Jornal da Educação - ISSN 2237-2164

Projeto Eu Vivo Aqui
Benedito Novo

Benedito Novo completa 44 de emancipação sem hino oficial

     O núcleo Benedito-Timbó englobava também boa parte das terras em que hoje estão instalados os municípios de Rio dos Cedros, Benedito Novo, Doutor Pedrinho e Rodeio, todos colonizados, na mesma época, como extensão da Colônia Blumenau. Quem navegasse pelo vale do rio Benedito ou do rio do Cedro, seguia geralmente com o hábil canoeiro, o mulato Benedito.

     Os primeiros colonos alemães a se fixarem na confluência entre o rio Benedito e o rio dos Cedros, vindos da Pomerânia, antiga província do norte da Alemanha, acompanhando os movimentos colonizadores promovidos por Hermann Blumenau, já encontraram moradores brasileiros e descendentes de portugueses.

     O canoeiro Benedito (velho) teria guiado, com habilidade também aos pioneiros de Benedito Novo, os imigrantes Joseph Peyerl, Johan Maus e Anton Werling. Não se tem registro da data exata de chegada de Benedito,  mas em fevereiro de 1863, o mulato  teria abastecido de cachaça, o cantil do canoeiro Ângelo Dias, que acompanhava o agrimensor Augusto Wundervald em suas excursões ao rio Benedito e dos Cedros, com o objetivo de traçar uma estrada entre a Colônia Blumenau e a Colônia Dona Francisca (Joinville).

     A região em que hoje se localiza o município de Benedito Novo era parte da área colonizada sob a administração de Frederico Donner. A colonização teve início na região de Timb em seguida, as novas levas de colonos foram sendo instalados às margens do rio Benedito. Alguns colonos adquiriram lotes nas confluências dos ribeirões Dona Clara, Santa Rosa, Russos, Tigre e Antas. A administração de Donner estendiasse até a comunidade conhecida como Salto Donner.

     Os primeiros moradores, de origem alemã, fixaram-se entre Santa Rosa e Tigre, formando o primeiro núcleo de Benedito Novo. A data provável de início da colonização, esta entre 1876 e 1885. Dados oficiais estabelecem que Benedito Novo foi fundada em 1880, por Joseph Peyerl, Johann Maus e Anton Werling.

Dificuldades e desafios

     Na colônia, os imigrantes eram acomodados em barracões de madeira  até serem conduzidos aos lotes destinados. Os homens partiam na frente para a derrubada da mata e construção de choupanas feitas de troncos de palmito.

     As canoas eram o único meio de transporte. A anta, o principal alimento e o palmito, além de alimento, era usado como madeira na construção das primeiras habitações (casas e ranchos). As primeiras casas, com a madeira do palmito, foram financiadas pelo Governo Imperial do Brasil.

     Os primeiros habitantes conviveram com o temor dos ataques dos índios botocudos. Acuados pelos batedores do mato (ou bugreiros) contratados pela empresa colonizadora para “proteger” os colonos, os índios atacavam aqueles que consideravam invasores de suas terras e ladrões de seu alimento. 

     Alguns colonos chegados ao povoado Benedito-Timbó, provavelmente em 12 de outubro de 1868, tomaram parte de expedições de bugreiros. Júlio Vogel e Gottfried Reif tomaram parte na destruição de um acampamento de “bugres”, na localidade de Santa Maria. Otto Schulcart, outro bugreiro, praticamente dizimou uma tribo de Botocudos, acampada próximo a serra São João.

     Não há obviamente registros da quantidade de nativos existentes na região na época da colonização, especialmente porque as tribos eram nômades, mas em 1914,  400 famílias teriam saído da região pacificamente. E em 1940, restavam apenas 22 famílias na cidade.

Travessia difícil

     A travessia dos diversos rios que cortam a região era uma das grandes dificuldades para a chegada de mantimentos, pessoas e equipamentos aos núcleos habitacionais.
Em 1880, Eugênio Uber recebeu a incumbência de alargar a precária via que era a “Picada de Rodeio”, transformando-a em estrada carroçável, embora bem rudimentar.  

     A primeira ponte sobre o Rio Benedito foi inaugurada no dia 27 de agosto de 1893.
Frederico Donner abriu a primeira casa comercial do núcleo colonial, instalou a primeira atafona e exportava, já por volta de 1900: banha, manteiga, frutas e em troca importava rendas, trigo e tecidos.

     Além de grande comerciante e participante ativo da vida comunitária, o fundador de Benedito-Timbó construiu uma balsa sobre os rios Benedito e do Cedro e, mais tarde, com o auxílio do governo federal, um pontilhão para o trânsito de carroças, trabalhou para a ativação do canto coral, de salão de bailes e de corridas de cavalos. Era uma espécie de representante local da direção da Colônia.

Registros da colonização   

     Poucos são os registros documentais da chegada dos primeiros colonos à região. Um relatório, colocado na Pedra Fundamental da Igreja Evangélica de Confissão Luterana de Benedito Indaial, registra que a colonização de Benedito Novo teve iniciou em outubro de l885. Os pioneiros foram alemães das províncias da Saxônia, Mecklemburgo, Pomerânia, Brandemburgo e Baden.

     Entre 1888 a 1891 entraram muitos novos colonizadores e ocuparam o Ribeirão dos Russos, assim denominado por causa dos imigrantes alemães originários da Polônia, que na época pertencia à Russia, Tifa Santa Rosa, Ribeirão das Antas, Ribeirão Prochnow (nome do primeiro morador-pomerano), Ribeirão Tigre, Ribeirão dos Carvões, Santa Maria e Benedito Alto.

     Os poloneses chegaram entre os anos de 1877 e 1900. Mesma época em que vieram os imigrantes italianos vindos de Tirol (norte da Itália), de Rodeio, e Ascurra. Os italianos fixaram residência  principalmente em Santa Maria, Pinheiros, Ribeirão do Campo e Rio Ferro (e Dr. Pedrinho).

     A chegada de novos imigrantes italianos, em 1923, em Doutor Pedrinho e Santa Maria e dos poloneses, em 1932, nas regiões de Antas e Pinheiro deu novo impulso ao desenvolvimento da cidade.

Nova pátria

     No dia 17 de julho de 1932, o capelão Bail chega no extremo norte de Benedito Novo (hoje Rio Lima-Dr. Pedrinho),  com duas dezenas de jovens alemães católicos, com idade média de 20 anos. Eles iriam construir o núcleo de colonização alemã “Neue Heimat”.

     Três levas de imigrantes vieram para a “Nova Pátria”. Na segunda e na terceira leva, vieram os casais. Dos rapazes da primeira turma, alguns retornaram à Alemanha para casar, como foi o caso de Alois Doemer, pai de Siegfried Doemer, que nasceu em 1938 na colônia. Duzentas famílias compunham a colônia. Entre os casais, Karl e Crescência Schwarz, que mais tarde mudou para a sede de Benedito Novo.

     Na colônia havia uma infra-estrutura bastante complexa para as condições de vida da época. Financiada por Adolf Hitler, a “Neue Heimat” foi uma das primeiras localidades de Santa Catarina que possuía luz elétrica própria e ruas iluminadas. Havia também um hospital, médicos e enfermeiras, cinema, açougue, igreja, escola, salão de festas e um automóvel. Com o fim da Guerra e o Movimento de Nacionalização implementado por Getúlio Vargas, a Colônia foi abandonada. Em 1957, o último imigrante deixou o Rio Lima.

Desenvolvimento

     A agricultura foi um dos pilares da economia do município, desde os primeiros anos da colonização. Comercializando fumo, leite, feijão, arroz, milho e madeira os colonizadores sobreviveram e cresceram. As primeiras casas comerciais vendiam de tudo, desde alimentos a implementos agrícolas.

     A casa comercial da família Schmidt, fundada em 1915, em Santa Maria, vendida, mais tarde, para a família de Tercílio Longo atendeu àquela comunidade. A família Schmidt transferiu-se para Baixo Santa Maria. A casa comercial dos Wege, estabelecida desde 1910, onde hoje reside a família de Darcy José Poli, é também uma das mais antigas. Clemens Kretzschmar instalou o primeiro comércio em Santa Rosa. Leopoldo Koprowski em Alto Benedito Novo e Hans Schleifer, no centro.

     O mercado Schleifer funcionou no local em que, em 1912, foi instalada a Cooperativa Agrária Mista de Benedito Novo, cujo primeiro presidente foi Anton Werling. Os produtos produzidos na região passaram a ser vendidos para agroindústrias, como a Cia Lorenz, em Timbó, e a Cia Schroeder, em Indaial. A antiga COBENO, em 1958, contava com 596 sócios e em 1983, foi incorporada pela CRAVIL.

     As cooperativas eram uma espécie de posto de trocas para os colonos. Nela eram depositados os produtos cultivados daqui e adquiridos, geralmente em base de troca, os produtos não produzidos nas propriedades locais. Neste sistema de troca, a Cooperativa atuou até a década de oitenta.

     Em 1935, foi fundada a Cooperativa Agrária Liberdade, com sede em Alto Benedito Novo, com 375 associados em 1958, esta cooperativa possuía uma filial na Barra São João e encerrou suas atividades por volta de 1980.

Os caminhos do progresso

     O leito da Rodovia SC- 477, que liga Benedito Novo aos municípios de Rodeio, Timbó e Doutor Pedrinho, foi aberto pela empresa  Bona & Cia, entre 1910 e 1920, ligando Benedito Novo a Rodeio.

     Nas décadas seguintes, outras empresas foram sendo contratadas para dar continuidade a abertura da estrada.

     A pavimentação  da primeira parte foi inaugurada em 1982. Outros dois treches em 1985 e 1989. O trecho entre Doutor Pedrinho e Itaiópolis ainda não é asfaltado.

     Na década de 40, em plena 2a Guerra Mundial, o professor Agostinho Baruffi, natural de Luiz Alves, ensinava as primeiras letras às crianças que freqüentavam a Escola Pública localizada na região central de Benedito Novo. Em sua homenagem, a  Biblioteca Municipal, inaugurada no dia 21 de março de 1989 recebeu seu nome.

     A Farmácia Popular, do boticário, Jorge Schültz Júnior, era uma espécie de porto seguro, onde os doentes eram acolhidos e recebiam o tratamento prescrito pelo misto de farmacêutico e médico, geralmente o único profissional de saúde à disposição dos moradores naquela época. Nas farmácias, ou boticas, os moradores dos pequenos povoados, encontraram a cura para a maioria de suas enfermidades.

     Na mesma época, Crescencia Schwarz, além de fazer o parto, mantinha uma enfermaria para os recém-nascidos que precisavam de atenção especial, em sua residência. Era a semente do hospital municipal, inaugurado em 1966.

Patrimônio cultural

     A igreja evangélica de Confissão Luterana de Ribeirão Liberdade, recebe vários fiéis com a frase “Ein Fest Burg is Unser Gott” (Um Firme Castelo é Nosso Deus). Considerada uma das maiores do gênero enxaimel, foi tombada como Patrimônio Histórico Cultural em 1988, pelo Ministério da Cultura.

     Fundada em 27 de abril de 1927, sua primeira torre foi erguida no ano de 1934, ano em que a Igreja serviu de escola para as crianças que moravam naquela localidade.

 

 

 

 

 

Fontes:
Pesquisa dos Alunos da EEB Teófilo Nolasco de Almeida, em 2003
BUZZI, Gelindo S. Centenário de Timbó – A Pérola do Vale 1869 – 12 de outubro – 1969, Timbó (SC), 1969.
História de Santa Catarina, 1º Volume, Grafipar, 1970.
Enciclopédia dos Municípios Brasileiros, XXXII Volume, IBGE: Rio de Janeiro, 1959.
Jornal da Educação, Joinville, Setembro de 2003
SCHÜTZ, Heinz . Da Porta da Farmácia Edição do autor. Indaial, 1990.

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