Jornal da Educação - ISSN 2237-2164

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Catumbi - Descendentes de escravos mantém tradição na Igreja do Rosário (Março/2011)

O folguedo afrobrasileiro realizado todos os anos desde 1854, na semana do Natal, em homenagem a Nossa Senhora do Rosário começa a ser preparado em setembro, no dia de São Miguel. Segundo o capelão do Catumbi, Osvaldo Mário Eufrásio, que participa desde os 16 anos, a tradição foi trazida para a localidade pelos ex-escravos Antonio Criolo e Manuel Bangala, que trouxeram também a imagem da santa.   
 
 
Os integrantes fazem a conservação dos paramentos, adereços e tambores rústicos. Somente duas mulheres participam, elas levam as bandeiras da Rainha e do Rei.  
 
Realizado anualmente, o Catumbi de Itapocu é um dos últimos grupos a resistir ao tempo, segundo seu líder, a terceira geração da família a manter a tradição viva, na Igreja Nossa Senhora do Rosário, da qual também é Diacono.
Segundo o Capelão, uma das razões para a preservação na comunidade, é a tradição de acompanhar em cortejo seus membros que falecem até a descida à sepultura. 
“Quando o capitão José Orácio Santana faleceu, a Igreja do Rosário estava cinco anos fechada por ordem do Bispo Diocesano de Joinville. Então, as pessoas viram o cortejo, conheceram o Catumbi e fizeram movimento para nos ajudar a reabrir a igreja e manter a nossa tradição”, lembra o Capelão.
O bisavô, Marcelino Perpetua foi Capitão. Atualmente, além do capelão, três filhos, dois genros, três netos e diversos sobrinhos participam do Catumbi. O filho mais novo, Lidiano Carlos é o capitão.
 “E o que entra na família, entra e começa a participar e, além de tudo, a festa ajuda a aproximar ainda mais a família”, registra orgulhoso. 
Alguns dos participantes moram em outras cidades e para possibilitar a participação de todos, a cerimônia principal, a Festa de Nossa Senhora, até então realizada no dia 26 de dezembro, passou a ser no dia de Natal. 
Além da cerimônia anual, o grupo participa de diversas festas à Senhora do Rosário para as quais é convidado ao longo do ano. Em 2010, o Catumbi de Itapocu se apresentou na cerimônia do Dia da Consciência Negra.
 
 O Capelão Osvaldo é a terceira geração da família no Catumbi
 
Preparativos começam em setembro
Os primeiros passos para a realização dos festejos têm início no dia 29 de setembro, dia de São Miguel. De lá ao final do ano, até anos atrás, o Catumbi percorria comunidades próximas como Barra Velha e Barra do Sul para divulgar a festa. Em tempos de internet e muito trabalho,  alguns integrantes visitam empresas e famílias pedindo donativos para a festa. 
No dia 16 de dezembro começam as novenas. “A festa serve para manter a igreja e o próprio Catumbi. Às vezes, fazemos também bailes durante o ano. Em tempos antigos, a festa era totalmente gratuita para a população, como ainda é em Itajai, mas hoje já não pode ser assim”, explica o ex funcionário do DNIT aposentado. 
No dia 23, são coroados o Rei e a Rainha e no dia 24, acontece o baile de confraternização do casal real. Além do rei e da rainha são escolhidos o juiz e juíza, casais que receberão o Catumbi oferecendo um almoço aos integrantes e a convidados. A ornamentação da igreja e da cerimônia de coroação também é obrigação do casal real. 
“Todo ano é difícil escolher porque sempre tem diversos candidatos. Mas as pessoas que fazem promessas, têm preferência. Se não tiver ninguém que fez promessa, faço um sorteio”, explica o Capelão do Catumbi. O juiz e a juíza são o primeiro casal da lista de substituição para o caso de acontecer algo ao Rei ou a Rainha e falharem em sua missão. 
 

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