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Psicologia e Educação

GESTÃO DE SALA DE AULA - Bases Pedagógicas para Aulas de Sucesso - Parte III

 

Olá leitores,
Neste mês continuaremos com a participação da Psicopedagoga e Orientadora Educacional Sandra Petry, dando dicas muito eficazes para a Gestão de Sala de Aula. Voltarei em Junho, com novos tópicos. Abraço, saudades. Gilmar

Tarefas para casa: Passe somente o necessário para que o aluno possa rever o que já foi ensinado. Deveres muito longos ou excesso de deveres desestimulam. As tarefas e a “obrigação” de cumprir livros e apostilas não podem ser um fardo e nossos alunos possuem outras atividades. Negocie as tarefas, trocando por uma atividade conjunta em sala! Experimente reduzir as quantidades no final de semana – as crianças precisam interagir com as famílias e não conseguem ficar atreladas aos cadernos muito tempo. Com menor quantidade e com maior significado, os alunos terão interesse em realizar o que precisam. Retomando: Ao fazer correção coletiva dos deveres, já está sendo feita também a recuperação paralela e sanando algumas dúvidas que ficaram referentes ao conteúdo. As correções podem ser feitas de diversas formas: alunos respondendo ao professor; um aluno pergunta e outro responde; alunos escrevem no quadro (a correção pode ser feita pelos próprios alunos com a intervenção do professor). O aluno pode sentir-se tímido no começo, mas logo que receber os primeiros elogios, será um dos primeiros a querer responder. Procure andar pela sala para localizar os problemas potenciais. Enquanto os alunos realizam a atividade, ao andar entre eles você verifica a aprendizagem e faz as intervenções necessárias e passa confiança ao aluno. Muitos não perguntam, não tiram as dúvidas por medo, vergonha... se o professor oferece ajuda, transmite confiança. Se perceber que há dispersão, uma simples caminhada na direção deste grupo os trará de volta à atividade.

Evitando confrontos: Nunca é uma boa ideia chamar a atenção ou dar um exemplo a um aluno, envergonhando-o na frente dos outros alunos. Se você está lidando com um mau comportamento, fale com o aluno no corredor ou depois da aula para resolver o problema, em vez de permitir um confronto em sala de aula. Se um aluno está se comportando mal em sala de aula, continue a sua lição, mas vá até o aluno e fique ao lado dele. Ter um professor tão perto normalmente “desliga” o mau comportamento de um aluno. Você também pode usar uma pergunta direta para trazê-lo de volta à lição: “Kelly, por que você acha que Hamlet é tão indeciso?” Certifique-se de iniciar a pergunta com nome do aluno para que todos ouçam a pergunta completa.

Na próxima situação, bastará um olhar direto e ele entenderá a sua mensagem. VOZ: Usar toda a capacidade de sua voz é algo que se treina e atrai o foco para o que você diz. Isso motiva mais ainda os alunos a ouvir. Procure variar o tom, o volume, a altura, a inflexão e o ritmo da fala para conferir-lhe interesse. Seja teatral, vez em sempre! Variando também sua posição, ande pela sala, fique em frente da turma, no meio do círculo... atitudes diferenciadas atraem a atenção.

O aluno copia o que o professor faz: a escrita no quadro é importante para a aprendizagem: utilizar correta pontuação, corrigir os erros ortográficos – os alunos prestam atenção e conseguem observar e corrigir seus erros com o tempo. Ex. Pergunta: você vai ao parque hoje? Resposta: não vo no cinema minha mãe mim convido. A escrita errada representa uma fala errada... o professor precisa estar atento.

Recursos: são ótimos aliados quando utilizados com a colaboração e participação dos alunos (como sugere a proposta sócio-interacionista). Poucos cartazes, mas funcionais, facilitam muito a rotina do professor e dos alunos. O aluno gosta do acesso a eles e de manuseá-los. Transmite confiança, envolvimento, mostra que ele é importante no desenvolvimento da aula. Ex. a) Ajudante do dia: no próprio cartaz pode ter um “envelope”, com os nomes de todas as crianças e, diariamente, eles mesmos procuram o nome do ajudante e o penduram no cartaz.
b) O mesmo se faz com o cartaz do tempo, os desenhos de sol, chuva, nublado podem ficar no “envelope” e ser colocados diariamente e, a cada mudança do tempo, o ajudante troca o desenho, estimulando a atenção dos alunos.
c) aniversariantes do mês: os alunos precisam e gostam de sentir-se valorizados e perceber que são importantes, que fazem parte de um grupo. O nome exposto durante todo o mês proporciona valorização individual e coletiva.

Leitura: Ao menos uma vez por semana pode-se proporcionar à turma uma aula especialmente para a leitura de algum livro do interesse dos alunos. Uma ida à biblioteca é uma boa opção. Se escolher ler os livros de sala, procurar um lugar agradável, até fora da sala de aula, relacionando a leitura com algo prazeroso e estimulam-se a ler. Outra boa opção é a professora ler para a turma, por capítulos: escolhe-se um bom livro e, no início da aula, cada dia é lido uma parte, procurando parar em um momento de suspense, despertando a curiosidade da sequência.
Algumas vezes, pedir aos alunos que inventem um final para a história e que leiam para a turma, fica muito divertido.

Faça contato com os pais cedo e frequentemente: Incentive a participação em reuniões de pais e mestres. Faça deles seus aliados. Demonstre que você quer trabalhar com os pais para instruir seus filhos a desenvolver o melhor de suas capacidades. Se você desenvolver um bom relacionamento com os pais, você conseguirá manter o diálogo e permitirá um fluxo mais livre de feedback - o que reforçará a confiança dos pais em seu trabalho.

Sandra Petry é Orientadora Educacional, Psicopedagoga; Especialista em Interdisciplinaridade. professora universitária. Atua em clínica, escolas e universidades, com palestras e aulas de pós-graduação.. É Mãe de 3 adolescentes, esposa deste colunista e curte pilotar motos e viajar pelas estradas do Nordeste.