Jornal da Educação - ISSN 2237-2164

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A influência judaico-cristã sobre o islamismo (JE294)

O islã nasceu na Cidade de Meca, no século sete depois de Cristo; ou, “século sete da era comum”, como preferem os modernos historiadores, em respeito à pluralidade de religiões. Segundo a crença, Maomé tinha 40 anos quando teve seu encontro com Gabriel, o anjo que o requisita para transmitir a mensagem divina, que está registrada no Corão.
Contam os estudiosos que Maomé, quando jovem, teve contato com viajantes judeus e cristãos, e ouvia atento o que eles falavam à noite, ao redor da fogueira ou durante o dia, em suas transações comerciais, a respeito de seus credos religiosos. É por isso que encontramos na doutrina muçulmana conceitos e leis muito parecidos aos que estão na Bíblia. 
Também é preciso entender que o islã é uma religião abraâmica, possui o mesmo Deus e o mesmo patriarca (Abraão) das religiões co-irmãs, judaísmo e cristianismo. Alá não é o Deus exclusivo dos muçulmanos; Alá é simplesmente o nome que os muçulmanos dão para Deus. 
Assim como as religiões judaica e cristã, o islamismo também tem fundamentos que valorizam a paz e a fraternidade. 
A sura (capítulo) 4,94 proíbe um muçulmano matar quem os recebe em paz.
Mas, infelizmente, encontram-se em suas doutrinas também versos que ensinam o oposto. No Antigo Testamento, Javé ordena o exército de Moisés exterminar tribos idólatras; não perdoa nem bebês e crianças. 
O Novo Testamento trata cruelmente as cidades que se negam a ouvir a palavra do Messias. 
O Corão tem trechos semelhantes. Interessante observar que nos versos mais antigos, o Corão é tolerante com os outros credos (sura 2,62). E afirma: “Não há imposição quanto à religião” (sura 2,256).
 Ou seja, Maomé proibia que a fé fosse imposta à força. Mas, após a morte do profeta, os novos seguidores deixam de lado a mensagem pacífica e espiritual, e passam a dar mais ênfase ao discurso político e militar. 
Dentre as semelhanças entre o islã, o judaísmo e o cristianismo temos a crença na imortalidade da alma e no dia do julgamento final. 
O Antigo Testamento recomenda o tratamento cordial às crianças órfãs, às viúvas e estrangeiros. O Corão o imita (sura 2,177). O apelo de Jesus para que todos pratiquem a bondade não é diferente do verso corânico: “De todas as coisas, a maldade é a mais detestável, ante o teu Senhor” (sura 17,38). 
Por outro lado, a Bíblia carregou forte nas tintas contra homossexuais, mulheres, livre-pensadores, e quem seguisse outra religião, ideias que a cultura muçulmana absorveu e são propagadas ainda hoje pelos clérigos radicais. 
O Deus do Antigo Testamento manda matar quem segue outro deus (Números 25, 1 e Deuteronômio 17,2). O verso corânico pede a morte de idólatras (sura 9,5). 
No entanto, segundo vários eruditos muçulmanos,  esse e outros versos semelhantes se referiam ao tempo do profeta, onde as batalhas eram frequentes, e não valem para os dias de hoje. 
A Bíblia, na voz de Javé, diz que um judeu pode raptar meninas virgens e usá-las sexualmente (Números 31,14). 
Já o Corão proíbe o homem tomar uma mulher à força ou fazer dela sua esposa sem que ela consinta (sura 4,19). 
Javé proíbe a confecção de esculturas e pinturas (Êxodo 20,4). O Corão não faz qualquer menção ao assunto. Entretanto, grupos extremistas já destruíram estátuas milenares em regiões como Afeganistão, Síria e Iraque.
Como vimos, a relação da cultura judaico-cristã com o islamismo é muito estreita. 
Os terroristas que têm assombrado o mundo dizem agir em nome de Deus e do islã, mas são seus próprios irmãos muçulmanos as maiores vítimas de suas ações. 
Milhares de inocentes já morreram em intermináveis combates fratricidas que vêm assolando nas últimas décadas territórios do norte da África e do Oriente Médio. No entanto, a maioria dos muçulmanos é contra esses atos de violência. 
Eles dizem que o islamismo é uma religião de paz. E que os extremistas fazem uma interpretação equivocada das Escrituras Sagradas.
Pensadores muçulmanos e ocidentais têm esperança de que, assim como as religiões cristã e judaica se modernizaram, e abandonaram a agressividade do passado, possa também haver uma reforma na doutrina islâmica, onde a ênfase seja dada ao amor e fraternidade que pregava o profeta Maomé, no início de sua jornada como mensageiro de Deus:
“Não há utilidade alguma na maioria dos seus colóquios, salvo nos que recomendam a caridade, a benevolência e a concórdia entre os homens.” (sura 4,114). 

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