Jornal da Educação - ISSN 2237-2164

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Compromisso com a aprendizagem (Outubro/2010)

Por Hamilton Werneck*              
 
A vertente tradicional – aprovar ou reprovar – incluía a noção de um profissional competente, entendendo-se por competência o conhecimento dos assuntos a serem ensinados e uma capacidade de fazer seleção entre os que aprenderam e não aprenderam. Quem aprendeu seguia para o paraíso da aprovação e, os reprovados, para o inferno da repetência.
Uma vertente que poderia não incluir um compromisso para que todos aprendam. Sem este compromisso, hoje, os investimentos em educação podem considerar-se em grande parte perdidos e sem retorno social.

A vertente atual – ensinar e aprender – inclui a noção de um profissional competente, entendendo-se como competência o conhecimento dos assuntos a serem ensinados, a capacidade de envolver os educandos no processo de aprender e o desenvolvimento de atitudes que correspondem aos aspectos afetivos da competência.
Esta última vertente, no entanto, trouxe em seu interior um grande engano. Pessoas sem compromisso começaram a entender que se tratava de “empurrar” os alunos para as séries ou ciclos seguintes, mesmo sem que tivessem aprendido alguma coisa. Ou seja: se não devemos reprovar, vamos aprovar automaticamente. Grande erro.
Na verdade, uma escola que envia alunos à série seguinte sem que eles saibam, não é uma escola que pratique a ética; uma escola que, sem compromisso, reprova e pensa ter cumprido seu papel, não tem competência.
Parece um beco sem saída. Porém, não é. O importante é que se coloque alguma coisa no lugar da reprovação. Alguns passos anteriores são importantes: mais tempo da criança nas escolas porque elas só têm tempo para ouvir aulas; adequação dos conteúdos ao desenvolvimento psicológico da criança; formação continuada dos educadores e melhores salários para os professores. 
Partindo daí é possível planejar uma recuperação paralela, o acompanhamento de alunos dependentes em alguma disciplina procurando estabelecer um processo e, não, deixando para tentar corrigir alguma coisa ao final do ano letivo.
O educador responsável e os gestores da educação, se usarem monitorias, tempo dilatado nas escolas, cursos de férias e demais criações inteligentes perceberão que todas elas serão sempre mais baratas que a repetência e, muitas vezes, mais eficazes. 
Portanto, fique bem claro, que o compromisso com a aprendizagem exige um movimento contínuo de métodos e processos, pessoas e sistemas, buscando o maior benefício para o educando como retorno social do que a sociedade investiu.
O centro do problema, assim mostra a experiência, é que os educadores desestimulados com baixos salários, sentindo-se despreparados por falta de formação continuada e sem apoio pedagógico, não conseguem ver a urgente necessidade de mudança no modo de agir e, conseqüentemente, no modo de encarar os compromissos profissionais.
 
 
O professor Hamilton Werneck é pedagogo, escritor e doutorando em educação. Autor dos livros Professor Você não é um coitadinho! A hora da reação chegou, Professor: agente da transformação e Professor acredite em si mesmo, publicados pela Wak Editora. 
 
 
Edição nº242 - Outubro/2010 

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