Jornal da Educação - ISSN 2237-2164

Psicologia e Educação

Falando de Dislexia

A dislexia é um transtorno que afeta a aprendizagem da leitura e da escrita. A pessoa disléxica tem problemas para nominar as letras e até associá-las a sons.

Na verdade, a criança tem dificuldade em todas as atividades que estão relacionadas com símbolos e sinais gráficos e, sabe-se, hoje em dia, que não se limita à leitura e escrita, mas também a compreensão dos sons das palavras, à orientação espacial, à lateralidade e é vista como atrapalhada pelos colegas, muitas vezes, sendo rejeitada para brincadeiras.

Também é comum entre os sintomas o atraso na fala e diminuição da capacidade de concentração. Justamente por isso, não consegue ter o mesmo desempenho escolar que os demais.

Na ampla maioria dos casos, a dislexia é detectada ainda no período de alfabetização. Na verdade, antes - no período de letramento - na educação infantil, na confusão de formas e de nominações de cores e objetos, muitas vezes de base semelhante, porque as áreas cerebrais de orientação espacial, de decodificação verbal e da memória visual e auditiva atuam de forma disfuncional.

Trata-se de um transtorno genético e hereditário que deve ser pesquisado entrevistando os pais para se identificar mais disléxicos na família. Se torna comum, frente às queixas de dificuldade na leitura e na escrita, que os responsáveis pela criança disléxica afirmem que tios, avós e pais também tenham passado por muitas dificuldades, reprovações e abandonos na escola e que nunca aprenderam a ler ou o fazem com dificuldades, ou seja, eram provavelmente disléxicos, mas nunca foram diagnosticados.

A dislexia tem origem neurobiológica, ou seja, não depende da qualidade do ensino na alfabetização. Mas é claro que, com uma boa qualidade pedagógica e estímulos cognitivos que professores e educadores da sala de Atenção Educacional Especializada (AEE) a dificuldade pode ser reduzida e amenizada, embora somente com trabalho profissional de psicopedagogos, psicólogos e fonoaudiólogos é que se atinge sucesso no tratamento.

A dislexia, quando não tratada, causa atraso e evasão escolar - dificuldades profissionais que perduram durante toda a vida da pessoa.

Muitos especialistas concordam em que o primeiro sinal do problema costuma ser a dificuldade na fala. Mas sempre é importante, antes da alfabetização, ficar de olho na organização espacial da criança, na frequência com que confunde instruções de regras e arrumações da casa. Mesmo que ainda não seja o momento de aprendizagem da escrita, caso a criança venha a ter atraso e dificuldades na alfabetização, saber destes sintomas é essencial para a confirmação precoce do diagnóstico.

A criança demora mais para começar a falar e desenvolve problemas na percepção fonética, ou seja, começa a pronunciar palavras erradas porque não consegue assimilar os sons básicos das sílabas e letras. Num quadro de dislexia é normal que a pessoa confunda a direita com a esquerda na organização espacial, o que a leva a escrever de forma invertida (tatu por “tuta”). Outro comportamento frequente é o uso trocado de letras com grafia similar (b por d, m por w, p por q).

Quem tem este transtorno habitualmente omite letras ou sílabas, além de necessitar acompanhar a linha com o dedo durante a leitura, como tentativa de não perder o fio da compreensão.

Os sintomas da dislexia podem variar segundo a intensidade do transtorno e a idade em que o quadro é diagnosticado. Os mais habituais são:
- dificuldade para soletrar; leitura silabada; a criança não entende o que ouve; problemas para associar os fonemas às letras e sílabas; inversão, diminuição ou acréscimo de letras às palavras; problemas com a coordenação motora; dificuldades para decorar a tabuada e conceitos matemáticos; a criança não gosta de ler, especialmente se é em voz alta; a escrita é lenta e desordenada; trocas como V por F, T por D, B por P; confusão na leitura de p, b, q, d, pois são o mesmo símbolo - apenas com a posição espacial trocada.

É importante entender que um sintoma isolado não é sinal de dislexia, mas sinais persistentes devem ser avaliados por um profissional especializado em dislexia. Há, junto com a dificuldade de decodificação e de orientação, a questão emocional do aluno que, por ter a inteligência normal, sente-se frustrado e diminuído por não corresponder com as expectativas de aprender como os colegas.

Este fator é, muitas vezes, outro impeditivo do interesse de ler, pois repetidos fracassos e chamadas de atenção fazem o aluno criar aversão a tudo o que for escrito, já que não se vê como capaz e frustra-se com maior facilidade.

É como se o leitor se deparasse com um idioma escrito em outro idioma que jamais aprendeu, mas lhe cobrassem que estivesse aprendido, de “tão fácil que é”. Imagine a angústia, já que os disléxicos tem inteligência normal. Aliás, se a criança tiver atraso cognitivo/deficiência intelectual, não pode ser diagnosticada como disléxica, já que o atraso da leitura, nesses casos, deve-se à deficiência no raciocínio.

O educador precisa compreender a dislexia (e outros transtornos) e se munir de estratégias para ajudar no processo de superação e incentivo ao aluno, entendendo que até a conduta em sala (desordeiro ou provocador) são consequência de sua frustração de não corresponder ao esperado.

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