Jornal da Educação - ISSN 2237-2164

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Mutilação genital feminina-MGF (JE299)

“As pessoas têm receio de assumir uma postura mais firme contra a circuncisão feminina porque faz parte da ‘cultura deles’. A cultura não é certamente uma razão para se tolerar o sofrimento humano.” 
Irshad Manji, escritora canadense nascida em Uganda
 
 
De maneira geral, as crianças que passam por essa cirurgia têm entre 8 e 12 anos. Em nome da crença religiosa, muitos pais ligados à religião muçulmana e alguns povos da África cristã submetem suas filhas a um barbeiro ou daya, mulher que conhece a “técnica cirúrgica”, para decepar o clitóris com tesoura, navalha, gilete, caco de vidro ou faca de cozinha, e costurar os lábios vaginais da criança – tudo sem anestesia -, com objetivo de impedir que elas sintam prazer e se tornem “prostitutas”, como eles definem qualquer mulher que mantenha relações sexuais antes de casar, de modo a garantir a honra da família e a virgindade da filha para o futuro esposo. 

A MGF não agride apenas o corpo da criança, de maneira arbitrária e contra sua vontade, mas também seu psiquismo. Em 2002, relatórios da Anistia Internacional indicavam que quase um milhão e meio de meninas haviam sido submetidas à operação nos genitais. 
A origem desse costume remonta a séculos antes do islamismo, mas são os muçulmanos quem mais o praticam. 
No livro “A face oculta de Eva”, a médica psiquiatra de origem egípcia, Nawal El Saadawi, convida seus irmãos muçulmanos a pensar:
“Se a religião tem origem em Deus, como se pode, em nome dela, amputar um órgão por Ele criado, desde que este órgão não esteja danificado ou deformado? Deus não cria os órgãos do corpo a esmo, sem uma planificação. 
Não é possível que Ele tenha criado o clitóris no corpo da mulher com a única finalidade de ser removido em um estágio inicial de sua vida. (...) Se Deus criou o clitóris, como um órgão de sensibilidade sexual, cuja única função parece ser a obtenção de prazer, conclui-se que também Ele considera esse prazer normal e legítimo, fazendo, portanto, parte da saúde mental. 
A saúde física e mental da mulher não estará completa sem que ela experimente plena satisfação sexual.”

A MGF tem três vertentes:
1 - Cliteridectomia: remoção do prepúcio, a pele sobre o clitóris. É considerada a forma mais “suave” de circuncisão.
2 - Excisão: remoção total do clitóris e do lábio menor, mas sem fechamento da vulva.
3 - Infibulação: remoção do clitóris, do lábio menor e partes do lábio maior; as laterais são costuradas, mas é deixado um pequeno orifício para a passagem de urina e fluxo menstrual.
Qualquer que seja a forma escolhida, essa operação traz sérias consequências para a saúde da criança, tanto física como psicológica, pois na maioria das vezes, é feita por pessoas da comunidade sem conhecimentos de medicina, com precárias condições de higiene. 
Há casos em que a criança chega a morrer no mesmo dia ou dias após a operação devido às infecções. 
Segundo a O.M.S. (Organização Mundial de Saúde), existem no mundo cerca de 140 milhões de meninas e mulheres que tiveram os genitais mutilados. 
Para coibir essa prática, a O.M.S. realiza uma campanha contra a mutilação genital feminina, por ser nociva à saúde da mulher e uma violação aos direitos humanos. 

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