Jornal da Educação - ISSN 2237-2164

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A ORIGEM DA CRENÇA

Imagine que entramos numa máquina do tempo e voltamos para a época em que os primeiros bandos de homo sapiens começavam a se deslocar em solo africano. Observe que um desses nossos ancestrais, após um dia caçando búfalos e tigres, resolve descansar debaixo de uma árvore.

Seus olhos curiosos esquadrinham tudo a sua volta. Ele quer entender os fenômenos que acontecem diariamente na Natureza.

Imagina que existem seres invisíveis morando nas nuvens, nas montanhas, dentro de árvores e pedras, e que são eles os responsáveis pelas chuvas, raios, trovões, etc.
Subitamente, esse nosso amigo acredita estar ouvindo as vozes dessas entidades. Ele não vê a hora de contar a novidade para seus irmãos. Ao encontrá-los, tenta convencê-los de que consegue falar com as entidades que regem o mundo, sabe o que elas desejam, o que gostam ou odeiam.

Alguns do bando parecem duvidar de suas conversas com os “grandes espíritos”, mas aos poucos ele conseguirá persuadir a maioria, de modo que em poucos dias, será nomeado líder do bando.

Senhoras e senhores, acabamos de conhecer o primeiro sacerdote da terra, o primeiro homem que ouve e fala com entidades sobrenaturais. A pergunta: o que o fez acreditar em seus poderes místicos? Seria ele um esquizofrênico? Teria ele ingerido alguma planta alucinógena?

Crentes que afirmam poder ver e falar com Deus, exceto aqueles que mentem para adquirir vantagens, geralmente têm alguma doença psíquica ou estão sob efeito de drogas. Mas pode haver outra explicação: a fé. Existem pessoas sadias, cultas, que acreditam em suas teofanias, e juram que a experiência foi real.

A ciência ainda debate o que pode ter levado o ser humano a acreditar em Deus, mas muitos estudiosos acreditam que o medo do desconhecido e a necessidade de dar uma explicação para os mistérios da vida, fez surgir na mente humana primitiva a crença de que espíritos invisíveis regiam todo o universo.

O biólogo evolucionário, Dr. David S. Wilson, diz que “a religião representa uma espécie de mega-adaptação: um traço que veio a predominar por garantir vantagens àqueles que o possuem”.

Na teoria dele, os bandos que fossem unidos pela crença em um deus, eram mais coesos e por isso, tinham vantagens na luta pela sobrevivência contra grupos rivais que não tinham seus deuses. Assim, aqueles grupos de crentes tornavam-se mais fortes e populosos, enquanto os ateus iam desaparecendo.

Por isso, ao longo da história humana, o número de religiosos sempre foi maior que dos incréus. Desde o século 19, filósofos e estudiosos têm afirmado que com o avanço da ciência e dos saberes humanos, a crença religiosa irá se extinguir.

No entanto, ela continua firme e forte na maioria, mesmo entre os cultos. E isso pode ser um dos grandes mistérios da fé.

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