Jornal da Educação - ISSN 2237-2164

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Os rituais sagrados (JE302)

“Se não fossem culturalmente aceitos, a maior parte de nossas crenças e ritos religiosos seriam considerados distúrbios mentais” (John F. Schumaker)

  
Assim que nossos ancestrais começaram a formar opiniões sobre o mundo sobrenatural, eles criaram a religião.  Na sequência, elaboraram uma série de cerimônias e ritos mágicos cujos objetivos principais eram formar um canal direto com o mundo dos espíritos, bem como atrair a simpatia e afastar a ira de entidades espirituais, que com o tempo seriam identificadas como deuses ou divindades. Todas as cerimônias religiosas listadas abaixo permanecem até hoje, modificadas ou adaptadas aos novos tempos.
Sepultamentos. Talvez o primeiro ato religioso foi o de enterrar os mortos. Sepulturas dos neandertais, de 50 mil anos atrás, revelaram que eles tinham o cuidado de cobrir o corpo do defunto com pétalas de flores, bem como colocar ao seu lado armas e alimentos que iria precisar na passagem para a outra vida. Eis aí a primeira evidência de que eles já pensavam em uma vida após a morte. Os estudiosos sugerem que foi por causa dos sonhos que nosso ancestral formou a ideia de que havia outra vida além dessa. No sonho eles eram visitados por um companheiro que havia morrido recentemente, e conversavam com eles! Logo, a vida continuava em algum outro lugar. 
Expiação dos pecados. Em certo período da Idade Média, o cristão podia se livrar dos pecados pagando indulgências ao papa, que podiam ser em forma de dinheiro, galinhas e cabritos. O Kaparot é um ritual judaico que consiste em transferir os pecados do devoto a uma galinha. O penitente diz, muito sério, enquanto gira o galináceo sobre a própria cabeça: “Em vez de que eu seja castigado e destruído neste mundo, deixe que seja esta galinha”. 
Sucção de sangue do pênis de bebês. Os hassídicos, judeus ultraortodoxos, sugam o sangue do pênis de bebês no ato da circuncisão, uma cerimônia que eles juram ser por ordem de Deus.
Viúvas suicidas. Em algumas culturas antigas a mulher era enterrada ou queimada viva junto ao marido falecido. Porém, nem sempre era um ato voluntário. Para que ela não herdasse os bens do marido, a família dele a obrigava cometer suicídio. No hinduísmo esse ritual é chamado de “sati”. Na Índia, algumas viúvas ainda seguem o costume.
Autoflagelação. Na República das Filipinas, para celebrar a sexta-feira da Paixão, muitos devotos permanecem durante horas crucificados, enquanto outros se flagelam com bambus e chicotes. Dentro da Opus Dei, instituição ultraconservadora da Igreja católica, muitos de seus integrantes aplicam chicotadas nas próprias costas pelo menos uma vez por semana. Outra modalidade disciplinadora é o uso do cilício, uma espécie de cinto com pontas de ferro, cuja dor infligida sobre a pele serve para bloquear os desejos sexuais. 
O livro “Por que um santo?”, escrito pelo monsenhor Slawomir Oder, revela que o papa João Paulo II fazia uso regular do cilício para imitar o sofrimento de Cristo. Humano que era, também devia ter suas tentações. Xiitas (uma vertente do islamismo) se autoflagelam com facas na celebração da Ashura.
A nudez dos monges digambara. Os jainistas veem na nudez uma virtude. Só reprovam o nu exibicionista. Digambara significa “vestido de espaço”, e a intenção de andar sem roupa é mostrar à sociedade que o desapego é o caminho para atingirmos a verdadeira paz espiritual. Há outros costumes que ainda hoje são observados em nome da fé, mas que seriam casos de polícia ou tratamento psiquiátrico se não tivessem a chancela da religião. 

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