Jornal da Educação - ISSN 2237-2164

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Professores, alunos e livros(JE287)


Por Fábio Arruda Mortara*


Recente estudo do Fórum Mundial de Cidades Culturais, constituído pelas 27 maiores metrópoles do mundo, indicou que São Paulo e Rio de Janeiro estão entre as que apresentam o menor número de bibliotecas e livrarias para cada cem mil habitantes. O problema não é apenas de nossas duas mais populosas capitais. É algo que afeta todo o Brasil.
Temos, para 200 milhões de habitantes, pouco mais de três mil livrarias (média de 1,5 para cada cem mil pessoas), observando-se, ainda, grande concentração dos pontos de venda. A última atualização realizada pelo Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas, em fevereiro último, demonstra que há apenas 6.102 dessas unidades municipais, distritais, estaduais e federais em todo o País (média de três por 100 mil habitantes). É pouco!
Por isso, é fundamental semear bibliotecas de livre acesso nos municípios brasileiros. Sem qualquer exagero, não há obra mais importante para uma cidade, um estado ou um país do que colocar livros à disposição da sociedade, ampliando a possibilidade de leitura para as crianças, os jovens e os adultos. Sem sombra de dúvida, tudo o que o Brasil precisa para vencer as dificuldades atuais, voltar a crescer e se tornar um grande país desenvolvido é de livros, professores e alunos, com oferta de matrículas nas escolas públicas suficiente para atender toda a demanda.
Daí, a grande importância da ação de responsabilidade social da indústria gráfica paulista, por meio de projeto, iniciado em 2005, viabilizado pelo Sindicato das Indústrias Gráficas no Estado de São Paulo (Sindigraf-SP) e a Abigraf Regional São Paulo, de formalizar parcerias com prefeituras, para implantar e revitalizar bibliotecas em cidades do interior. Até agora, foram 18 unidades entregues.
Ao disponibilizar livros para quem ensina e quem aprende, a biblioteca torna-se um elemento importante na estrutura do ensino, pois o livro é algo essencial para a boa escolaridade e a formação intelectual e cívica dos indivíduos.
A indústria gráfica brasileira tem uma opinião inabalável: acreditamos que o ensino de qualidade é a grande base para que nosso país cresça, modernize-se, crie empregos de qualidade para todo o seu povo e se desenvolva com justiça social.
Por isso, fomos os primeiros, no Congresso Brasileiro da Indústria Gráfica, em 2011, a propor que o dinheiro para financiar a educação seja equivalente a dez por cento do Produto Interno Bruto (PIB). Tenho certeza de que se destinarmos à formação escolar e acadêmica de nossas crianças e jovens dez por cento de toda a produção e riqueza de nosso país, multiplicaremos isso por dez em pouco tempo. É por isso que nos esforçamos muito para instalar bibliotecas nas cidades paulistas, buscando contribuir para reduzir a carência desses espaços públicos de acesso ao conhecimento.Na estrutura do ensino, o livro só perde em importância para os professores e alunos, mas é um grande aliado e parceiro para que mestres e estudantes, ensinando e aprendendo, construam o Brasil de nossos sonhos!

 
*Fabio Arruda Mortara é presidente do Sindicato das Indústrias Gráficas no Estado de São Paulo (SINDIGRAF-SP), coordenador do Comitê da Cadeia Produtiva do Papel, Gráfica e Embalagem (Copagrem) da Fiesp, presidente da Confederação Latino-americana da Indústria Gráfica e country manager da Two Sides Brasil.

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