Jornal da Educação - ISSN 2237-2164

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Buda e Jesus, professores da Felicidade

Sidarta Gautama, o Buda – que significa o desperto ou iluminado - nasceu em berço de ouro no norte da Índia, mas de acordo com as Escrituras, teve uma vida infeliz enquanto morou no palácio, em meio ao luxo e mordomias.

 

Um dia escapou da vigilância da guarda real e se deparou com a triste realidade: viu uma pessoa doente, um idoso à beira da morte e um cadáver. E logo depois, um mendigo que mesmo sem nada possuir, dizia-se o homem mais feliz do mundo.

Decidiu fugir do palácio e, por longos anos viveu na mais absoluta pobreza. Aos 36 anos, meditava sob uma árvore, quando compreendeu as “Quatro Nobres Verdades: 1- Viver é sofrer. 2- O desejo gera sofrimento. 3- Elimina o desejo e cessa o sofrimento. 4-

Para viver bem tenha opinião, intenção, palavra, ação, ocupação, esforço, senso e concentração corretas.
Em seu livro “O Tao da Física”, Fritjof Capra, físico austríaco, fala que o budismo tem características eminentemente psicológicas. “Buda não estava interessado em satisfazer a curiosidade humana acerca da origem do mundo...Ele estava preocupado exclusivamente com a situação humana, com o sofrimento e frustrações dos seres humanos. Sua doutrina, portanto, não era metafísica; era uma psicoterapia.

Buda indicava a origem das frustrações humanas e a forma de superá-las”.

Críticas: a “lei do karma”, que segundo a doutrina budista, as pessoas que nascem pobres ou doentes estão pagando por suas más ações em uma vida anterior é vista como cruel por muitos comentaristas e está ligada à mentalidade supersticiosa da época. Hoje a ciência esclarece que uma criança pode vir ao mundo com alguma doença devido a vários fatores: genéticos, acidente sofrido pela mãe durante a gestação, etc. E as causas da pobreza são as leis injustas, a corrupção, a discriminação social, e por aí vai. Em uma palavra, as causas da pobreza e doença estão nesse mundo e não em outro.

Alguns argumentam que sua doutrina é egoísta: se interessa muito mais em conter o pesado fardo das constantes reencarnações para chegar ao Nirvana do que com os outros. No entanto, seus ensinamentos sobre o controle mental para a conquista da paz interior têm ajudado milhões de pessoas. Só por isso o Senhor Buda já merece toda nossa gratidão e respeito.

Jesus apareceu seis séculos depois de Buda, e seus ensinamentos são muito semelhantes aos do Mestre indiano. Também falou sobre a importância de uma vida virtuosa para ser feliz. Teve coragem para corrigir a antiga lei taliônica, que pregava a vingança. O Mestre da

Galileia, ardoroso defensor da paz, pediu que se alguém batesse em sua face, que oferecesse a outra também. Ele insistiu no perdão, e quando Pedro o indagou sobre quantas vezes deveria perdoar alguém, respondeu: “Até setenta vezes sete.” Era um liberal: permitia mulheres como discípulas, perdoava as adúlteras, andava com bêbados, prostitutas, e realizava curas no sábado, para escândalo dos judeus. Confortava os sofredores com a promessa de que toda a dor e miséria acabariam quando eles chegassem ao Paraíso.

Mesmo assim, Jesus não conseguiu unanimidade. Para muitos pensadores, ele pregou uma doutrina separatista, cujas benesses são exclusivas de cristãos. Em Marcos 16, 15, diz que quem não for batizado e não acreditar nele será condenado ao inferno. E em João 15, 6, avisa que quem não ficar ao seu lado, será jogado fora como um ramo e secará. E depois jogado no fogo e queimado, numa alusão ao inferno.

A mensagem era: acredite sem questionar ou arderá para sempre no inferno. Os críticos questionam: isso são Boas Novas ou o decreto de um tirano?

O fato é que Buda e Jesus viveram em outras sociedades, cuja realidade era muito diferentes da nossa. E isso tem que ser levado em conta. Deixando de lado a parte “estranha” de seus discursos, parece lícito afirmar que eles deixaram ensinamentos preciosos para aqueles que buscam conforto para seus males e uma vida mais feliz.

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