Jornal da Educação - ISSN 2237-2164

Psicologia e Educação

O Brasil cresce somente com progresso nas escolas (Dezembro/2010)

Acabou de sair o resultado do teste PISA. É um teste internacional que mede o desempenho dos alunos em português, matemática e ciências. Melhoramos em matemática, melhoramos a colocação geral, somos um dos países que mais avançou na pontuação geral nos últimos anos. 
Isso quer dizer que estamos bem? Não, quer dizer apenas que estamos melhores colocados que apenas 11 países. Há poucos anos atrás, éramos melhores que apenas três países neste ranking do nível educacional. Melhorou, mas não passamos do 53º lugar.

O que falta para um país tão grandioso, cheio de riquezas naturais e um povo tão trabalhador, ser uma das nações mais desenvolvidas? Falta qualidade nas escolas. Falta melhorar a estrutura profissional e a capacitação dos professores.
Faltam estradas, portos, ferrovias, para escoar a produção; falta energia elétrica para termos mais empresas e mais maquinário.Ou o Brasil investe nesta área ou começa a encolher e perder o desenvolvimento já adquirido. 
Mas para isto precisa de escola moderna. Para existir tal crescimento, o material humano precisa de qualificação educacional.
Moro numa cidade que dispõe de centenas de vagas que hoje estão abertas porque as pessoas não têm a qualificação necessária para assumir estes postos de trabalho e fazer a empresa produzir. É triste. 
Há poucos anos, ninguém queria estudar por aqui. Os jovens fugiam da escola e queriam ir para as empresas, que aceitavam mão de obra barata e sem estudo.
Com o desenvolvimento tecnológico, a falta de escolaridade impede que meios mais produtivos sejam usados pelas empresas que, desesperadas, veem avançar a concorrência das empresas des cidades onde se valorizou o estudo.
Tais empresas perdem campo para países onde a tradição de alta escolaridade faz das empresas tubarões que devoram a concorrência de indústrias dos países que pouco ou nada investem em qualificação.
Não sou economista, mas é fundamental ver a educação associada às outras áreas para entender o nosso tempo, o nosso mundo. 
Aqui entra o que realmente preocupa: como desenvolver este país com o baixo nível de formação dos nossos professores?
Nossos jovens não querem ser professores. Querem profissões mais ligadas ao progresso, tecnologia e principalmente ao status ($$). Os poucos que se aventuram nesta área maravilhosa são aqueles que carecem de maior estrutura educacional, pois estudaram em escolas ruins e, pelas últimas pesquisas, são os que pior desempenho escolar tiveram. Ou seja, quem não foi bom aluno, quer ser professor. 
Some a esta situação o fato de que nossos cursos superiores para a formação de professores (as licenciaturas) são ruins. Ensinam teorias pedagógicas antigas e complexas, mas não ensinam como trabalhar este ou aquele conteúdo em sala de aula.
Ao chegarem nas escolas, nossos estagiários sentem o baque. Tenho acompanhado alguns e a situação precária de seu preparo beira do desespero. Serão profissionais mambembes, aprendendo (mal) na prática o que os quatro anos perdidos na universidade deixaram para trás.
Aprendem a ser professores viciados nas práticas pedagógicas ineficientes dos mais velhos.
Visite uma escola, leitor, e compare com seu tempo: pouco mudou em 20, 30 anos. Pouco mudou em mil anos, salvo um computador perdido, aqui ou acolá. 
Para melhorarmos no PISA, para vermos o país progredir de fato, precisamos ver as universidades se esmerando em melhorar os conteúdos ensinados aos jovens.
O governo tem de investir em treinamento aos professores e modernizar as práticas pedagógicas.
É o professor que faz o aluno se interessar pelas aulas.
É o professor que mostra um universo a ser explorado no crescimento pessoal do jovem.
É o professor quem faz a estrada, o porto e a linha de energia. É a mão do professor que coloca o profissional de qualidade no emprego. 
Por isso, mais que todos, o professor que deve se qualificar. Exigir de si mesmo e do seu empregador uma formação sólida em sintonia com o progresso que nossa época exige.

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