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Escolha Profissional: Trabalho e Realização

Mais do que optar por um curso, ao final do ensino médio o adolescente se vê escolhendo boa parte de sua vida produtiva, escolhendo aos 17, 18 anos um plano de carreira. A influência dos amigos e parentes para alguém neste momento da vida é determinante, na maioria dos casos, para se fazer a escolha profissional. É claro que, de acordo com a maturidade e a convicção do sujeito, o peso dessa opinião pode variar. Quem não ficaria inseguro se todos desencorajam a sua escolha?
-  “Não, Fulano, abra os olhos, esta profissão é muito ruim, paga pouco, não tem vagas disponíveis....”??
 E quem não se motivaria ao ver os parentes e amigos vibrando, felizes com o curso escolhido?? E observe, leitor, o adicional que a pessoa que está escolhendo é um adolescente com 18 anos(ou menos)...

Outro fator que pesa na escolha é a pressão dos pais para que suas expectativas se realizem na pele dos filhos. Acabam escolhendo pelo filho, sem ouvi-lo. O mesmo também vale para aqueles pais e mães ansiosos. Acabam complicando muito a escolha e a realidade do filho ao invés de ajudar.
E isso pesa mais quando os pais têm boa formação, são atualizados e convincentes, pois estes tentam pressionar os filhos a seguirem o que eles acham melhor ou mais seguro ou ainda a seguir o “sonho” do filho Doutor... Mas estes mesmos pais esquecem de que os filhos também pensam, também são capazes de escolher e nem sempre a escolha agrada ao que os pais esperam....

Por isto é que os pais devem incentivar seus filhos a estudar, a avançar nos estudos, mas ouvir o filho, saber do que gostam, o que lhes interessa, mostrando formas de se aperfeiçoar e entrar no mercado de trabalho com qualidade, não importando qual seja a escolha, mas que o jovem entre com condições de ser o melhor possível; ir ao máximo que o esforço pode levar, pois é isto que faz um vencedor no mercado profissional: ser o melhor que se pode, antes de ser o melhor.
A indecisão na escolha é normal para nossos adolescentes....nossa sociedade os tornou mais imaturos e dependentes (e mais mandões também...) nas duas últimas décadas e a escola brasileira não prepara pessoas para escolhas e decisões da vida. Quando muito, prepara para a “decoreba” do vestibular, quando muito.

Vestibular, aliás, que já vai tarde; está acabado, moribundo. Este concurso era a prova absoluta da exclusão social brasileira remetida via educação. Voltemos ao assunto:
Ensinamos e cobramos contas, fórmulas, muitas vezes inúteis, mas esquecemos de ensinar a pensar sobre si, a pensar nas escolhas e dilemas que a vida traz a todos nós. Não há fórmulas prontas para se viver, mas existem modos de incentivar nossos jovens a pensarem sobre si mesmos, sobre o mundo que os cerca, as oportunidades e perigos.... Com o fim do vestibular se aproximando, é necessário propor um modo novo de se educar os jovens: uma escola que mostre o mundo, mostre formas de se viver e se fazer escolhas, a formar um cidadão crítico, pessoas capazes de escolher e controlar seu futuro...ao menos saber que ele existe e se constrói com esforço, coisas que nossos jovens ainda não aprenderam o significado, e que fórmula química, física ou matemática ainda não produzem.

Então será mais fácil “ler” o mundo e saber um tanto mais sobre qual o caminho a seguir....
Mundo aliás, que torna-se cada vez mais imediatista e superficial, o que dificulta a quem entra no mercado de trabalho compreender que sucesso requer esforço, que bons salários são raros para quem começa (muito raros!) e que tempo é algo maior que o contador do videogame. Muitos adolescentes acabam pensando que apenas cursar boa faculdade garante aprovação, emprego....como se a vida fosse um jogo de RPG.

O esforço, a maturidade, derrotas, conquistas navegam no mesmo barco (que é lento).
Procure, caro leitor, ao se deparar com alunos em dúvida, estimular a leitura e a pesquisa sobre os cursos e as carreiras cogitadas, mas antes de tudo, orientar para que a escolha leve a construir a carreira certa com qualidade e dedicação.

* Gilmar de Oliveira, psicólogo clínico e institucional e professor universitário (INESA); especialista em Neuropsicologia e Aprendizagem e Mestre em Educação e Cultura.