Jornal da Educação - ISSN 2237-2164

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PROTESTOS -Professor alerta que desmoralizar a ´classe política´ não é boa estratégia (JE269)

Rodrigo Abrantes professor do Colégio Joana D´Arc, de São Paulo, recorre às redes sociais como Twitter  e Facebook para estimular os alunos e fixar conhecimentos na disciplina História do Tempo Presente. Ele alerta para os riscos da desmoralização pública: “Após uma onda de caça às bruxas tendo como bandeira a corrupção,  a Itália elegeu Berlusconi”. 
 
Protestos populares tomaram as ruas do país nas últimas semanas, estimulando jovens de diferentes idades a participar e debater política. O envolvimento deles, no entanto, não tem sido evidenciado apenas nas ruas: as escolas já perceberam e começam a trabalhar o tema em sala de aula.
Segundo o professor Rodrigo Abrantes, professor do Colégio Joana D’Arc, a História do Tempo Presente - como é chamada pelos historiadores – tem sido de grande relevância. Por meio da disciplina, o educador expõe o quanto é importante estar bem informado e construir um posicionamento frente a temas como estes. “Essa posição precisa ser problematizada e refletida criticamente junto aos alunos”, explica ele.
 
“É preciso oferecer as condições para que os alunos elaborem reflexões a partir dos fatos da realidade e da forma como são representados pelos meios de comunicação. 
 
Nesse processo, emergem sentimentos e valores, e a posição do professor deve se orientar no sentido de promover o reconhecimento do aluno diante de suas manifestações”, ressalta Rodrigo Abrantes.
A realidade estudada nas aulas engloba não só emblemática situação brasileira, mas o mundo todo. Questões com a Primavera Árabe já foram palco de discussão proporcionada pelo professor. Conteúdo este que torna mais bem evidenciado a utilidade da tecnologia para a realização desses estudos.
 
“Para mim, mundo físico e mundo virtual fazem parte da realidade vivida”, diz Rodrigo. 
 
“Alguns críticos dizem que a tecnologia está deixando os jovens isolados e despolitizados, e, de repente, temos uma manifestação dessa magnitude”, expõe.
As redes sociais, de grande conhecimento da maioria dos jovens, têm cada vez mais demonstrado seu poder frente à disseminação de idéias e mobilização popular.
“A internet opera como um catalisador para as manifestações. Isso porque elas funcionam na base da solidariedade entre amigos. A pessoa vê que o amigo estará presente na manifestação, e, em função do que o amigo representa para ela, decide-se se vai ou não”, explica o professor.
A melhor maneira de se aprender não está exclusivamente nos livros ou na internet, mas sim na disposição do aluno em buscar entender e formar uma opinião crítica quanto ao que lê.
 
“Ninguém fica inteligente simplesmente por ler livros. Aliás, pode-se ler muita porcaria em livros. Com as informações que circulam pelas redes sociais a situação é análoga. 
 
Precisamos problematizá-las e elaborá-las criticamente com os alunos. Precisamos trabalhar atribuição de sentido e posicionamento diante do mundo”, frisa Rodrigo.
A política, alvo constante de discussão do professor, se torna, cada vez mais, difícil de abordar. Hoje é bem difícil discernir entre esquerda e direita. “Para a minha disciplina, a História, isso tem sérias consequências. Assuntos clássicos, como a Revolução Francesa, já não oferecem o vocabulário político nem o esquema narrativo capaz de explicar nossa realidade política. Em função disso, temos que trabalhar por meio das diferenças radicais entre os processos históricos”.
É fundamental buscar maneiras de ensinamento que cativem os alunos, considerando sempre sua faixa etária.
“Para assuntos da atualidade, seleciono artigos da imprensa e estimulo os alunos a colher informações por meio do Facebook e o Twitter. Para essas manifestações que vem ocorrendo, estou pensando em uma estratégia para propor como trabalho mensal, mas ainda não está pronta”, relata o profissional.
 
No entanto, não se pode considerá-los politizados.
 
“Os alunos ficam empolgados, alguns se afetam pela paixão política e vão às manifestações, outros não, porque a família não deixa. Desmoralizar a classe política não costuma gerar bons frutos, veja-se o que aconteceu na Itália: após uma onda de caça às bruxas tendo como bandeira a corrupção, elegeram o Berlusconi”, conclui o professor Rodrigo Abrantes. 
 

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