Jornal da Educação - ISSN 2237-2164

Psicologia e Educação

Adolescentes Suicidas – Perdidos no Quarto (JE302)

O mundo está regredindo a estados sociais anteriores à Era da Internet. Aliás, devido à popularização da rede mundial de computadores é que percebemos este “avanço do retrocesso”. Estamos mais intolerantes, preconceituosos, mais cheios de ódio e de diferenças do que de semelhanças.

Quando o mundo caminhava para uma forma mais tranqüila de conviver, o anonimato dos ignorantes e suas pressões internas se associou com a terra de ninguém, ou melhor, o cyberespaço de todos, os que vomitam preconceito pelos dedos e aqueles que entram na briga para defender direitos de minorias, que jamais precisariam passar por humilhações e exclusões em 2017.

E a escola? Em brancas nuvens, tentando ligar o computador. Enquanto isso, as criaturas geradas do preconceito, agora deputados eleitos, querem amordaçar as escolas tentando proibir, do alto de seus dogmas hipócritas, o debate da política, sexualidade e dogmas religiosos excludentes.

Se a escola não mais ensina a pensar, se ensina conteúdo morto meramente preparando para o ENEM, reduz-se o papel da escola e sua verdadeira função.

Enquanto isso, nas famílias, os eletrônicos tomam a vez dos pais para ensinar a verdade do momento, seja por um imbecil da moda, no youtube, ou em alguma rede social e suas comunidades, com seus filhos delirando de informação vazia e nociva cobram o preço.

As famílias não educam, não limitam, acham que é a escola quem deve dar limites e modos a seus filhos. E esta falta de limite e a forma vazia de lidar com seus filhos também cobrarão o preço do descaso.

Os pais não se dão conta da imensidão de coisas ruins que seus filhos garimpam na internet, até porque os próprios pais foram engolidos pela alienação, e hoje, grudados em redes sociais, mal conseguem diferenciar verdade ou boato.

E os filhos, em silêncio, dentro de casa, aparentemente seguros mas, na verdade, estão perdidos no mundo virtual: corpos tão perto e mentes tão longe...

A escola correu dos debates, de palestras e de temas polêmicos. Talvez porque a maioria dos educadores não esteja realmente preparada para as atualizações que a pluralidade contemporânea esteja trazendo. Ou seja: Regredimos neste contexto também!

Muito além do “Desafio da Baleia Azul” está a enorme distância dos pais em relação aos seus filhos adolescentes.

Pais que não sabem NADA da vida cotidiana dos filhos: contatos, amizades, interesses, o que ouvem, o que assistem, o que pensam... Os tipos de jogos on line e com quem jogam. Pergunte aos pais dos amigos e ouça a resposta.

A música K-Pop sul-coreana, com letras depressivas e ritmo animado, febre na turma de 11 a 15 anos. Qual pai sabe o que tem por trás? Pode não ter nada, mas pode ser grave a consequência, se alguma ideologia ou mensagem estiver vindo na carona de ritmo, cores e enredos. Os mangás, animes e sua temática sombria e introspectiva, quando não depressiva, quem dos pais e quem dos educadores analisam?.

Quem dos adultos vê? Quem percebe ou pensa sobre?

Um fato: o filho ter pleno acesso à informação de tudo, o tempo todo, sempre on line. Ter acesso à informação e não filtrá-la é tão nocivo quanto não ter.

Pergunte aos pais o que os filhos jogam, on line, e questione como é o jogo: 99,9% não sabe. O que diz a série que veem? Não sabem.

A maioria das famílias nada mais sabe sobre as relações e pensamentos que seus líderes familiares criaram. Líderes familiares? Sim, os líderes das famílias, os adolescentes.

Pais são, hoje em dia, apenas financiadores de mimos e bugigangas, despertadores dos horários, são agendas ambulantes de compromissos, motoristas de leva e traz, lavadores e arrumadores dos marmanjos. Tudo de mais caro e moderno é pra filho adolescente. Eis os líderes familiares atuais.

A Europa do Norte (Suécia, Dinamarca e Noruega...) passou por isto há 20 - 25 anos... Recorde de suicídios também. De filhos nas drogas, de desinteresse por profissões, cursos e compromissos quando os filhos mimados e desamparados se tornaram adultos.

Precisou haver uma parada geral para retomar valores e repensar a permissividade que contaminou sociedade, família e economia. Onde a mudança nestes países iniciou?

NA ESCOLA. DAS CRIANÇAS AOS JOVENS. Junto com os pais a refletir novas visões de mundo, afeto, limites, famílias, compromisso e responsabilidade consigo e com o mundo.

Não há outro caminho para trilharmos se pensamos em evitar um mundo sem norte.

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