Jornal da Educação - ISSN 2237-2164

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Literatura e tecnologia?

*Sônia Jardim

 

O dia 18 de abril foi instituído como Dia Nacional do Livro Infantil, uma homenagem ao admirado e reconhecido autor, Monteiro Lobato. Os clássicos, boneca Emília e o Visconde de Sabugosa, ainda estão presentes na vida de crianças e jovens, porém, hoje existe um outro personagem: a tecnologia. 

Segundo a pesquisa promovida pelo Instituto Pró-Livro (IPL), Retratos da Leitura no Brasil, há diversas razões alegadas pelos brasileiros para não terem lido nos últimos anos, como a falta de tempo (29%), a não alfabetização (28%), o desinteresse (27%), e os que preferem outras atividades (16%). Baseado nesses dados seria a tecnologia uma ferramenta positiva ou negativa, para contribuir no desenvolvimento de estímulo à leitura?

Claro que o livro “de papel” nunca irá perder o seu valor, assim como o rádio não deixou de existir com a invenção da televisão, e muitos preferem segurar as páginas dos jornais a ler seu conteúdo na internet. A tecnologia pode, então, ser agregada ao que já é bom, ao invés de substitui-lo.

Hoje, crianças têm celulares, só se fala em Facebook e Twitter e a internet é a maior fonte de buscas. Pode parecer que o mundo analógico foi esquecido, mas, ao invés de pensar na substituição dos livros pela tecnologia, por que não agregar os dois? Pois é isso que os tão comentados tablets podem oferecer, uma alternativa para quem pensa que a tecnologia resulta no fim do hábito de ler. Apesar de, atualmente, não serem muito acessíveis e provavelmente não agradar os mais conservadores, num futuro próximo, essa ferramenta pode servir como aliada da educação, principalmente por estimular a curiosidade em relação ao tato e aos aplicativos.

Ainda de acordo com a pesquisa, a maior influência do hábito de ler começa em casa com as mães, que totalizam 49% na tabela de incentivadores. Por isso, os pais devem dedicar um tempo para a leitura dos filhos, seja ela com os livros físicos ou através dos tablets que, ao invés de poderem ser utilizados apenas para os negócios, música e jogos, contam com o aplicativo e-Book – que têm diversos livros disponíveis para leitura.

As próprias editoras, além de sempre investirem em clássicos repaginados, autores novos, livros educativos, entre outros, têm investido também no mundo digital para chamar mais leitores. Com investimento em tecnologia nas instituições de educação, bibliotecas e centros de leitura, o incentivo interativo tende a atrair o público.

Experiências recentes provam como a tecnologia pode despertar ainda mais o interesse pelos livros, como na Bienal do Livro de 2010, em que o IPL criou o ambiente literário interativo “O livro é uma viagem”. A proposta foi utilizar um artifício lúdico e, nos capítulos do livro gigante, graças à mídia social imersiva que faz uso da interação gestual com o cenário, foi possível literalmente colocar a criança dentro da história.

Hoje, os livros devem ser conservados e, não só o hábito de ler deve ser criado, mas uma cultura que soma a forma e o conteúdo. É preciso investir, pensar diferente, despertar interesse e não deixar que os novos meios sejam um empecilho cultural, mas um atributo favorável no despertar da leitura.

 

* Sônia Jardim é Presidente do Instituto Pró-Livro. E-mail: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

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