Jornal da Educação - ISSN 2237-2164

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Novas tecnologias em sala de aula (JE 268)

                                                                                                          Por  Cleuber Edivaldo Venarusso*

 

O objetivo do referido texto é a reflexão sobre os benefícios e malefícios causados pela inclusão de novas tecnologias em sala de aula, sem uma preparação prévia da comunidade escolar. 

 É comum associarmos que uma escola que possui computadores, é uma instituição moderna, evoluída, onde nossos filhos poderão ter um ótimo aprendizado e um futuro promissor. Porém, hoje  a tecnologia  está sendo usada muito mais como um chamariz educacional do que uma solução. É ridículo pensar em crianças não alfabetizadas, conseguindo acessar um portal educacional e aprenderem sozinhos os verdadeiros conteúdos necessários para a sua real evolução educacional, não simbologia intuitiva. É o mesmo que pensar sobre uma pessoa que não teve oportunidade de estudar, conseguindo resolver cálculos matemáticos de alta complexidade. Poderíamos ter um, em um milhão sendo contemplado pelo sucesso.

  A tecnologia está aí, isto é uma realidade! Temos que saber quando e como usá-la. Não é “jogando fora os cadernos, livros” e substituindo-os por celulares, laptops ou tablets que a educação irá melhorar. A transição é muito mais profunda do que a maioria dos governantes, que não possuem o mínimo conhecimento para tais mudanças, pensam, ou de especialistas que parecem viver em outro mundo.  Aliás, muitos desses especialistas não sabem metade do que pregam e vivem naquele velho provérbio, “que na terra de cego, quem tem um olho é rei”. E vivem atrás de uma mesa, onde o teórico é sempre belo.

 Uma reformulação no aprendizado poderia vir em vários estágios:

No primeiro estágio, nos quatros primeiros anos escolares, o ensino tradicional de caderno, lápis e borracha deve ser prioritário e  amplamente dominante, enfatizando a importância do domínio dessas habilidades para o futuro conhecimento das novas tecnologias. 

Nesse estágio, o aluno não deve portar celulares ou computadores em sala de aula. Seria como colocar a “carroça na frente dos burros”. Não há sentido em quem não domina a escrita e leitura, escrever algo na internet, isso pode ser inclusive muito perigoso, quem acompanha a mídia diariamente sabe disso. Devemos lembrar que simbologia da web não é uma linguagem formal da nossa sociedade.

 No segundo estágio, nos quatros anos seguintes, uma introdução da tecnologia como fonte de pesquisa pode ser trabalhada, em alguns momentos definidos pelo mestre. Os celulares e computadores ainda não devem ser permitidos em sala de aula, como algo corriqueiro, isso é muito importante. Caso contrário, todo processo de ensino aprendizagem pode ser comprometido. É como ir com “muita sede ao pote”. Nesse momento o aluno deve começar a entender que a tecnologia deve vir para auxiliar e não substituir o que já existe. Somente a conciliação entre o “velho e novo” pode levar a um avanço.

No terceiro estágio educacional,que contempla hoje o que chamamos de ensino médio, a responsabilidade nas utilizações das tecnologias devem ser repassadas para os educandos de maneira proporcional a seu aprendizado no estágio anterior. As turmas devem ser pequenas,  no máximo 10 alunos, onde o professor pode, com o orientador, ajudar duas turmas simultaneamente, alternando tarefas nas quais os alunos devem atingir maturidade de pesquisar e auto completar os conteúdos propostos pelo educador, buscando inclusive, alternativa de aprendizado através de metodologia diferenciada, disponível na web. Desta forma, o “passarinho deverá aprender voar sozinho”. 

Somente desta maneira ocorrerá o verdadeiro e responsável aprendizado com as novas tecnologias, desde que a comunidade escolar seja preparada de maneira  a adquirir esses avanços. Não é somente permitir o uso de tecnologia em sala de aula, pois o que vemos hoje é uma geração de verdadeiros “zumbis” com celulares maravilhosos,  atrelados o tempo todo aos ouvidos,  que nada ajuda na evolução acadêmica. Pelo contrário, impedem o aprendizado e a melhoria educacional.

 

*Professor há 25 anos. Trabalhou nas redes Objetivo, Positivo, Anglo e Colégio Estadual do Estado de São Paulo. 


 

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