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Pátria Amada... Salve, salve! Brasil...(Setembro 2009)

Durante a Semana da Pátria os notíciários de todo o país registravam que a Seleção Brasileira de futebol estava classificada antecipadamente para a Copa do Mundo. Os desfiles cívicos foram cancelados em várias cidades para evitar a contaminação pelo virus H1N1.
Os Brasileiros (com letra maiúscula) lamentaram a perda da oportunidade para demonstrar o amor por sua Pátria ou, dar o grito dos excluídos. O primeiro grupo foi pequeno nas grandes cidades, é verdade, mas os estudantes e professores que estavam ensaiando os passos da marcha e as fanfarras durante todo o ano, lamentaram.
O irônico é que os desfiles ao ar livre  foram cancelados para evitar as aglomeração de pessoas. E, as escolas, para compensar, fizeram homenagens cívicas em seus pátios, a maioria fechados. Ou seja, ao ar livre não pode, mas em local fechado, pode...
Sem os desfiles e eventos públicos, passamos um Dia da Independência, como a outro feriado qualquer. Seja por questões de saúde pública, mesmo que equivocada, ou por ainda nutrir o sentimento de que civismo e patriotismo seja coisa de militar, o desfile cívico, um dos principais acontecimentos da maioria das pequenas cidades, não aconteceu.
E por conta disso, os brasileiros apoixonados pela Pátria e não somente pela seleção de futebol, sentiram uma espécie de vazio patriótico.Nas pequenas cidades, este sentimento foi ainda mais forte, pois o desfile cívico é o momento de rever amigos e saber das novidades da própria cidade.
Além do aspecto social, a preparação dos uniformes, das alegorias, bandas e fanfarras para o grande dia envolvem e movimentam toda a cidade. Nestas comunidades, os desfiles cívicos são uma programação especial para toda a família, um momento de sentir-se importante, pertencente ao grupo e estar visível.
Entretanto, a notícia mais estranha vinha na semana seguinte. Um estudo feito pelo Ministério do Meio Ambiente mostrou que carros movidos a álcool poluem tanto quanto os a gasolina. E que, na fase fria, quando o motor ainda não aqueceu, emite ainda mais poluentes.
Mesmo assim, o combutível continua a ser considerado uma energia limpa porque seu processo de produçao compensa a produção de CO2 – Dióxido de Carbono.  Os poluentes emitidos pelo Etanol não agravam o efeito estufa, mas pioram a qualidade do ar e provocam problemas de saúde.
E esta foi mais uma razão para tristeza, pois o nosso álcool combustível é um de nossos maiores orgulhos, é como se o Brasil tivesse visto seu melhor filho perder a direção na conquista do sucesso profissional.
Nestes dias, em que deveríamos estar festejando o Brasil e motivando os brasileiros a amarem sua Pátria e darem o máximo de si a Ela, pelo próprio bem, pouco se falou da necessidade  do Brasileiro estudar mais e com mais afinco para ser melhor, pois o Brasil, são os brasileiros e não as belezas naturais de que nos orgulhamos.
Sem os desfiles cívicos, as informações sobre a data, espalharam-se no ar, juntamente com os capítulos finais da novela das nove que enfatizava a cultura indiana.
Assim, a data que deveria ser a principal da Nação Brasileira, até mesmo nas escolas foi festejada como se fosse um dia  comum em que  se faz o hasteamento da Bandeira do Brasil e canta-se o Hino Nacional.
E mais, pouco ou nada se falou das divisas internacionais que o país ganha com o álcool combustível. Divisas que chegam pela simples diminuição da importação de petróleo e, principalmente, pelo fim da dependência internacional por combustível. E este aspecto da Independência do Brasil merecia ser noticiado.
Quando se trata de Etanol é importante registrar que o Brasil exporta know-how, em vez de pagar royalties.  E qualquer país capaz de produzir toda a energia de que necessita, é respeitado pelos demais.
Nos resta apenas tentar saber quais  seriam as razões ocultas por traz da divulgação das notícias negativas na semana na qual deveríamos estar exclusivamente demonstrando nosso amor à Pátria.
É de conhecimento público que para plantar cana, aipim, milho, soja ou criar gado, é preciso desmatar, mas está provado também que a produção do álcool combustível não prejudica a produção de alimentos e que o Brasil continuará a ser o tal “celeiro do mundo”.
Portanto, é preciso acompanhar de perto as tais notícias em relação ao “filho do Brasil – o Etanol”. O Brasil historicamente foi “um saco de pancadas ecológico” e embora nossos bois sejam a segunda maior contribuição do país ao efeito estufa, não podemos aceitar ataques “da  própria família”. Se os carros a álcool poluem, que o Governo determine às montadoras o desenvolvimento de equipamentos para neutralizar tal prejuízo ao ambiente.
Que na próxima Semana da Pátria, ou no próximo feriado de  Proclamação da República, os Brasileiros -com letra maiúscula- tenham espaço e motivação, reforçada pela imprensa, para festejar a Nação Brasileira e efetivamente o façam!