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Histórias da Educação

Escolas alternativas (Junho/2011)

 
Neste mês de junho discuti com  minhas alunas e meus alunos da terceira fase do Curso de Pedagogia da UDESC de Florianópolis as escolas alternativas, que emergiram a partir da década de 1960. 
Gostaria, neste mês de dividir algumas das reflexões trabalhadas em sala de aula com os leitores do jornal.
Um caminho para compreender as escolas alternativas que brotaram nos anos rebeldes, é a leitura do livro “República de Crianças”, de Helena Singer. 


A leitura é instigante pelo menos por dois motivos. Por um lado, constrói uma tradição da pedagogia não diretiva no mundo ocidental, que iniciou com a Escola Yásnaia-Poliana, dirigida por Leon Tolstoi, em meados do século XIX, mas tem como referência fundadora a Summerhil School, fundada em 1921 e animada por quase meio século por Alexander Neill. 
De outra parte, “República das Crianças” conecta muito bem a “revolução comportamental”, que foi multifacetada e teve o seu auge no Maio de 68, com a onda de escolas alternativas, que colocou a Summerhill na vitrine. E destaca como a experiência escolar alternativa na Sudbury Valley School, criada no emblemático ano de 1968, por um professor da Universidade de Columbia (EUA).
Uma obra que analisa bem as escolas que romperam a cultura escolar “tradicional” no Brasil é “Escola Alternativa: pedagogia da participação”, de Mara Lúcia Bastiani.
Nele a autora também analisa o movimento contracultural colocado em marcha pelos jovens nos anos 60 a 70 do século XX, que, no Brasil da ditadura militar, manifestou-se sobretudo pela Tropicália.
Bastiani aborda as escolas alternativas no Brasil, mas coloca o foco na experiência educativa da Escola Saparicuá, localizada em Florianópolis e dirigida pela Associação Cultural Sol Nascente.
Além das discussões desses textos, minhas alunas e alunos tiveram a oportunidade de acompanhar a palestra “Escola Praia do Riso: uma experiência de educação como prática da liberdade”, ministrada pela coordenadora pedagógica dessa escola – a professora Kátia Bittencourt Borges.
A Escola Praia do Riso, localizada no bairro de Coqueiros da capital catarinense, construiu uma prática educativa democrática –  inspirada na Summerhill e fundamentada especialmente nas pedagogias de Célestin Freinet e de Paulo Freire –, que tem um espaço não-escolar, trabalha com projetos e dá foco nas atividades coletivas dentro e fora da sala de aula.
A professora Kátia sublinha que a Escola Praia do Riso foi instituída como um movimento de resistência à ditadura militar e, por isso, dá muito destaque à questão da cidadania.
O conhecimento das escolas alternativas contribui para vislumbrar um modo diferente de fazer educação, mas também para problematizar a escolarização “tradicional”. Pelo fato de ser radicalmente diferente, a vida (escolar) alternativa provoca reflexões.