Jornal da Educação - ISSN 2237-2164

Projeto Eu Vivo Aqui
Itapoã

Os povoadores de Itapoá chegaram por mar e por terra

      Os primeiros habitantes das terras, hoje pertencentes ao município de Itapoá, foram os índios Carijós. As mesmas terras pertenciam ao município de São Francisco do Sul desde 1504, quando chegaram os primeiros colonizadores europeus, até 1966, ano da emancipação de Garuva e elevação de Itapoá, para a categoria de Distrito de Garuva.

     Enquanto ainda era São Francisco do Sul as terras abrigaram os franceses integrantes da Colônia Industrial, conhecida na região como Colônia do Saí. O Falanstério do Saí, organizado por Benoit Jules Mure, em área territorial atualmente pertencente aos municípios de Itapoá, Garuva e São Francisco do Sul, fundado em 1842, tinha suas bases nas doutrinas socialistas de Francisco Maria Carlos Fourier, o precursor do socialismo moderno.

     A experiência socialista fracassou, mas as terras férteis e as belezas naturais da Península do Saí, continuaram a atrair os europeus e alguns descendentes das famílias falansterianas, que vieram em busca do sonho socialista, aqui permaneceram e contribuíram para povoar as terras continentais da então, São Francisco Xavier. 

     Os primeiros brancos chegaram às terras de São Francisco do Sul por mar. Os franceses deslocavam-se pela estrada Mangin, que partindo da casa de Picot, levava, através de dezessete pontes ou pontilhões e depois, em terreno acidentado, à planície do Saí-mirim, local em que instalaram o falanstério.

Picadas foram transformadas em estradas

     O acesso por terra para Itapoá era feito por picadas e picadões. Somente em 1957, a empresa SIAP – Sociedade Imobiliária e Pastoril Ltda, deu início a construção da estrada da Serrinha, também denominada Sol Nascente. A estrada, com uma extensão de 27,7 km ligava Itapoá  a Garuva.  Em 30 de novembro de 1990, a estrada passou à responsabilidade do 1º DER – Distrito Estadual Rodoviário e recebeu a denominação de SC 415. 

     Na década de 1950, Itapoá  ainda pertencia ao Município de São Francisco do Sul. E eram três as aglomerações populacionais: Colônia da Barra do Saí  (ao norte da localidade); Colônia de Itapema (ao centro); Colônia do Pontal (confrontando com São Francisco do Sul).

     A ligação por terra e o crescimento dos núcleos populacionais, bem como as dificuldades  por parte da administração de São Francisco em atender às necessidades da comunidade, resultou na formação de um movimento popular pela emancipação de Garuva e Itapoá.

     Em 1962,  Itapoá é elevada a categoria de  distrito do novo município de Garuva. Em 1963, tem início o projeto de construção de um segundo acesso a Itapoá. As primeiras picadas, foram abertas  em 1965.  Graças  à mobilização  dos moradores.
A obra  teve início em abril de 1969  e foi concluída no dia  17 de novembro de 1970. O nome, “Estrada Cornelsen” é uma homenagem ao maior doador de terras para abertura da estrada, João Cornelsen. Com uma extensão de 9,8 km a estrada também é conhecida como  “Estrada do Sol”.

     Mas o grande sonho era asfaltar o acesso e para isso foi criada, pela Lei 20/97 de  25/03/97  uma taxa de pavimentação e  fundo pró asfalto.  Posteriormente a lei foi revogada e o dinheiro dos munícipes devolvido em forma de descontos no IPTU.

As pontes para a emancipação

     Nessa estrada foram construídas duas pontes. Uma sobre o rio  Saí- Guaçu   - divisa  com o estado do Paraná  -  construída pelo governo do Paraná; e  a segunda,  sobre o rio Saí Mirim,  pelo governo de Santa Catarina. 

     Inicia-se, a partir daí,  uma nova fase  político administrativa,  marcada pela emancipação. O pedido foi protocolado na Assembléia Legislativa do Estado no dia 14 de maio de 1984. A comissão inicialmente liderada por Ademar Ribas do Valle era composta também por Hélio Valmor Corrêa, Ivo Alcides Cezarotto, Valdevino da Silva, Wilson Pires Godoy, Paulo Neres do Rosário, Nilton  José Speck, Domingos dos Santos, João Emilio Speck, João José da Cunha, José João da Silva,  José Alves de Souza e   José Venâncio do Rosário, liderou o movimento que, após dois plebiscitos, realizados em outubro de 1987 e em 4 de setembro de 1988,  resultou na emancipação de Itapoá, pela Lei 26 Lei Estadual N0 7.586, de abril de 1989.

Ocupação e serviços públicos

     Em 1959,  Anésio de Barros Jr,  registrou o loteamento denominado Jardim Pérola do Atlântico, em sociedade com Aníbal C. de Aguiar Fº e Darcy C. Pitaki, dando início à ocupação imobiliária de Itapoá.  Em 1960 os sócios iniciaram a construção do Hotel Pérola, inaugurado em setembro de 1962, com os 17 quartos.

     Em 1970, a Sociedade Comercial Pérola Ltda – SOCOPEL, fundada em 1959 para administrar o loteamento Balneário Pérola.

     A energia elétrica chegou ao  Saí Mirim, Itapoá, Barra do Saí e Figueira do Pontal no final no final da década 1970.  A rede de água chegou na segunda metade da década de 1980.  O primeiro telefone de Itapoá passou a funcionar somente em 1984.
Em 1981, a Escola Isolada Municipal Nereu Ramos, administrada por Garuva, passou a oferecer também ensino de 5ª a 8ª série.  Com uma Associação de Pais e Professores-APP bastante atuante, no ano seguinte, em 1982, as turmas de 1ª. a 4ª séries, também passaram para o Estado. Em 1989, foi encaminhado o processo para autorização de funcionamento do curso de 2o. Grau de Educação Geral. A autorização foi assinada em 5 de dezembro de 1989, e no ano seguinte iniciaram as aulas com uma turma de 21 alunos. A escola passa a ter a denominação de Colégio Estadual Nereu Ramos.

     O itapoaense, neto de imigrantes alemães, Evaldo Carlos Speck, nascido em 1932, iniciou sua vida profissional na lavoura, mas em 1990, instala sua serraria na localidade de Saí Mirim.  Paralelamente ao trabalho, Speck se dedica aos esportes e uma de suas contribuições à comunidade, foi a fundação do Cruzeiro Esporte Clube.

     Frederico Dácio de Souza é neto de Marcos Francisco de Souza, o primeiro colono a se estabelecer na região. Frederico criou-se na lavoura, mas quando adulto, dirigindo tratores, abriu o picadão  que ligou o rio Jaguaruna até o Saí Mirim e de lá ao Motorantin. Depois, instalou uma serraria  na cabeceira do Jaguaruna e, em 1955,  uma casa comercial na Figueira. Filho de Dácio Marco de Souza e de Tarcilia Maria de Souza, Frederico nasceu no dia 28 de agosto de 1922, nas proximidades do Rio Saí Mirim, município de S. Francisco do Sul.

     Descendente de uma linguagem de nativos de Itapoá, Inácio Porfírio dos Santos,  nasceu dia 17 de setembro de 1928, nas proximidades do rio Saí Guaçu. Filho de Alexandre Porfírio dos Santos  e Justina Alexandrina da Conceição, com nove anos, passou a residir com os pais na Barra do Saí, onde  cresceu, trabalhou e constituiu família.  Inácio ainda lembra que por volta de 1950,  a população da Barra do Saí era constituída  apenas por oito famílias.

 

 

Fontes da pesquisa:
Depoimentos de moradores
Enciclopéria dos Municípios Brasileiros,  IBGE- Rio de Janeiro, 1959.
História de Santa Catarina, 1º Volume, Grafipar, 1970.
Apostila da Secretaria Municipal de Educação de Itapoá

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