Jornal da Educação - ISSN 2237-2164

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Religião e Espiritualidade

A maioria das pessoas não vive sem religião, e a considera a maneira mais eficiente de ter uma vida boa. Por outro lado, tem crescido nas últimas décadas, o número de pessoas que acreditam que a religião é um grande mal para a humanidade, de forma que gostariam que ela fosse extinta o mais rápido possível.

Quem tem razão? É claro que cada parte vai dizer que a verdade está com ela. Afinal, a religião é boa ou má? As duas coisas. Depende da direção que ela escolhe. Se ela segue o caminho da Espiritualidade, costuma trazer paz, sossego ao coração, e alimento para a alma; se adentra nos campos da ciência, da moral e da política, torna-se um desastre, provocando injustiças, desordem, desunião, dor e sofrimento a inocentes.

O que temos visto é que tem muita religião no mundo e pouca Espiritualidade, por isso há tantas pessoas desiludidas com a religião. Muitas continuam a acreditar em Deus, mas se desapegaram da religião e foram buscar o “sagrado” com seus próprios recursos, sem intermediários. E viram que era melhor assim.

É interessante nos fixarmos um pouco mais na palavra “Espiritualidade” (que segundo o dicionário Aurélio é a “Doutrina acerca do progresso metódico na vida espiritual”), porque é o que tem faltado na maioria das pessoas religiosas no mundo. E não é de hoje. Há dois mil anos, Jesus já denunciava os judeus que gostavam de alardear que eram bons crentes, mas no dia a dia, eram verdadeiros algozes para seus familiares e vizinhos. Jesus viu tudo isso e denunciou:

 “Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas! Sois semelhantes aos sepulcros caiados: por fora parecem formosos, mas por dentro estão cheios de ossos, de cadáveres e de toda espécie de podridão.”

Quantos hoje em dia se dizem religiosos, observadores dos mandamentos, mas são um tormento na vida dos outros? Quantos vivem uma religião vazia, como um poço seco, ou um deserto árido, sem nenhuma gota de espiritualidade que faça brotar do solo rachado alguma coisa boa? Existem grandes diferenças entre a religião com espiritualidade e a religião sem espiritualidade.

A religião com Espiritualidade tende a fazer as pessoas felizes; torna-as tolerantes, empáticas, desperta compaixão e o desejo de ajudar os que sofrem; consola a família quando perde um ente querido, pois sabe que um dia se reencontrarão no paraíso; dá esperança de cura aos enfermos; motiva os tristes a não desistir de lutar por um futuro melhor; transforma homens brutos em melhores maridos e pais mais carinhosos, e mulheres sem vontade de viver em mães e filhas mais amáveis; afasta os jovens das drogas, dos crimes, e os ensina a serem respeitosos com os outros; reconcilia famílias e amigos que andavam separados; traz paz de espírito aos estressados; controla a ansiedade, repercutindo no corpo físico e emocional.

Do lado oposto, a religião sem Espiritualidade dá mais valor ao crer do que ao ser, isto é, julga mais importante obedecer às autoridades, acreditar em seus dogmas, seguir os rituais e pagar os tributos, do que o caráter da pessoa e de como ela atua no mundo; cria ódio e intolerância na sociedade; provoca medo e terror; ela cega e transforma os devotos em robôs programados a executar o que lhes é ordenado com resignação e sem questionar; endurece os corações, e retira qualquer vestígio de lucidez, compaixão e bom senso; ela é quem faz um pai ou uma mãe mutilar sexualmente suas filhas, sem que isso provoque nenhum mal estar, arrependimento ou sentimento de culpa neles;

A religião sem Espiritualidade aconselha os crentes terminarem amizades por causa da orientação sexual do outro; ordena aos devotos para que virem as costas para todos aqueles que não pensam como eles; motiva pais casarem suas filhas de oito anos com homens barbados; é a causa da separação em castas na Índia, com quase 200 milhões de dalits deslocados à margem da sociedade; manda tirar meninas da escola porque acha que a educação e o conhecimento não são importantes para elas; proíbe a mulher de ter os mesmos direitos que o homem, transforma-a num ser invisível sob uma capa; enobrece a ignorância, os assassinatos, o terror, a selvageria, a discórdia e as guerras.

Existem muitos religiosos fazendo o bem, mas infelizmente grande parte daqueles que se dizem religiosos está mais preocupada com as coisas da terra, do que em ter uma vida mais espiritual e elevada, de forma que, por mais que busquem a paz interior, não a encontram, pois falta-lhes o essencial: a Espiritualidade.

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