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Estudantes do Ensino Integral paralisam pelo passe

Joinville - Cerca de 280 estudantes das sete turmas do primeiro ano do ensino médio integral, da EEM Governador Celso Ramos paralisaram as atividades, no dia 18 de abril, para reivindicar os passes de ônibus para frequentar as aulas. 
 
 
Alunos querem os passes e alimentação prometidos no ano passado antes de efetivarem a matrícula no ensino integral 
 


Os estudantes iniciaram a manifestação logo no início do dia, quando permaneceram em frente ao portão da escola portando cartazes e cantando refrão pedindo o passe. 
O movimento dos estudantes teve o apoio e aprovação dos pais, mas foi exclusivamente deles. Como a direção da escola informou que se entrassem na escola, não poderiam sair para fazer passeata no período vespertino, quando abrem a GERED e a SDR, os estudantes decidiram permanecer em frente à escola. 
Além de portar cartazes e faixas e de cantar refrão e slogans pedindo o cumprimento das promessas pelo governo, organizaram-se em turno para almoçar e permaneceram unidos enquanto se preparavam, para às 13 horas seguir em passeata até a GERED,   localizada a duas quadras da escola.
No início da tarde, um grupo de estudantes foi recebido pela gerente Heliete Steingräber Silva. 
No mesmo dia, após reunião com a SDR, a Gered anunciava que os passes seriam repassados aos  estudantes  no dia 23 de abril. No final da tarde do dia 20, sexta-feira, a escola foi chamada para buscar os passes de ônibus a serem entregues aos estudantes. 
 
Falta merenda
O projeto de ensino médio integral do governo federal, implementado  em convênio com o governo do estado, prevê não somente alimentação escolar para todos os estudantes que permanecem o dia todo na escola, mas também passe de ônibus para os alunos que residem mais de três quilômetros distantes. 
Na EEM Celso Ramos, localizada na região central da cidade, estudam alunos residentes nos bairros da zona sul e leste da cidade. Ali foram abertas sete turmas de primeiro ano integral e a escola já esgotou todas as possibilidades e recursos para oferecer a merenda escolar aos mais de 900 alunos dos turnos matutino, vespertino, noturno e integral, que também almoçam no estabelecimento. 
A opção tem sido servir merenda somente alguns dias na semana para os alunos dos turnos regulares e garantir o almoço dos estudantes do turno integral. 
Os alunos do turno noturno, todos trabalhadores, são os que menos recebem merenda. Comida salgada, geralmente é somente uma vez por semana. 
Já na EEM Nazib Zattar, localizada no Jardim Paraíso, a situação se repete. Ambas as escolas têm o sistema denominado auto-gestão da merenda e atendem somente aos estudantes do ensino médio. 
Segundo a diretora Dalva Moser, a escola tem a felicidade de ter “ótimas cozinheiras” que fazem comida de boa qualidade com os ingredientes aquiridos num supermercado, que serve também ao “Celso Ramos”, cujo valor semanal de crédito gira em torno de R$ 600 a R$ 800. 
Em ambos os estabelecimentos, o cardápio, que deveria ser feito por nutricionista conforme a lei que regulamenta a alimentação escolar no país,  é feito de acordo com a disponibilidade de alimentos na dispensa da escola.  
O movimento dos estudantes da “Celso Ramos” deixou à mostra as falhas da Projeto de escola integral, que se é elogiado do ponto de vista pedagógico e de qualidade do ensino e dedicação dos professores, perde pontos em ítens que sequer deveriam faltar: transporte e alimentação escolar. 
 
Deficiências
As escolas da rede estadual que tem o sistema de auto-gestão, notadamente as que atendem exclusivamente ao ensino médio, recebem verbas a cada três meses para fornecer lanche a todos os seus estudantes. E as que tem também o ensino integral recebem uma segunda verba para fornecer o almoço. 
Com o crédito de R$ 600,00 reais semanais, a diretora da ‘Nagib Zattar’ precisa fornecer cinco almoços para os seus 150 alunos por semana. Ou seja, cada refeição deve sair por  cerca de R$ 0,80. 
“Estamos no limite e estou tentando conversar com a professora Heliete, da Gered pois se não recebermos a verba hoje (23/4), vamos chamar os pais e ver como vamos alimentar os alunos. Até agora conseguimos oferecer merenda a todos. Um dia a gente dá bolacha com suco e no outro, suco com bolacha”, brinca Dalva, para aliviar o estresse decorrente da situação.