Jornal da Educação - ISSN 2237-2164

Projeto Eu Vivo Aqui
Indaial

Brasileiros habitavam a região de Indaial antes dos imigrantes

     A origem do povoamento de Indaial é semelhante à do município de Blumenau: nasceu primordialmente do esforço de imigrantes colonizadores que vieram em contingentes de várias procedências do continente europeu. À proporção que o Dr. Hermann Blumenau foi estendendo, para leste, na direção das cabeceiras do rio Itajaí-açú, a medição e ocupação dos lotes da Colônia que fundara em 1850.

     A ocupação  do atual território do Município teve início de fato no tempo da guerra do Paraguai, desde 1860, por famílias brasileiras vindas de Armação, Itajaí, Camboriú e Porto Belo, que construíram suas choupanas à margem esquerda do rio Itajaí-açú, derrubaram a mata virgem e fizeram as primeiras plantações.

    Este núcleo populacional denominado Carijós e localizado na barra do rio Benedito, o Dr. Blumenau planejou transformar em vila, que poderia ser a sede de distrito da Colônia de Blumenau. Por esta razão, procedeu-se ali a reserva de lotes para construção de prédios públicos como escolas, igrejas, cemitérios etc.

O primeiro nome foi Carijós

     O primeiro povoado, Carijós, no entanto, devido às dificuldades naturais em que nasceu, sobretudo a impropriedade topográfica, não alcançou o esperado progresso e logo foi suplantado e até mesmo absorvido por um povoado próximo, surgido em época posterior na margem fronteira do rio Itajaí-açú - Indaial.

     Em 1863, o Engenheiro Emílio Odebrecht, da colônia de Blumenau, subiu o rio Itajaí-Açú, até a confluência dos rios Itajaí do Sul e Itajaí do Oeste registrando, em seu diário, a existência de habitações na barra do rio Benedito, onde hoje se ergue a cidade de Indaial.

     No ano seguinte, Emílio Odebrechet, numa expedição feita a Lages e Curitibanos, obteve os elementos necessários para proceder à abertura de uma picada ligando Blumenau ao planalto. Essa picada, em 1874, se transformou no picadão de cargueiro que, durante muitos anos, foi a única ligação entre o vale do Itajaí e Lages. 

     Em 1872, tendo terminado de fazer o levantamento geral do vale do Itajaí, Emílio Odebrecht elaborou um mapa geral da colônia de Blumenau, onde aparece, pela primeira vez, o povoado de Indaial, ali mencionado como “Carijós”.
Vitor Peluso, em Rio do Sul em uma Monografia Estatístico-descritiva, menciona também o fato de que a primeira corrente de povoação já habitava o vale do rio Itajaí-Açu antes da fundação de Blumenau. Com o estabelecimento da colônia de imigrantes alemães, a população já estabelecida ficou na vizinhança do núcleo, até que o desenvolvimento deste obrigou os sertanejos a se deslocarem para terras ainda não ocupadas. Uma parte foi subindo constantemente o curso do Itajaí-Açú, pelo picadão de Curitibanos.

     Assim, as famílias brasileiras venderam “suas posses” e “propriedades” aos colonos estrangeiros, por ocasião da medição das terras. Os primeiros imigrantes proprietários de lotes foram Júlio Stadali, Guilherme Schroeder, Augusto Rechberg, Frederico Nagel, Detelew Krambeck e Adolfo Bernack.

Local de repouso

     Tudo indica que o local foi, a princípio, um ponto de pouso. Quem subia de Blumenau ou descia de Curitibanos, terminava uma etapa de viagem, descansando à sombra das Palmeiras Indaiá (origem do nome da cidade). Quem demandava o vale do Benedito ou do Cedro, havia de seguir com o mulato Benedito. E este tinha apenas uma canoa para o transporte de cargas, na época da fundação de “Carijós”, nos primórdios de Indaial. Dizem que da grande utilidade do mulato Benedito, o rio e o vale ficaram com o mesmo nome.

     O povoado foi transformado em sede do Distrito de Indaial (ou Paz), pela Lei Provincial nº 1.116 de 4 de setembro de 1886, a pedido dos blumenauenses. Sete anos mais tarde, a Lei estadual nº 92, de 4 de outubro de 1893 elevou o distrito à categoria de Município. O objetivo era castigar os políticos blumenauenses, opositores (inclusive belicamente) do governador da Província de Santa Catarina (Manoel Joaquim Machado e seu vice Elyseu Guilherme da Silva). Entretanto, o decreto estadual nº 189, de 29 de maio de 1894, extinguiu o município, que voltou à categoria de Distrito de Blumenau.

     O Interventor Federal em Santa Catarina, Aristiliano Ramos, considerando a população e o desenvolvimento econômico alcançados pelo Distrito, outorgou a Indaial, por meio do Decreto Estadual nº 526, de 28 de fevereiro de 1934, restaurou a condição de município a Indaial, desmembrando-o de Blumenau. No dia 21 de março, do mesmo ano, o município era festivamente instalado. Por força do Decreto estadual nº 529, de 28 de fevereiro de 1934, criou-se a comarca de Indaial, instalada no dia 15 de abril daquele ano.

A cultura como herança

     A população da cidade herdou dos imigrantes alemães e da miscigenação italiana e polonesa a habilidade produtiva, o folclore, as tradições na música, festas, danças, arquitetura e gastronomia. A cultura de seu povo, sempre cultivada com a característica dos europeus colonizadores, é  sua maior riqueza.

     Indaial tem hoje uma área de 466 Km2 e  41342 habitantes. Com 466 indústrias, 1100 estabelecimentos comerciais, mais de 780 profissionais liberais, 5186 alunos matriculados em escolas da rede municipal, 4410 nas escolas da rede estadual, além de 1300 alunos matriculados no NAES e 120 na APAE, o município é sede da Assoação Educacional Leonardo da Vinci (ASSELVI) – Faculdades Integradas do Vale do Itajaí.

     Situada às margens da rodovia BR-470, no Médio Vale do Itajaí, também chamado de “Vale Europeu”, o município tem seu orçamento decidido pela população de modo participativo desde 2001. O município mentem ainda programas nas áreas de educação, saneamento e saúde,  sendo considerado pela ONU, como uma das melhores cidades brasileiras em qualidade de vida.

     A atividade agrícola do município caracteriza-se por pequenas propriedades, baseando-se na agricultura familiar, constantemente modernizada. Mas por ter herdado dos imigrantes a habilidade produtiva, desenvolveu um parque industrial diversificado e o comércio progressista. Nos ramos da indústria e do comércio destacando-se os têxteis, metalúrgicos, confecções, produtos alimentícios, equipamentos industriais, agrícolas e indústria madeireira.

     Conciliando este avanço com as belezas naturais preservadas ao longo das gerações, o município oferece um convívio com um vale verde, com as Vitória Régia aclinatada há dez décadas, com ribeirões pedregosos próprios à prática de esportes radicais banhados por águas cristalinas, cachoeiras e edificações construídas pelos imigrantes e preservadas em seu estilo original. 

     Indaial possui um excelente potencial turístico, sendo  considerado Município Turístico pela EMBRATUR, conforme Deliberação Normativa nº 432 de 28 de novembro de 2002. Indaial está integrada ao Programa Nacional de Municipalização do Turismo (PNMT) desde 1995.

Congresso da Cidade

     A população de Indaial participará de uma nova fase na vida da cidade participando do Congresso da Cidade, lançado no dia 19 de março, como parte integrante da 33ª FIMI - Festa  de Instalação do Município de Indaial. Com duração de um ano, previsto para terminar somente em 21 de abril de 2004, o Congresso da Cidade discutirá a cidade como um todo, fazendo um diagnóstico dos principais problemas do Município e discutindo as políticas públicas ao mesmo tempo em que planeja as ações de governo na solução dos problemas e execução dos programas determinados pelo Congresso.

     Ao final do congresso, a população, a sociedade organizada e o poder público terão definido o programa de atividades para transformar Indaial numa cidade ainda melhor.

 

 

 

 

 

Fontes:

STANGE, Erich  Instantâneas Históricos de IndaialMemoraízes. Blumenau: Editora e Gráfica Odorizzi, 2000
JAMUNDÁ, Theobaldo Costa Indaial-Muncípio do Vale do Itajaí-Açú, Blumenau: 1943
História de Santa Catarina, 1º Volume, Grafipar, 1970
Lei nº 664, de 2 de fevereiro de 1972
Internet: www.indaial.sc.gov.br (3/2003)

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