Jornal da Educação - ISSN 2237-2164

Psicologia e Educação

Novas formas de ensinar... E de aprender

A aprendizagem está em baixa, ao menos da forma como concebemos a aprendizagem formal, atualmente. Isso porque, em plena Era da Informação, não conseguimos transformar o que chega às nossas cabeças em conhecimento útil. E a escola precisa se ater a esta questão: bombardeamos os alunos com inúmeros dados sobre tudo, assim como as pessoas em geral; Mas o conhecimento útil, e o principal, a utilização cotidiana dos saberes está em desuso.

O saber filosófico é um caminho epistemológico para novos saberes, mas além desta forma de conhecimento, precisamos de uso prático e bem explícito de aplicações e noções reais daquilo que aprendemos. Ou nossos alunos perderão a cada dia o interesse nas aulas, na escola e no seu papel transformador

Não podemos também ser mensageiros do Apocalipse, achar que o acesso aos meios eletrônicos de comunicação e informação e o excesso de uso de celulares e tablets veio para prejudicar. Nem que esses meios de nos informar sejam os responsáveis pelos problemas de aprendizagem. Afinal, tudo que usamos em excesso nos faz mal, e ser comedido e moderado não é, exatamente, uma característica das pessoas de nossos tempos.

Vejo como necessário um movimento de resgate do desejo de aprender. E isso passa pela reformulação da forma de se trabalhar em sala os conteúdos formais e tradicionais que permeiam a Educação contemporânea. Claro que os conteúdos também precisam ser revistos. Há muito que se excluir de saberes inúteis e específicos em diversas disciplinas. Mas qualquer assunto pode ser bem ensinado e se tornar mais atrativo.

Muitos saudosistas acreditam que se precise ensinar aos jovens que nem tudo que é útil tenha de ser divertido e atrativo, como que se para ensinar uma equação, tenha de ter um palhaço em cada lado da carteira. O fato é que aprendemos a tolerar, esperar, a conter nossas vontades, mas tornamos nossos filhos imediatistas, hedonistas e não é a escola que deve – e nem vai – corrigir esta falha de criação.

Afinal, podem até se conter e esperar, mas acharão a escola e tudo o que vem dela como uma chatice imensa. E como os adolescentes são impulsivos e pouco reflexivos, não encontrarão a relação entre a utilidade das coisas chatas e a aprendizagem; entre a aprendizagem e o sucesso na vida, entre o sucesso vindo da abnegação.

Isso significa que sim, se nossos alunos estão achando tudo muito chato, se não sabem se disciplinar sem atrativos, a escola não terá tempo de torná-los disciplinados sem perder muito de seu interesse.

O ideal é que a escola traga para si a discussão de técnicas e manejos didáticos que façam pensar, que façam sentido na vida dos estudantes e que estes passem a problematizar e refletir, a construírem o conhecimento e, através deles, construírem soluções e definições, manter o interesse na escola e na vida, a tal “compreensão de mundo”.

Obviamente, um modelo de escola que se baseia em ensinar a responder questões do ENEM, como se aprender fosse responder provas, engessa o ensino de tal modo que tira o gosto de estudar, de ler, de buscar conhecimento. Os jovens estão de mimimi? Podem até estar, mas tente você, leitor, ler um assunto que não tenha o mínimo interesse e nenhuma identificação. Não dá, é enfadonho e tudo ao redor chama a atenção.

O uso de recursos eletrônicos, de vídeos, de quizz (você conhece o Kahoot?), de programas e aplicativos muda a forma de se perceber um tema. Mas não se pode ser escravo de recursos eletrônicos, eles são complementos, e não base para um ensino de sucesso. Para uma aprendizagem efetiva, é necessário aulas de campo, aulas com contextos interdisciplinares, onde um mesmo tema é debatido, trabalhado e demonstrado em conjunto por mais de uma disciplina.

Não cabe mais, para o sucesso no ensino e efetividade na aprendizagem, a velha aula de saliva e quadro, de explicações baseadas em falas que ultrapassem os 3 a 4 minutos sem recursos audiovisuais, sem sair do mesmo ponto. Faz-se necessário falar, mostrar foto ou vídeo, resumir, falar, mostrar outra foto e vídeo, colocar voz, mostrar aplicação e por aí vai.

Ou dinamiza, ou fica desinteressante e sem a devida atenção. É provado: ao passar deste tempo, sem recursos e técnicas diferentes, os espectadores buscam outros atrativos para onde fixarão sua atenção. Culpa de quem? De ninguém.

Característica de um tempo onde permitimos a superexposição a tudo que é dinâmico, rápido e cheio de estímulos. É uma tendência mundial. Mas a transformação de informação em conhecimento e deste em domínio do tema é a forma eficaz de conseguir progresso e cidadania, através da Educação.

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