Jornal da Educação - ISSN 2237-2164

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2010, o ano da inclusão social no Brasil (Abril/2010)

*Por Carlos Alberto Chiarelli 
 
Promover a inclusão social de pessoas portadoras de deficiência como forma de alavancar o desenvolvimento social e promover a cidadania no Brasil deve estar na pauta das ações de Governo. Propagandas sobre o tema podem ser vistas nos principais veículos de comunicação.
 Um procedimento palpável nesse sentido é a mudança anunciada nas novas cédulas de real. Um dos motivos a essa modificação é o atendimento a uma demanda de deficientes visuais que têm dificuldades em identificar os valores das notas atuais em circulação. As novas cédulas terão tamanhos diferentes conforme o valor, para facilitar a identificação.
 Esta é uma vitória para as mais de 25 milhões de pessoas com deficiência no Brasil que precisam, diariamente, superar preconceitos, acreditar em si mesmo e continuar a ter uma vida ativa, mesmo diante de tantos desafios.
 Sabemos que formatar uma política de inclusão dessas pessoas não é fácil, ainda mais em proporções gigantescas devido ao espaço geográfico de nosso país. Mas, podemos dizer que, cada vez mais, passos fundamentais vêm sendo dados e estão tentando mudar o quadro de marginalização das pessoas com deficiência.
 Já se dá mais importância à inclusão escolar para modificar o cenário atual dessas pessoas. Uma pesquisa realizada em 2003 pela Fundação Getúlio Vargas, por meio do Centro de Políticas Sociais (CPS), mostra que a taxa de abandono, no que diz respeito ao ensino, é muito mais alta entre as pessoas com algum tipo de limitação física ou sensorial, além de comprovar que o tempo que os estudantes com restrições permanecem na escola é muito mais curto.
 Sem acesso à educação e maior entendimento por parte da sociedade, a inclusão social será uma realidade distante e o esforço para que o Brasil se torne um país mais digno poderá ser em vão. A sociedade precisa entender que possui papel fundamental, que começa pelo fim do preconceito e na garantia do acesso à educação.
 Já se está trabalhando em um projeto educacional voltado especificamente para esse fim, que pretende unir a capacidade da EAD aos esforços das pessoas portadoras de deficiência. Multiplicando-se tais procedimentos, o país poderá conseguir, com o tempo, atender eficazmente a todos, sem excluir grande parte da nossa população.


*Carlos Alberto Chiarelli é ex-Ministro da Educação, Doutor em Direito e Presidente da ACED (Associação da Cadeia Produtiva de Educação a Distância)

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