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Novo ENEM trará modificações e, talvez, mais qualidade ao EM (Junho/2009)

O anúncio da reformulação da prova do ENEM e sua obrigatoriedade, a partir de 2010, para os concluintes do Ensino Médio em escolas públicas, trouxe a esperança de que, finalmente, o MEC consiga promover alguma melhoria na qualidade do ensino médio do país. 
Por outro lado, a inclusão de conteúdos das disciplinas de educação física, artes e língua estrangeira na prova,  deve mudar, drásticamente o fazer pedagógico dos professores destas disciplinas.
A nova prova será também uma espécie de vestibular unificado nacionalmente para ingresso nas universidades e institutos federais, elimando a “maratona de vestibulares” feita por candidatos às vagas nas universidades públicas. Portanto, a partir do próximo ano, o ENEM deverá ser “obrigatório” para todos os concluintes do ensino médio, tendo em vista de que a quase totalidade dos estudantes de escolas particulares disputa (e consegue) vagas nas universidades públicas. 
No rastro das modificações, a esperança de que a prova consiga dar um choque de qualidade no ensino médio, especialmente nas escolas públicas, que formam quase 90% dos estudantes deste nível de escolaridade. 
A obrigatoriedade e o caráter certificatório que a prova terá a partir do próximo ano, já ganhou versões diferentes, mas por enquanto, está confirmado que será obrigatória para os estudantes de escolas públicas. Vale lembrar que para os candidatos à bolsa do PROUNI, o ENEM sempre foi obrigatório.
Nas escolas secundárias, a preocupação é preparar os estudantes para a prova deste ano. Na verdade, desde o primeiro anúncio, feito pelo ministro, há pouco mais de um mês, muita coisa mudou e ainda deverá mudar mesmo nos conteúdos das provas. 
Entre as primeiras modificações, o adiamento da inclusão de questões de Inglês e Espanhol somente para o próximo ano. A justificativa, contestável, é de que não haveria pessoal capaz de preparar as questões em tempo hábil.  
A inclusão de questões das três disciplinas consideradas “perfumaria” pela maioria dos professores em praticamente todas as escolas, desde o Ensino Fundamental mas, principalmente, no Ensino Médio, em todo o país é a grande novidade. 
O modo como são ministradas e valoradas estas disciplinas deixa transparecer que, até mesmo para boa parte dos professores das referidas disciplinas, o brasileiro não precisasse ter saúde física e cultural. 
Dentre as três, talvez a mais desacreditada do ponto de vista do conhecimento seja a educação física. Disciplina secularmente negligenciada nas escolas e comumente resumida a entregar uma bola na mão das crianças e adolescentes para que passem o tempo que seria de aula. Não que professores de outras disciplinas, não tenham atitudes semelhantes. 
Em países que investem verdadeiramente na formação de seus cidadãos, a Educação Física é uma das disciplinas mais respeitadas. As aulas tem finalidades bem definidas: aprender e desenvolver a prática desportiva, a educação alimentar, a higiene corporal e a prevenção à saúde. 
As escolas particulares e cursinhos pré-vestibulares já anunciam que estão preparando os seus alunos para o novo ENEM. Se considerarmos que o ENEM deste ano será usado como processo seletivo único ou parcial para várias universidades e Institutos federais de educação (antigo CEFET), devem estar mesmo. 
A verdade é que seus estudantes serão os principais candidatos ao ENEM. Apesar de terem de pagar para fazer a prova, estes estudantes estarão economizando, já que não precisarão fazer diversos vestibulares. 
E se, acreditarmos que a nova prova acaba com a “decoreba” e estará cobrando somente os conteúdos da grade curricular do Ensino Médio, novamente, os estudantes das escolas particulares terão as melhores notas. 
Além disso, é grande o número de estudantes de escolas públicas que, apesar de fazer a prova gratuitamente, não o fazem por puro desinteresse.  
A única esperança que temos é que o novo ENEM, prova que surgiu do modelo usado na América do Norte e Europa para avaliar o ensino e selecionar “as melhores cabeças”  para as universidades, que lá são todas pagas, consiga dar o choque de qualidade tão necessário ao Ensino Médio brasileiro. 
Afinal, não é possível continuarmos investindo dinheiro público em cidadãos que não darão o retorno à sociedade que o financiou integralmente. 
É hora de repensarmos o modelo educacional brasileiro, privilegiando quem tem condições de seguir a vida acadêmica e preparando para o mercado de trabalho aqueles que não terão condições intelectuais de produzir conhecimento e ciência em nosso país.