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Histórias da Educação

DUALISMO HISTÓRICO NA FORMAÇÃO DE PROFESSORES (JE275)

Há um consenso para superar a atual crise dos anos iniciais do Ensino Fundamental no Brasil, qual seja: o aprimoramento do trabalho dos professores. Para tanto, creio que são necessárias três medidas: dar consistência à formação dos estudantes de Pedagogia, tornar a carreira dos professores economicamente atrativa e concretizar o trabalho docente coletivo.
Em relação à primeira medida, a responsabilidade é, efetivamente, dos cursos de Pedagogia que pululam no Brasil tanto no formato presencial como na modalidade a distância. 
As Diretrizes Curriculares Nacionais em vigor dão foco à formação dos pedagogos na medida em que colocam em relevo a formação profissional para atuação na educação infantil e nos anos iniciais do Ensino Fundamental. 
O desafio é colocar em prática, no cotidiano dos cursos de Pedagogia, as prescrições curriculares a partir de um trabalho docente coletivo, articulado e consistente. 
Um olhar histórico ajuda a perceber como a formação de professores no Brasil é marcada pelo descompasso entre os professores da área urbana e do meio rural. 
No início do regime republicano, as escolas normais preparavam professores especialmente para os grupos escolares, as “típicas escolas urbanas”; e, grosso modo, as escolas complementares formavam docentes para as escolas isoladas e reunidas, localizadas nas periferias das cidades e, sobretudo, no meio rural. 
A instituição da Lei Orgânica do Ensino Normal, em 2 de janeiro de 1946, criou dois ciclos para a formação de professores: o curso normal regional, de quatro anos, e as escolas normais, com duração de três anos.
É sobre esse dualismo na formação docente dos anos 40 e 50, do século XX, que se debruça a dissertação de mestrado “Modernizar o arcaico: discursos sobre a formação de professores para o meio rural (Santa Catarina, 1942-1959)”, de Elaine Aparecida Teixeira Pereira – orientada pela professora Maria das Dores Daros e defendida neste mês no PPGE da UFSC. 
Esse trabalho mostra, por exemplo, que, em 1951, no Estado de Santa Catarina, havia 38 cursos normais regionais e somente  12 escolas normais. Os primeiros, localizados sobremaneira no meio rural, ofereciam formação pedagógica frágil e aligeirada aos futuros professores das escolas primárias.
A leitura da dissertação de Elaine é muito estimulante para perceber as permanências da precariedade dos cursos de formação docente no Brasil – particularmente no meio rural.