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Um bom planejamento gera melhor resultado com menor esforço (Jan-Fev/2010)

O principal beneficiado de um planejamento anual bem feito é o próprio professor que terá de dispender menos esforço durante o ano letivo e alcançará melhores resultados na aprendizagem de seu aluno. 
Nestas primeiras semanas de aula os professores estão às voltas com o planejamento das atividades a serem desenvolvidas ao longo do ano letivo. A confecção dos planos de curso deve ser minuciosa e levar em consideração todo o universo do processo ensino-aprendizagem. 
Muitos professores alegam dificuldade em planejar sem antes conhecer seu aluno, mas será mesmo possível conhecer um aluno? O mais fácil, então, é planejar atividades avaliativas diferenciadas para o mesmo conteúdo em uma mesma turma. Isto possibilitará avaliar cada aluno em sua peculiaridade. 
Os professores que já atuam há mais tempo na escola, também podem ajudar nesta tarefa de planejar para alunos reais. Entretanto, antes de iniciar tal empreitada, o professor deve considerar que  no sistema brasileiro de ensino, o conteúdo programático é definido nacionalmente, sobrando pouco a modificar, acrescentar ou mesmo inovar. Portanto, no que se refere ao conteúdo, no máximo a  metodologia e as atividades avaliativas poderão ser escolhidas pelo professor.
E não poderia mesmo ser diferente, tendo em vista a unidade da nação e porque não se admite que um estudante, ao mudar de turno, numa mesma escola, encontre além de uma nova metodologia , também o conteúdo completamente diferente.  
Além deste aspecto, há que se considerar que as provas do ENEM, de vestibulares, de concursos públicos e de disputa de vagas de emprego na iniciativa privada, são exatamente iguais para os que cursam a mesma série em todo o país. Esta já é uma razão forte o suficiente para que NENHUM professor se julgue “acima da lei” e imponha conteúdos próprios, sem antes dar conta do currículo mínimo nacional. 
Não se admite que, para mascarar sua dificuldade em determinados conteúdos decorrentes de sua má formação e da  preguiça intelectual o aluno seja prejudicado. O professor é um autodidata por formação e tem plena condição de superar sua própria dificuldade com estudo e pedindo ajuda aos colegas e superiores se for o caso.
Por outro lado, praticamente todas as escolas públicas de ensino básico recebem livros didáticos distribuídos gratuitamente para os estudantes. 
Portanto, os professores devem se antecipar e estudar os conteúdos e atividades propostas nos livros, acrescentando outras que julgar mais apropriadas à sua metodologia de trabalho.  
O investimento de dinheiro público na aquisição de tais livros, sem considerar o mérito dos conteúdos e abordagens de alguns autores, torna injustificável o desprezo dos mesmos pelos professores. 
Afinal, o plano de curso é da escola e do aluno, cabe ao professor sua execução. E se os alunos receberam um livro, não há razão para não usá-lo implementando “sua marca pessoal”.  
Um bom planejamento facilita em muito a jornada dos professores, pois pensado no início do ano, há tempo suficiente para solicitar materiais, agendas espaços e equipamentos na escola e programar aulas fora do ambiente escolar. Afinal, é sempre melhor “facilitar do que complicar”. 
Esta facilidade será ainda maior se houver uma “padronização das metodologias” usadas por todos os profissionais da escola. É importante que todos os equipamentos e espaços didáticos e pedagógicos sejam usados, mas é que também haja rodízio de cada uma entre os professores, caso contrário, as aulas cairão na rotina do diferente e sempre. 
Escola que tem projetos de slides, por exemplo, precisa, além de organizar uma agenda de utilização, planejar conjuntamente para que os professores diversifiquem suas aulas. Ou, em pouco tempo haverá o “professor power point”, “o professor DVD”, “o professor trabalho em grupo” e o sei lá, entende!?.
 As formas de avaliação também precisam ser diversificadas e considerar as múltiplas inteligências. E é exatamente neste aspectos que a atenção deve ser redobrada. 
Nem só prova oral, nem só prova de múltipla escolha, nem só prova dissertativas, nem só redação, nem só trabalho em grupo, o estudante precisa experimentar de tudo. Pois este é o papel da escola e planejar um ano letivo é o mesmo que planejar a vida das centenas de crianças e adolescentes matriculados em nossas escolas.