Jornal da Educação - ISSN 2237-2164

Projeto Eu Vivo Aqui
Guaramirim

Guaramirim - Terras da Realeza

     É impossível escrever a história de Guaramirim sem escrever também a história de Joinville, Jaraguá do Sul e Blumenau.  As terras em que hoje está situada a cidade de Guaramirim eram parte integrante do dote de casamento da Princesa Dona Francisca, filha de D. Pedro I, com o príncipe de Joinville, filho de rei da França Luiz Felipe I. Em 1848, com a Revolução Francesa, o Rei Luiz Felipe é exilado na Inglaterra e o patrimônio da família real, em terras francesas, é confiscado.

     Naquele ano, a Europa e, particularmente a Alemanha, passava por uma grande crise econômica. A maioria da população alemã vivia na miséria e resolveu emigrar em busca de terras que lhe permitissem viver em melhores condições. A América do Norte era o destino preferido, mas havia alguns alemães querendo colonizar a América do Sul. Dentre eles, o Dr. Hermann Blumenau e o Senador de Hamburgo Cristian Mathias Schroeder que assinou, em 1849, um contrato de exploração de oito, das 25 léguas quadradas (48km2) do Domínio Dona Francisca (denominação das terras dotais da princesa brasileira), com Leonce Aubé, procurador do Príncipe de Joinville.

     O Decreto l.537, de 15 de maio de 1850, do Governo Imperial Brasileiro, oficializava a transação e, em março de 1851, chegavam os primeiros colonizadores nas terras negociadas dando-se início à colonização da região. Mais tarde, a Sociedade Colonizadora Hamburguesa foi adquirindo mais    áreas de terras do Domínio Dona Francisca e foi também responsável pela fundação das colônias de São Bento, Guaramirim, Jaraguá, Shroeder e Corupá. Imigrantes europeus, principalmente alemães,  foram instalados por praticamente todo o Domínio Dona Francisca.
Em 1866, no dia 15 de março, é criado o município de Joinville e as terras onde hoje está localizada a cidade de Guaramirim são um Distrito do novo município.  As demarcações das terras, em parte alagadiças e tidas como impróprias para a colonização agrícola, se deram após algumas tentativas frustradas, em 1876. A expedição chefiada pelo fundador de Jaraguá, Emílio Carlos Jourdan partiu de Joinville, passando por São Bento e voltando, via localidade de Brüderthal e Estrada do Sul, a Joinville, quarenta dias depois. A missão de estabelecer os limites das terras do Domínio Dona Francisca (sede Joinville) e do dote de casamento da Princesa Isabel em seu casamento com o Conde D’Eu (Jaraguá do Sul) foi cumprida. 

     A expedição de Jourdan abriu uma picada, que seria a primeira ligação por terra entre Joinville e Blumenau, dando início definitivamente à colonização das cidades desta região.

Primeiro núcleo

     No ano de 1886, chegam os primeiros colonizadores, um grupo de três Bálticos que se estabeleceu na localidade de Brüderthal. Embora tendo imigrado como cidadãos alemães, os russos formaram o primeiro núcleo populacional da localidade, sob a liderança do Pastor Wilhelm Lange. Mais tarde, os Bálticos e seus decentes emigraram para outros estados e muitos retornaram à Europa. Em 1877, já havia dezessete famílias teuto-brasileiras estabelecidas no bairro Itapocu.

     Mas o marco inicial de Guaramirim (Shroeder e Massaranduba) está registrado com data de 1887, quando um grupo de colonos que se dirigia à Colônia Jaraguá atracou com o Vapor Desterro, no Porto de São Francisco do Sul, estabeleceu-se às margens do Rio Itapocu. Sob a liderança do professor Gustav Doubrawa o novo povoado recebeu a denominação de Bananal. Doubrawa foi escolhido pelo Pastor Wihlem Lange, de Brüderthal, para lecionar na escola para os próprios moradores. As aulas tiveram início em 1892.

     Um novo impulso ao crescimento da região aconteceu em 1907, com a criação, pelo Governo Federal de Nilo P. Peçanha, do Núcleo Colonial Barão do Rio Branco, desmembrado do Domínio Dona Francisca. Embora criado em 1907, o levantamento topográfico e a demarcação dos lotes teve início somente em 1911. Sob o comando do Instituto de Colonização Federal (Ministério da Agricultura) foi desmembrada uma gleba de 198 lotes rurais. E construída uma sede na qual foram edificadas quinze casas para colonos, uma escola, o correio, a cadeia, uma praça com serviço de meteorologia, um barracão para imigrantes, casas para os funcionários do núcleo e a Capela São José.  A ocupação legal se deu mais efetivamente a partir de 1913.

Mudança da sede e nome

     A implantação da Estação Ferroviária de Bananal, em 1910, edificação mais antiga da cidade, deslocou a sede do povoado para as imediações da Estação. A estrada de ferro ligando São Francisco do Sul a Porto União facilitava à colonização das áreas próximas à estrada.

     Os primeiros imigrantes iniciaram um núcleo habitacional com o nome de Itapocuzinho, mas a Resolução nº 281, do dia 2 de junho de 1919, criava o Distrito de Paz , com a denominação de Bananal. O deslocamento do núcleo habitacional para as proximidades da Estação Ferroviária  e a vinda de imigrantes de outras nacionalidades como italianos, açorianos, poloneses e africanos contribuíram para a criação do Distrito de Bananal, no dia 19 de março de 1921 e a elevação à  categoria de Vila no dia 1º de Dezembro de 1938. Entretanto, somente em 1944 a Vila tinha seu nome alterado para Guaramirim.

Nasce um novo município

     Mas apesar do crescimento constante e do aumento da população local, no dia 30 de dezembro de 1948, pela Lei nº 247, o Governador Aderbal Ramos da Silva, criou o município de Massaranduba (emancipando-o de Blumenau) e anexou ao território de Massaranduba, o Distrito de Guaramirim.

     O povo guaramirense não acatou a decisão governamental e sob o argumento de que Guaramirim era um centro maior do que Massaranduba e detinha os serviços essenciais e a ferrovia exigiu a transferência da sede do novo município para sua cidade. Sob a pressão da população e dos políticos locais, o Governador do Estado não teve outra alternativa a não ser revogar a lei anterior e sancionar outra, no dia 18 de agosto, de nº  295, criando o município de Guaramirim, tendo Massaranduba como seu Distrito. A instalação festiva do novo município se deu no dia 28 de agosto de 1949. José M. Pires foi o prefeito provisório e nomeado para viabilizar o processo eleitoral que elegeria, Emílio Manke Júnior, que tomou posse no dia 30 de setembro daquele ano.

     O território do novo município tinha incluído, além do Distrito de Massaranduba, a localidade de Schroeder. Apesar de ter sido sede do município por alguns meses, Massaranduba conseguiu sua autonomia política e administrativa somente em 1961, pela Lei Estadual nº 746, de 29 de agosto de 1961. A instalação do novo município se deu no dia 11 de novembro daquele ano. Emílio Manke Júnior foi também o primeiro prefeito eleito daquele município.

     Já a localidade de Schroeder, elevado à categoria de Distrito em 1958, foi desmembrado de Guaramirim pela Lei Estadual nº 968, de 4 de junho de 1964, sua instalação festiva no dia  3 de outubro de 1964 e o primeiro prefeito Ludgero Tepassé. Após os desmembramentos, a área total do Município hoje é de 243,20km2.

Economia diversificada

     A economia basicamente agrícola dos tempos coloniais foi drasticamente modificada pelo implemento do governo  com a inauguração da Estação Ferroviária. Os anos trinta trouxeram novos imigrantes, a maioria de italianos já familiarizados com o processo industrial instalado na Europa. Com eles, teve início a industrialização com destaque para a indústria de açúcar, cachaça e cerâmica.

     Somente na década de setenta, acompanhando o crescimento de toda a região, se dá um novo ciclo de crescimento industrial. Nesta década se instalam a indústria moveleira, de conservas, massas alimentícias, metalurgia, tintas e vernizes e do vestiário.

 

 

 

 

 

Fontes:
1) Guaramirim em Dados, edição de Agosto de 2001, coordenação e pesquisa  de Tito Flávio Teixeira da Fonseca e Elvira Maria Radwanski.
2) Emerdörfel Filho Victor. A Primeira História de Guaramirim. Ed. Correio do Povo, 2001, Jaraguá do Sul – SC
3) Arquivo Histórico de Joinville

*Pesquisa e texto: Jair Tomelin é pesquisador da história de Guaramirim.
*Maria Goreti Gomes é jornalista, professora e mestra em  Educação e Cultura pela UDESC.

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