Jornal da Educação - ISSN 2237-2164

Liberar Lula da prisão é liberar todos os condenados (JE 307)

Nos últimos anos o brasileiro não se reconhece em ninguém que pretende representá-lo, seja nas telas de cinemas e televisão, seja nos governos e, muitas vezes, no poder judiciário.
O país da impunidade é também o país do não reconhecimento da representatividade. Desde o início da Operação Lava Jato, muita coisa mudou no país.
Pela primeira vez vimos criminosos de colarinho branco ir para a cadeira. Políticos sendo julgados pela propina que todos sabiam que existia, mas já eram tidas como normais. Vimos o judiciário prender após o julgamento em, segunda instância. E isso deu, pelo menos, para alguns criminosos, uma sensação de que eles podem sim ser punidos por seus delitos, igualmente aos demais cidadãos brasileiros.
Ao longo de nossa história, nos foi ensinado que somos um povo alegre, criativo, da paz, tolerante e solidário. Por conta dessa falsa imagem, muitos brasileiros (e até alguns estrangeiros) criaram suas redes de sustentação nos mais altos cargos da república para pegar o dinheiro dos impostos, que diga-se de passagem, são um dos mais altos do mundo, desviando-o para suas contas bancárias pessoais.
O dinheiro público foi sendo lavado tornado privado com a maior cara deslavada. Não por acaso, o nome da operação é Lava Jato. Enriquecer estando no governo era tão rápido que em apenas dois anos no poder, houve quem aumentasse em mais de 1000% seu patrimônio.
Nossa passividade e a capacidade de aceitação das diferenças eram tidas como uma das principais características do cidadão da república das bananas, das belas mulatas e criativos sambistas.
Entretanto, há pouco nos descobrimos racistas, sexistas, xenofóbicos, censuradores culturais e religiosos quase fundamentalistas.
E, da pior forma, nos descobrimos ignorantes sobre nossa própria condição de cidadão roubado diuturnamente e de uma legislação que nos oprime e liberta quem tiver dinheiro. Somos ignorantes sobre o que os governos têm feito com o nosso dinheiro e omissos com nosso direito de saber.
Mas no momento de nossa história em que presenciamos o poder judiciário atuando verdadeiramente, é mais importante descobrir que políticos e redes sociais mentem todo o tempo. Ambos plantam notícias positivas sobre si e negativas sobre os opositores.
É preciso ter consciência de que toda e qualquer notícia, por mais inocente que possa parecer, traz em si um objetivo nas entrelinhas. E que, na grande maioria das vezes, este motivo é excuso.
No ano em que haverá eleições presidenciais e legislativas e que dezenas de políticos já se lançaram candidatos e alguns já estão em campanha antecipada, outra irregularidade, por julgarem-se acima da lei.
Nada e nínguém poderia barrá-los. O principal deles, o ex-presidente Lula, condenado a mais de 12 anos de prisão e por isso inelegível, pois está com a ficha suja, não reconhece a penalidade imposta pela justiça.
Ele próprio se coloca acima da lei. Seria o próprio pseudo cristo da república, crucificado pelo pecado dos outros. É bom lembrar que enquanto foi presidente do Brasil, enchia o seu e os bolsos dos filhos, parentes, amigos e do partido político ao qual pertencia, ao mesmo tempo que esvaziava os cofres da Petrobrás, do BNDES, da Caixa e de outras estatais e, obviamente do próprio governo.
Por isso agora tem bastante dinheiro para entrar com infinitos recursos e fazer uma caravana pelo Brasil em campanha antecipada.
Por conta desse e de outros casos, o brasileiro vem descobrindo que ser bonzinho e tolerante não é tão bom assim. É preciso ser prudente e desconfiar sempre.
O poder judiciário, pela primeira vez na história do país, está agindo, deixou de ser conivente com as falcatruas dos políticos locupretados no poder para usufruir das benesses que os cargos proporcionam. Entre elas a impunidade e o foro privilegiado.
E em ano eleitoral, o brasileiro precisa aprender a pesquisar a vida pregressa e ler muito sobre cada candidato antes de sair por ai defendendo esse ou aquele e especialmente, antes de votar. Pois, quem os coloca no poder somos nós eleitores.
Também não nos reconhecemos nos seguidores de outras religiões que não a nossa ou entre os corruptos e os corruptores. Os descrentes não fazem parte do círculo de contatos sociais da maioria das pessoas.
Transformados em inimigos da sociedade, da moral e dos bons costumes, os políticos definitivamente não seriam os representantes dos brasileiros.
Mas é preciso relembrar, antes de tudo, que os políticos governantes só estão lá porque nós votamos neles. Inclusive o atual presidente da República, eleito como vice, mas eleito com todos os mesmos votos da ex-presidenta.
E, como é natural ao ser vivo, quando se sente acuado, e tendo perdido a capacidade de argumentar, a violência passou a ser a principal arma contra o outro. Seja em forma de palavras ríspidas, seja em forma de violência física, ou difamação nas redes sociais.
A violência esta exacerbada dentro das casas, nas escolas, no trânsito, nas ruas...
O preconceito, antes sequer percebido, passou a ser exercido pelo dedo em riste. A tentativa de impor os valores individuais ao coletivo passou a ser regra e o respeito “que é bom e eu gosto” anda esquecido nos baús de recordações preciosas das vovós e vovôs da república.
É como se de amigo do rei, o cidadão tenha passado a ser o juiz da vida alheia. A pretensa autoridade, adquirida com o radicalismo religioso, cultural e político parece ter exercido um poder sobrenatual sobre algumas cabeças que teriam passado a ser as “iluminadas”.
O que lhes daria poderes para julgar, condenar ou absolver-se, impor os caminhos a serem seguidos por seus familiares, colegas de trabalho ou de religião e no caso do ex-presidente Lula, toda a nação brasileira?
Insanidade! Talvez?
Cada candidato, cada político, sempre julga que a sua escolha, o próprio estilo de vida seja o melhor e único viável para o bem da sociedade.
A fragilidade das escolhas dos eleitores, que infelizmente vota mais com o coração do que pela razão pode levar o Brasil a retroceder.
A Operação Lava Jato tem que continuar. Os brasileiros precisam votar em novos políticos pois, somente assim, conseguiremos colocar na cadeira os mais de 200 políticos com processo suspenso por causa da infame imunidade parlamental.
Por esta razão é preciso prender não somente Lula, condenado em segunda instância. Pois se não o fizermos, no rastro dele vem centenas de outros corruptos e corruptores, traficantes de drogas, assassinos.
Se a justiça brasileira permitir a candidatura dele, terá de permitir uma infinidade de outras candidaturas de fichas sujas. A lei brasileira precisa ser igual para todos.
É necessário acabar com a imunidade parlamentar e com a impunidade aos ricos que tenham dinheiro para defender-se na infinidade de instâncias.
Aliás, a punição para os políticos deveria ser ainda mais rigorosa, pois estão roubando o dinheiro da população e conhecem a lei e os meandros do poder. E quem conhece, sabe o que está fazendo, então deve ser punido exemplarmente.

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