Jornal da Educação - ISSN 2237-2164

Investimentos em educação não chegam à sala de aula (JE 308)

Os investimentos em educação no Brasil continuam sendo medidos pela quantidade de dinheiro público aplicado na rubrica no orçamento aprovado pelo Congresso e que deveria ser fiscalizado pelo tribunal de contas, mas não é. Apesar de estudos mostrarem que pouco mais de 10% do que sai do orçamento chega efetivamente na atividade fim, o ensino, a sala de aula.

Para as escolas, nada mudou. Investiu-se mais aqui e ali, mas a escola continua com a responsabilidade de educar, dar comida, roupa, material escolar, fazer curativos nas feridas físicas e psicológicas, seria a tal tarefa de formar o cidadão.

Resultado: o país está cada vez mais nas últimas posições de todos os exames internacionais que medem o conhecimento, atividade fim da escola.

Apesar de, na década de noventa, termos conseguido colocar 98% de nossas crianças de 7 a 14 anos na escola, atualmente há menos de 80% nesta faixa etária frequentando as salas de aula regularmente. Os adolescentes também não estão frequentando e pior, quase 50% abandonaram o ensino médio.

O discurso e as políticas educacionais dos governos continuam as mesmas. Programas e mais programas pensados e lançados com estardalhaço, são jogados no “colo dos professores”, os efetivamente responsáveis por ensinar.

As discussões sobre a implantação do BNCC estão seguindo o mesmo caminho. Cada professor recebeu pequenos retalhos da sua área de atuação e, depois de algumas horas de discussões e sem conclusão alguma, vamos lá, voltem para a sala de aula. As reformas anteriores foram implementadas do mesmo modo.

Depois de anos de discussões em gabinetes com ar condicionado e muito material, um encontro de algumas horas seria o suficiente para repassar o conteúdo aos professores, será? No dia seguinte, volta para sala de aula. Ou seja, o professor que se vire nos trinta...

Albert Einstein já disse, “insanidade é fazer sempre a mesma coisa e esperar resultado diferente”. Conclusão: o Brasil é insano!

Não tem sistema de ensino, Não há uma política pública que garanta sequer matrícula para todas as crianças e adolescentes.

Não há avaliação externa, os professores fazem o que querem e podem em sala de aula, onde estão abandonados à própria sorte. E os governos continuam lançando programas “lindos e maravilhosos que vão salvar a pátria”. Tudo isso só no papel.

Ao mesmo tempo, sequer conseguimos construir escolas para todos os brasileiros e nem dar condições de acesso a todos os brasileiros à escola em todas as regiões.

O número de reportagens mostrando crianças tendo que travessar rios a pé ou sobre embarcações precárias, em ônibus sem janelas ou caindo aos pedações e em estradas esburacadas são constantes e em todas as regiões do país.

Por outro lado, não conseguimos preencher todas as vagas existentes em outras regiões. Ou seja, não há critérios para construção de escolas, como não há professores suficientes e nem regras para o fechamento de escolas.

E pior, não conseguimos formar professores em quantidade, qualidade e com motivação suficiente para abraçarem a profissão e permaneçam na sala de aula. Nossos jovens já não querem ser professores. Os cursos de licenciatura estão fechando. Os que sobram são, em sua maioria, os de ensino à distância.

Ao mesmo tempo, a manipulação das pesquisas já chegou até mesmo às escolas. Querendo melhorar seu Ideb, as equipes escolares manipulam as reprovações. Tem-se notícias de escolas que fazem reprovações seletivas. As reprovações acontecem somente nas séries em que, no ano seguinte, os alunos participarão das provas externas (Prova Brasil, Saeb, etc..)

Já as pesquisas que demostram a realidade de que pouco mais de 10% do investimento que saí do MEC e secretarias da educação chega efetivamente à atividade fim da pasta: o ensino - a sala de aula, continua a ser ignorada.

Destino que também tem a quase totalidade das pesquisas que efetivamente fazem um retrato fiel da realidade das salas de aula, especialmente as das escolas públicas do ensino básico.

Em administração financeira há princípios básicos. O primeiro é, não importa o quanto se ganha, mas como se gasta. O segundo, e não menos importante, gaste menos do que ganha, o necessário, nunca tudo. E finalmente, caro é tudo o que você não necessita.

Portanto, poucos governos administram nossas finanças adequadamente. Enquanto os governos gastam mais do que arrecadam, os brasileiros continuarão na ignorância.

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