nelson, o “mocinho” do filme) e participações de Jô Soares (na época, Joe Soares) e Norma Bengell (como a francesa Bebé).

A sinopse do filme é a seguinte: “O filme narra as peripécias de um homem simples que pensa que o satélite russo Sputnik caiu no telhado de sua casa. Ele é perseguido por espiões de todos os tipos até que a verdade vem à tona” (WIKIPEDIA, Acesso em 27 jul 2012).

Diferentemente de outros filmes do mesmo gênero das chanchadas, “O homem do Sputnik” possui um enredo e argumento onde há um restrito espaço – quase nenhum mesmo –para as apresentações musicais ou artísticas de forma geral (dança, coreografia, etc). As exceções, justificáveis e inseridas no contexto do filme, são as apresentações do bailarino russo e da cantora francesa, que não é ninguém mais do que Bebé,2 interpretada por Norma Bengell, e que tem como missão seduzir Anastácio para que este entregue o satélite Sputnik à França. Diante disso, é possível se falar num amadurecimento do gênero das chanchadas, com roteiros mais sólidos e bem elaborados e uma preocupação estética com a imagem (que pode ser vista na cena em que Cyll Farney está lutando com espiões estadunidenses numa praia deserta à noite, por exemplo).

O filme retrata o período do governo JK (1956 – 1961), sendo possível encontrar muitos símbolos representativos da mentalidade e representações dessa época. Toda imagem possui uma linguagem própria, especialmente o cinema. Essa linguagem reproduz uma construção do imaginário próprio da época em que o filme foi concebido. Portanto, a “leitura” de um filme é a leitura da mentalidade de uma época eis que “a imagem não ilustra em nem reproduz a realidade, ela a constrói a partir de uma linguagem própria que é produzida num dado contexto histórico” (SALIBA, 2002, p. 119).

Desse modo, o filme de ficção não deve ser utilizado em sala de aula da mesma forma como seu utiliza um documentário (NAPOLITANO, 2006). Mesmo porque, o filme é “uma construção que, como tal, altera a realidade através de uma articulação entre a imagem, a palavra, o som e o movimento” (SALIBA, 2002, p. 119). Se, no entanto, não se pode apreender a realidade histórica de uma época por intermédio da assistência de um filme, é bem verdade, por outro lado, que se pode investigar as representações, o imaginário e mentalidades de uma época.

E, para tentar estabelecer tais relações, ou seja, decifrar o que esses símbolos podem nos dizer sobre a época que retratam, se faz necessário conhecer os fatos históricos a eles referidos. Por isso, é importante conhecer os aspectos gerais do tempo em que o filme foi produzido, ou seja, a Era JK. Mas qual a característica, ou características, do governo JK? Boris Fausto, conceituado historiador brasileiro, dá alguns parâmetros:

 

Em comparação com o governo Vargas e os meses que se seguiram ao suicídio do presidente, os anos JK podem ser considerados de estabilidade política. Mais do que isso, foram anos de otimismo, embalados por altos índices de crescimento econômico, pelo sonho realizado da construção de Brasília. Os “cinquenta anos em cinco” da propaganda oficial repercutiram em amplas camadas da população (FAUSTO, 1999, p. 422).

 

A primeira informação que salta do texto é a de um período de otimismo. Afinal, o Brasil poderia “dar certo”, desenvolver-se econômica e socialmente. O nacional-desenvolvimentismo, característico do governo JK, fez com que o crescimento do PIB brasileiro per capita na década de 1950 fosse aproximadamente três vezes maior do que o do resto da América Latina. Ademais, apesar de usar o Estado como incentivador da economia e promotor da infraestrutura, a indústria nacional para o desenvolvimento econômico e o capital estrangeiro para promover esse desenvolvimento; a política internacional do governo JK sempre se pautou por certa independência, a despeito do contexto de Guerra Fria.

O ator José Lewgoy, famoso por interpretar papéis de vilão nas chanchadas, disse, em depoimento ao documentário “Assim era a Atlântida” que “a chanchada era o reflexo de uma época otimista”. Grande Otelo, no mesmo documentário, acrescenta que a chanchada “era o símbolo de uma época”.

O otimismo dessa época impulsionará comportamentos, especialmente o da autoestima do brasileiro, reconhecendo-se não mais como mero fantoche na mão das superpotências, mas como alguém capaz de dialogar de igual para igual (não obstante as diferenças econômicas e sociais). O otimismo contribuía, ainda, para a sedimentação de um sentimento de participação, de nacionalidade.

 

Se o otimismo e a esperança implicaram profundas alterações na vida da população em todo o mundo, permitindo, não a todos, mas a uma parcela - os setores médios dos centros urbanos -, consumir novos e mais produtos, por outro lado, a vontade do novo trazia embutido, em várias áreas da cultura, o desejo de transformar a realidade de um país subdesenvolvido, de retirá-lo do atraso, de construir uma nação realmente independente (KORNIS, 2012).

 

Se conjugarmos esses elementos, comparando-os ao filme “O homem do Sputnik”, poderemos estabelecer relações entre os simbolismos do filme e a sua época. O Brasil estava se desenvolvendo economicamente, o que gerou um crescimento dos centros urbanos, mas ainda era um país dividido entre uma sociedade rural e uma sociedade urbana.

A despeito de o desenvolvimento industrial produzir o êxodo rural, existia ainda uma considerável população no meio rural. É de bom alvitre lembrar que “até a década de 1950, 60% da população brasileira vivia no campo e o proletário nacional era insignificante do ponto de vista das indústrias de grande porte estrangeiras” (FABER, 2012). Parece então que os protagonistas do filme, Anastácio (interpretado por Oscarito) e o jornalista Nelson (papel de Cyll Farney), representam, respectivamente, esse Brasil “rural e urbano” ao mesmo tempo. Anastácio vive em um sítio retirado da zona urbana e é produtor de ovos de galinha. Sua esposa Diocleciana (Cleci), sonha em sair daquele lugar e viver na zona urbana, cercada de luxo e de pompas.

Anastácio é o retrato do homem simples e de poucas ambições. Quer apenas dinheiro suficiente para reconstruir o seu galinheiro que foi destruído pela queda do suposto satélite russo Sputnik. Porém, diante da possibilidade de ganhar dinheiro “no mole”, usando uma gíria da época, Anastácio se vê seduzido a abandonar aquela vida simples por uma mais sofisticada. Representação da atração que a cidade exercia sobre o homem do campo gerando o êxodo rural?

Essa tensão entre o rural e o urbano, entre a mudança de vida e de hábitos, bem pode ser a metáfora sim do êxodo rural. A paisagem e a temporalidade da residência (granja) de Anastácio bem denotam a vida do homem do campo. Uma das referências a isso é o português – que parece ser uma espécie de auxiliar do padre da localidade – que se desloca montado em um burro. Anastácio, para poder se dirigir ao centro urbano, precisa ficar numa estrada a espera de uma carona. Tais cenas se contrapõem com o do centro da cidade do Rio de Janeiro, onde vive o personagem Nelson, jornalista que trabalha como colunista social de um jornal, mas que procura galgar uma posição de mais destaque. Sua noiva trabalha em um banco e é ela quem descobre “o homem do Sputnik”.

As cenas em que Nelson aparece no início da trama demonstram todo o conjunto de uma cidade – na época, capital da República – em pleno desenvolvimento urbano: carros, multidões de pessoas pelas ruas, prédios, agitação, polícia... Contraponto para a aparição de Anastácio: granja, rua de terra, galinhas, casas isoladas (e pequenas), pessoas se locomovendo em lombo de burro...

Outro fator a ser observado é a política externa independente, uma das características da Era JK. Na trama do “Homem do Sputnik”, a notícia de que o satélite teria caído na granja de Anastácio acende a disputa de três potências mundiais: a França (representando toda a Europa), a URSS e os EUA (símbolos da Guerra Fria). Cada uma das potências utiliza de uma forma para conseguir o satélite: os EUA pretendem usar a coopção pelo dinheiro; a URSS a persuasão pela violência e a França pela sedução.

Aqui se vê o uso dos estereótipos, como os estadunidenses ignorantes (não sabiam onde ficava, por exemplo, o Brasil, país do próprio continente americano), corruptores, presunçosos (em várias passagens do filme vemos o discurso de que “eles” são os melhores, os mais fortes, os mais...) e, ainda, utilizando de expedientes colonialistas como a prática de escambo (o personagem interpretado por Jô Soares usa o interfone para pedir um avião cheio de chicletes e bugigangas para enganar um “bando de índios”, repetindo o uso português nestas terras em troca do trabalho indígena do corte do pau-brasil). Já os soviéticos são todos carrancudos, carecas, de uniforme militar, mas, ao mesmo tempo, hipócritas (enquanto uma elite dirigente usufruía de todas as benesses – incluindo uma garrafa de Coca-Cola, guardada dentro do armário – a população camponesa passava fome e tinha menos alimento que as vacas porque “não produziam como as vacas”, eis que viviam num regime onde os interesses pessoais foram abolidos do dicionário...).

Para a França, o estereótipo colocado é o da “amante francesa”, à la Brigitte Bardot, símbolo sexual dos anos 1950 e 60. É de se reparar que a personagem de Norma Bengell chama-se Bebé (ou BB), fonema dobrado da letra “B”, de Brigitte Bardot.

A temática da Guerra Fria está presente durante todo o desenrolar do filme. O encontro dos carros dos espiões estadunidenses com os soviéticos na entrada do Hotel Copacabana é significativo do ponto de vista de representação imagética: carros de cores distintas (um branco e outro preto), estacionados em oposição (um defronte ao outro, o que representa, também um confronto, um enfrentamento) e com os três espiões de cada lado (símbolo do equilíbrio de forças?) encarando-se mutuamente.

Em outro momento, Anastácio está com Bebé num sofá encoberto por uma cortina. O chefe da delegação soviética informa à esposa de Anastácio, a senhora Cleci, o que está “acontecendo por detrás da cortina”. O espião dos Estados Unidos, interpretado por Jô Soares, diz à Cleci que “seu governo (EUA) pode garantir que tudo o que se passa detrás da cortina é mentira”, numa clara alusão à “Cortina de Ferro”, expressão que designava a porção Oriental da Europa sob a influência da URSS.

O otimismo pelo Brasil, aliado ao nacionalismo e a sua política de independência externa podem ser sintetizados, simbolicamente, no personagem Nelson. É ele quem orienta Anastácio a não vender o Sputnik ao primeiro que aparecesse, ou seja, à primeira pressão que sofresse de um dos representantes das potências mundiais. É ele quem dá força ao brasileiro Anastácio para que não ceda às pressões dos estrangeiros. Há muitas outras interpretações que poderiam ser feitas em relação ao comportamento de Nelson e Anastácio, mas isso seria cair na tentação de lidar apenas com ilações e especulações, correndo o risco de perder a objetividade deste trabalho. Prefere-se não correr tal risco.

Outra cena que parece demonstrar o otimismo brasileiro é a da luta entre Nelson e os espiões dos Estados Unidos numa praia, à noite. Embora fossem três espiões, um deles truculento, alto e forte, o brasileiro conseguiu se desvencilhar deles usando golpes da capoeiragem ou pernada carioca. Isso é bastante representativo, pois o ator Cyll Farney em outras produções da Atlântida lutou com os “bandidos” sem usar de tais golpes característicos da capoeira, como a ginga, a rasteira e a “bênção” ou “chapa de frente”. No entanto, no filme em questão, ele usou de uma luta tipicamente brasileira para derrotar os espiões estadunidenses.

Um símbolo para a pretensa igualdade, ou melhor, para a relação internacional independente – o que naquela época queria dizer fora do âmbito da Guerra Fria – na qual o Brasil poderia se colocar diante dos demais países sem se sentir inferiorizado.

Por fim, pode-se perceber que o brasileiro “levou a melhor” no final do filme, pois enganou todas as potências, eis que o “Sputnik” era, na verdade, uma esfera celeste de metal que fazia parte de um conjunto de um catavento com pontos cardeais e um galo encimado. A despeito disso, enquanto pôde, o brasileiro Anastácio aproveitou-se da situação e das benesses oferecidas pelas potências, a despeito de ter sofrido, por seu turno, certa pressão desses mesmos países. Uma metáfora do Brasil da época?

Por todos esses aspectos apontados, e outros mais, o filme “O Homem do Sputnik” pode sim ser usado como importante ferramenta didático-pedagógica para se entender uma época, suas mentalidades e representações. Ademais, trata-se de uma fonte histórica relevante, por retratar uma época, seus costumes, sua mentalidade.

 

O uso do filme “O Homem do Sputnik” em sala de aula

 

Em novembro de 2011 o professor titular de História da EMEF. Coronel Esmédio, na cidade de Porto Feliz, trabalhou com seus alunos o filme “O Homem do Sputnik” como forma de evidenciar – e, ao mesmo tempo, reconhecer – aspectos trabalhados no conteúdo programático da referida disciplina. Os alunos, todos do 9º ano do Ensino Fundamental, assistiram ao filme, participaram de debate e, ao final, alguns postaram suas conclusões em um blog construído com essa finalidade.

O blog “Passado Anotado” (http://passado-anotado.blogspot.com.br/) foi construído pelos próprios alunos com orientação do professor de História. Dessa forma, pode-se verificar o quanto os alunos haviam apreendido do simbolismo das imagens do filme em relação ao conteúdo ministrado em sala de aula.

Os depoimentos eram espontâneos, ou seja, os alunos poderiam discorrer sobre quaisquer aspectos que tivessem sido observados por eles, especialmente, mas não exclusivamente, aqueles que se referiam ao contexto da Guerra Fria. Os depoimentos foram realizados após a assistência do filme e de debate em sala de aula, o que colaborou com uma percepção mais aguçada dos elementos presentes na película.

Obviamente, houve um processo de sensibilização para os estudantes. Afinal, o filme, a princípio, teria poucos atrativos para alunos do 9º ano do Ensino Fundamental. Trata-se de um filme em preto e branco, produzido há várias décadas, com o agravante de ser uma comédia, o que, culturalmente é visto como descompromisso com a seriedade, digno de confiança. Tudo contribui para que as chanchadas sejam vistas, preconceituosamente, como produções isentas de interesse para as aulas de História.

Por esse motivo, o trabalho de sensibilização é imprescindível para que o uso desse gênero do cinema possa surtir algum efeito dentro dos objetivos do planejamento das aulas do professor. No caso em tela, durante as aulas em que tratava do tema “Guerra Fria”, o professor comentava sobre o filme, aguçando a curiosidade dos estudantes, ao mesmo tempo em que previa das distâncias culturais e cronológicas da produção em relação aos alunos.

Com isso, os estudantes não somente desenvolveram um respeito com relação àquela produção cultural, como também ficaram instigados a conhecê-la mais de perto. Essa foi a oportunidade para construir, conjuntamente, a proposta de exibição do filme como complementação das aulas expositivas. É de bom alvitre lembrar que o filme “O Homem do Sputinik” foi apresentado, desde o início, como uma fonte histórica e não uma ilustração do que havia sido explanado nas aulas.

Com isso, estimulou-se o exercício de interpretação. Afinal, é isso o que são as fontes: documentos que por si só não dizem nada, a não ser que haja a intervenção humana de interpretá-los à luz dos conhecimentos históricos. Mesmo não se tratando de historiadores, os estudantes do Ensino Fundamental puderam realizar o exercício de interpretar as cenas daquele filme como uma fonte histórica. Por outro lado, os alunos puderam entender que o conhecimento histórico produzido em sala de aula tem uma aplicação prática em suas vidas.

De outra forma, como poderiam exercitar a interpretação daquela produção cinematográfica? Da mesma maneira, esse exercício poderia ser realizado na interpretação de uma propaganda veiculada na televisão, ou uma notícia de telejornal ou mesmo uma teledramaturgia, as nossas famosas “novelas”?

Um dos depoimentos dos alunos demonstra o que foi percebido pelo mesmo em relação ao filme. O aluno Renan Pinto diz no seu texto que:

 

Ao decorrer do filme vemos outras representações sobre a Guerra Fria, como a cortina que separava a Europa capitalista da socialista, quando os soviéticos repugnam a marca de refrigerante Coca-Cola por ser uma marca capitalista e preferem beber Vodca. Também há uma cena demonstrando a situação social na URSS com as pessoas que representaram o poder na URSS falaram uma família humilde, destratando-a, mostrando que de fato não havia um socialismo rela na URSS. Há também varias referencias ao café, que ainda tinha sua importância econômica, e também ao Brasil avançando e se desenvolvendo, que era uma meta de JK (Jucelino Kubitschek), presidente do Brasil naquela época.

 

O aluno Felipe Augusto Ribeiro de Oliveira também anotou suas impressões sobre o filme e, em determinado momento disse:

 

Ao decorrer do filme podemos ver traços da Guerra Fria. O filme mostra a luta dos EUA e URSS para conseguirem o Sputnik, podemos ver ao longo das cenas que eles se enfrentam no corredor do hotel onde ficam de frente uns para os outros (EUA x URSS), uma marca também é que os agentes secretos dos EUA tentaram fazer troca com ele pelo Sputnik, a URSS tentou conseguir o objeto por ameaças, e a França tentou com sensualidade.

Também temos a cena em que quando chegam ao Brasil os EUA saem de um carro branco enquanto a URSS saem de um carro preto, simbolizando as controversas entre estes países, e logo que se encontram se olham como se ali estivesse acontecendo a guerra, onde seus olhos foram suas armas e se enfrentaram ali.

 

Por fim, para não estender demasiadamente as observações dos alunos, insere-se aqui parte do depoimento do aluno Leandro de Oliveira:

 

Numa outra cena mostra os Soviéticos tirando da estante bebidas Norte-americanas e Francesas (Wisk e champagne) e ao fundo uma garrafa de Coca-Cola, bebida tipicamente dos Estados Unidos, que era principal rival da União Soviética. Uma importante observação no filme que deve ser vista é que mostra o Brasil com relações com outros países, não só com os EUA por meio das marcas como a Citroen (França). Mas também mostra a forte influência dos EUA no Brasil com o carro mais famoso da década de 50 o 1957 Chevrolet Bel Cir, conhecido como o Queridinho das Américas e também a própria Coca-Cola. O filme também se passa no campo e na cidade, mostrando que o Brasil estava se urbanizando, mas também cultivava a antiga vida no campo.

O filme está no contexto da Guerra Fria, pois mostra o conflito ideológico entre Estados Unidos e União Soviética e criticando tanto o sistema Capitalista quanto o Socialista.

 

Os depoimentos acima demonstram o quanto os alunos conseguiram estabelecer em termos de relações entre o conteúdo aprendido em sala de aula e o que se passou no filme, tornando o ensino de História mais palpável e prático, mas, sobretudo, significativo.

Além disso, os depoimentos demonstram a análise que os estudantes fizeram do filme enquanto documento (fonte) histórica, buscando nas “entrelinhas” da trama o imaginário, as representações, a mentalidade e o contexto de uma época.

O filme serviu como estímulo para pesquisas mais aprofundadas sobre o período retratado. Verifica-se, por exemplo, a inserção de informações como as marcas de automóveis, e o que representavam em sua época.

Outro fator importante a ser considerado é o contato que os estudantes tiveram com imagens e representações do passado, o que foi possibilitado por meio da assistência ao filme. Diferentemente da explanação do professor em sala de aula, as imagens do filme trazem uma outra perspectiva ao estudante, que dessa forma pode sentir a oportunidade de fazer por si próprio a análise de uma fonte documental.

Os PCNs chamam a atenção para a necessidade de se conhecer os outros tempos, o tempo de nossos antepassados, pois é disso que decorre a noção de permanência e continuidade. Ao analisar o filme – não simplesmente assisti-lo – o estudante detém seu olhar crítico em busca das relações entre o seu tempo e o que o filme retrata. E é inevitável a comparação entre os dois.

Como exemplificou o historiador Eric Hobsbawn, “é inevitável fazer comparações entre o passado e o presente: é essa a finalidade dos álbuns de fotos de família ou filmes domésticos” (HOBSBAWN, 1998, p. 36). Também é inevitável que tais comparações sejam realizadas no momento em que informações de tempos distintos – a nossa e a de outrem – se colocam frente a frente. É isso o que produz a assistência de um filme de tempos idos.

Da mesma forma, “é fundamental a percepção de que o ‘eu’ e o ‘nós’ são distintos de ‘outros’ tempos, que viviam, compreendiam o mundo, trabalhavam e vestiam-se e se relacionavam de outra maneira” (BRASIL, 2001, p. 33).

 

 

 

 

 

Considerações Finais

 

Os filmes do gênero conhecido como “Chanchada” são importantes documentos da mentalidade e das representações de sua época, como uma crônica em forma de imagem em movimento.

Não são meras “ilustrações” e muito menos filmes dissociados do contexto em que foram produzidos. Ao contrário, são filmes que exigem um nível avançado de interpretação para que se possa entender o caráter simbólico das cenas. As informações do filme não estão no âmbito do explícito. É preciso desenvolver o senso de “leitura” das entrelinhas para que se possa compreendê-lo.

Os filmes das chanchadas cariocas podem ser considerados, ainda, como lugares de memória porquanto carregam informações cruciais de uma época, trazendo lembranças de um passado para o presente. Com isso, estabelece-se a ponte entre o mundo vivido pelos estudantes e o pretérito.

Outro fator a ser levado em consideração é que o cinema, enquanto instrumento didático-pedagógico permite a observação de diversas formas de comunicação num só material. Levando-se em consideração que os PCNs reconhecem a importância do uso de formas diversas de registros históricos, oriundos das diferenças sociais e econômicas da população brasileira, é importante que se oportunize aos estudantes o acesso a fontes históricas diferentes. Como preconiza os PCNs, “nesse sentido, o trabalho pedagógico requer estudo de novos materiais (relatos orais, imagens, objetos, danças, narrativas), que devem se transformar em instrumentos de construção do saber histórico” (BRASIL, 2001, p. 39).

Por essas características, há sim a possibilidade de se trabalhar tais filmes em sala de aula, desde que o professor esteja consciente de quais aspectos irá se utilizar para relacionar o que foi aprendido em sala de aula com o conteúdo do filme. Não apenas como ilustração do conteúdo, mas como fonte para análise.

Desse modo, faz-se necessário perceber a importância do planejamento das aulas, do conhecimento pelo professor do filme utilizado e, por fim, dos objetivos claros que pretende atingir (NAPOLITANO, 2006; BITTENCOURT, 2002). É por meio do planejamento que o professor poderá escolher o material pertinente aos objetivos de sua aula. Por isso, é importante também ao professor que possua uma cultura ampla, especialmente se pretender o uso do cinema / filme como recurso didático-pedagógico. Nesse sentido, reverbera as palavras de Paulo Freire no tocante a necessidade de o professor entender que a sua prática docente está vinculada à pesquisa: “Não há ensino sem pesquisa e pesquisa sem ensino” (FREIRE, 1996, p. 29).

É importante que o professor reconheça a necessidade da pesquisa, como ser inacabado que é, como ser inconcluso que busca incessantemente da “construção de [sua] presença no mundo, que não se faz no isolamento, isenta da influência das forças sociais, que não se compreende fora da tensão entre o que [herda] geneticamente e o que [herda] social, cultural e historicamente” (FREIRE, 1996, p. 53). Por isso a necessidade de entender que a prática docente não está dissociada da pesquisa. Ao contrário, o educador é um pesquisador. “Enquanto ensino continuo buscando, reprocurando. Ensino porque busco, porque indaguei, porque indago e me indago” (FREIRE, 1996, p. 29).

Portanto, o uso do cinema (filmes) em sala de aula, na disciplina de História, não somente é um instrumento interessante do ponto de vista didático-pedagógico, como também pressupõe que o professor o utilize de maneira consciente no sentido de pesquisar, de buscar o viés pedagógico dentro do objetivo da disciplina. Em suma, exige do professor o que deveria ser obrigatório em todas as suas atividades: o planejamento das mesmas.

O uso de um filme como “O Homem do Sputinik”, a despeito de ser uma comédia, de ser produzido em preto e branco e num tempo cronológico distante da realidade dos estudantes, é perfeitamente viável enquanto recurso didático-pedagógico e como fonte de análise histórica.

A única justificativa plausível para a não utilização de tais filmes seria apenas uma: o preconceito que sempre acompanhou tais produções. E preconceito é algo que não cabe mais dentro de uma sala de aula. Especialmente em aulas de História.

 

 

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 

BITTENCOURT, Circe (Org.). O saber Histórico na sala de aula. São Paulo: Contexto, 2002.

 

BRASIL, Ministério da Educação. Parâmetros Curriculares Nacionais: História e Geografia. Brasília: Secretaria da Educação Fundamental, 2001.

 

FABER, Marcos Emílio Ekman. O desenvolvimento econômico brasileiro e a industrialização no período Juscelino Kubitschek. Disponível em: http://www.historialivre.com/brasil/jk1.htm. Acesso em: 27 jul 2012.

 

FAUSTO, Boris. História do Brasil. São Paulo: EDUSP, 1999.

 

KORNIS, Mônica Almeida. O Brasil de JK – Sociedade e cultura nos anos 1950. Disponível em: http://cpdoc.fgv.br/producao/dossies/JK/ artigos/Sociedade/Anos1950. Acesso em 27 jul 2012.

 

LE GOFF, Jaques. A história nova. São Paulo: Martins Fontes, 1990.

 

MORAN, José Manuel. Os vários usos do cinema e vídeo na escola. Revista Comunicação & Educação, São Paulo: ECA/Moderna, 1995. Apud NAPOLITANO, Marcos. Como usar o cinema na sala de aula. São Paulo: Contexto, 2006.

 

NAPOLITANO, Marcos. Como usar o cinema na sala de aula. São Paulo: Contexto, 2006.

 

NORA, P. Entre memória e história: a problemática dos lugares. Projeto História (Revista do Programa de Estudos Pós-graduados em História/Departamento de História, PUC-SP), São Paulo, v.10, p.7-28, 1993.

 

SALIBA, Elias Thomé. Experiências e representações sociais: reflexões sobre o uso e o consumo das imagens. In BITTENCOURT, Circe (Org.). O saber Histórico na sala de aula. São Paulo: Contexto, 2002.

 

WIKIPEDIA. O Homem do Sputnik. Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/O_Homem_do_Sputnik. Acesso em: 27 jul 2012.

 

FILMES

 

ASSIM ERA A ATLÂNTIDA. Documentário, Brasil, 1975. Direção: Carlos Manga. Versão DVD, Coleção Atlântida 65 Anos, 2006.

 

O HOMEM DO SPUTNIK. Comédia, Brasil, 1959. Direção: Carlos Manga. Versão DVD, Coleção Atlântida 65 Anos, 2006.

 

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1 Professor de História da rede Pública Municipal de Porto Feliz (SP). Mestre em Educação (UFSCar, campus Sorocaba). Licenciado em História e em Pedagogia, Especialização (Lato Sensu) Metodologia do Ensino de História e em Gestão Ambiental, Bacharel em Teologia. Escritor, poeta, historiador, cineasta e pesquisador de cultura popular paulista. Autor de diversos livros, dentre os quais se destacam: “Folclore em Sorocaba”, “O Negro em Porto Feliz”, “Scenas da Escravidão”, “Vadios e Imorais”, “Ergástulo”. Acadêmico correspondente da FEBACLA (Federação Brasileira dos Acadêmicos de Ciências, Letras e Artes) e Membro da Academia Independente de Letras. Contato: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

2 Bebé é uma referência à Brigite Bardot, atriz francesa e símbolo sexual da época. Bebé seria, portanto, as iniciais B B, do nome da atriz.