Jornal da Educação - ISSN 2237-2164

Projeto Eu Vivo Aqui
Massaranduba

A vocação para a agricultura nasceu com Massaranduba

     Em uma das versões da história de Massaranduba, os primeiros colonos a ocuparem terras onde hoje se localiza o Município, nas regiões agrícolas de Campinha (ou Campinas) e Patrimônio, eram germânicos e teriam chegado por volta de 1870, fugindo da crise econômica em que estava mergulhada a Europa e especialmente a Alemanha.

     Os primeiros colonos foram estabelecidos num quadrado de terras devolutas do Estado de Santa Catarina, de 2178 hectares, na localidade de Massaranduba, cuja concessão para a Vila Blumenau, foi oficializada pelo Decreto No 378, de 19 de janeiro de 1867. 

     Historiadores registram que os governos brasileiro e catarinense mantinham, até meados de 1930, política de colonizar o interior do país com colonos de origem européia.

     Boa parte dos imigrantes de outras nacionalidades entrou no Brasil como alemão, porque as empresas colonizadoras do Dr. Blumenau, Hanseática e Hamburguesa, responsáveis pela colonização de quase totalidade dos municípios desta região, eram alemãs. A política de colonização, entre outras medidas, concedia cidadania brasileira a todo imigrante que adquirisse um lote de terras para nela morar  e trabalhar.

     As empresas colonizadoras recebiam dinheiro do governo brasileiro para transportar os colonos da Europa para o Brasil e para mantê-los nos primeiros anos da chegada ao Brasil, até que os mesmos pudessem viver dos frutos de seu próprio trabalho. As dificuldades eram muitas, mas a força dos colonos era ainda maior.

                                                  Terras de todos e  de ninguém

     Alguns historiadores ligam a ocupação de parte das terras hoje pertencentes a Massaranduba, à áreas emancipadas dos municípios de Itajaí, Blumenau, Luís Alves e Guaramirim.

     Mas como as terras nada são sem o ser humano e as cidades surgem a partir do momento em que são exploradas pelo homem, as divergências com os municípios vizinhos, por questões de limites territoriais, são parte da história passada da cidade. Os limites atuais do Município foram definidos pela Lei No 746, de 29 de agosto de 1961.

     As terras da localidade de Massaranduba, de propriedade do Governo do Estado de Santa Catarina, foram transferidas para a Vila de Blumenau, desmembrada de Itajaí, pela Lei Provincial No 860, de 4 de fevereiro de 1880,  pelo Tenente Manoel Joaquim Machado, Presidente da Província de Santa Catarina,  no dia 15 de abril de 1893.

     Theodoro Kleine concluiu o relatório das anotações referentes à demarcação e medidas dos primeiros lotes feitos por Oscar Schippmann, no dia 7 de agosto de 1898. O relatório de Kleine foi depositado no patrimônio municipal, no dia 20 de novembro de 1922, apresenta os nomes dos 29 primeiros proprietários de lotes na região.

     De acordo com os registros da Diretoria de Terras e Colonização do Estado de Santa Catarina, na medição de 1890, o lote de No1, localizado na margem direita do rio Massaranduba, com área de 258 259 m2, pertencia a Wilhem Leu e Guilherme Zilsw. O lote fazia limites com o rio ao Norte, com terras devolutas ao Sul, com lotes de Itoupava Rega, a Oeste; e a Leste, com o lote de No3.

     Os germânicos chegados em 1870, puderam adquirir suas terras somente em 1898, após a conclusão da demarcação das terras pelo agrimensor Oscar Schippmann, iniciada em 1875 e finalizada somente em 1892. O início da venda dos primeiros lotes aos colonos já estabelecidos na Campinha e Patrimônio aconteceu a partir de 1893.   

     Em 1900, o povoado já havia criado a primeira escola, na localidade de Massaranduba Alto e inaugurado a primeira casa comercial, de propriedade de Fritz Witte. Assistiu à chegada de imigrantes italianos e poloneses em 1908.  Mesmo ano em que os imigrantes poloneses construíram a primeira igreja de Massaranduba, a Igreja Nossa Senhora do Rosário, na localidade de Braço do Norte.

Mais terras e mais pessoas

     Em 1920, Massaranduba foi elevada a categoria de Distrito de Blumenau, embora com território menor do que o atual. E neste mesmo ano, começa a funcionar a primeira linha de ônibus ligando o Distrito à sede do município.  O Estado continuava a vender lotes na zona rural.

     As tradições germânicas continuaram vivas mesmo após a vinda de imigrantes de outras regiões da Europa e de brasileiros. Para manter uma das principais tradições alemãs, em 1922, foi fundada a Sociedade Desportiva e Recreativa Tiro ao Alvo Massaranduba.

     O agricultor Germano Reinke resolveu expandir suas atividades profissionais e em 1925, implantou a linha de ônibus Massaranduba a Blumenau, que partia do cruzamento de Massaranduba com Rio Branco e Guarani-Açú. Mas a energia elétrica chegou somente em 1945. O Cartório de Registro Civil e Tabelionato foi instalado em 1949. 

     Em 1948, Luiz Alves perdeu 124 quilômetros quadrados de terras, o equivalente a 10,7% de sua área. Além do território, 2298 habitantes foram transferidos para o novo município de Massaranduba. Luiz Alves passou a limitar-se com Massaranduba no ponto mais alto do Morro dos Cachorros.

     Neste mesmo ano, Massaranduba foi emancipado de Blumenau. Ao mesmo tempo, Guaramirim foi emancipado de Joinville e juntos formaram o novo Município de Massaranduba, tendo Guaramirim como Distrito. José Borges Cordeiro foi o prefeito do novo município que teve apenas nove meses, quando Massaranduba passava a ser Distrito de Guaramirim, que tornou-se a sede do Município.

     José M. Pires foi nomeado prefeito provisório, mas o primeiro prefeito eleito foi o massarandubense Emílio Manke Júnior.

     A Fundação do Hospital Sagrado Coração de Jesus, na localidade de Guarani-Mirim aconteceu em 1950. E, em 2001, são encerradas suas atividades e suas instalações transformadas em um Centro de Medicina Alternativa. 

     O Grupo Escolar General Rondon criado em 1950,  foi inaugurado no dia 28 de janeiro de 1951. A construção da escola foi resultado de doações da população. E nessa escola, que em 1979, o poder público passou a oferecer o ensino de 2o Grau ou Ensino de nível Médio. 

     Em 1958, Luiz Alves foi emancipado de Itajaí, pela Lei Estadual No 348, de 21 de junho. E mais uma vez parte de suas terras é anexada a Massaranduba. Desta vez, foram as terras em que teve origem o Braço Direito, 1o e 2o Braço, Braço Costa, o Braço Seco e 7 de Janeiro.

     A sonhada e prometida autonomia aconteceu somente por meio da Lei Estadual No746, de 29 de agosto de 1961.  Entretanto, a lei criava o município com o nome de Adolfo Konder. Um abaixo assinado da população, fez o governador voltar atrás e o município voltou a ter a denominação de Massaranduba, por força da Lei  pela lei No 772, de 9 de novembro de 1961.

     Tendo sido instalado, no dia 11 de novembro de 1961, na presença do governador do estado de Santa Catarina, Celso Ramos.

     A instalação do novo município se deu no dia 11 de novembro. O prefeito nomeado, Ricardo Witte, permaneceu no cargo até a posse do primeiro prefeito eleito, Emílio Manke Júnior, em outubro de 1962.

     A primeira indústria de Massaranduba, que continua a ser um município essencialmente agrícola, foi instalada em 1962, a Indústria Têxtil Fitema S/A. Em 1968, a Cooperativa Agrícola Mista Juriti Ltda era fundada e dois anos mais tarde, era instalada a Central Telefônica do município.

     Até 1977, a população precisava manter conta bancária em outros municípios, quando o primeiro banco, o ITAÚ, foi inaugurado na cidade. Dois anos mais tarde, era inaugurado o Centro Esportivo Municipal .

     Em 1979, era executado o primeiro projeto de pavimentação da ciade. A então avenida Central  (rua 11 de Novembro) foi calçada.  No ano seguinte, a cidade ganhava ligação asfáltica com os municípios vizinhos, via SC-413 e pela SC-474.

     A agência do Banco do Brasil foi inaugurada somente em 1982, quando o município ganhou também o Posto de Saúde. E já consolidada como a Capital Catarinense do Arroz a cidade realiza, em 1986, a 1a FECARROZ – Festa Catarinense do Arroz. No ano seguinte, nascia a Associação Comercial, Industrial e Agrícola de Massaranduba.

     Organizada, a cidade continua a crescer e passa a oferecer mais serviços e benefícios aos cidadãos. Na década de noventa, o município passa a organizar-se em torno da defesa do meio ambiente, implantado programas e instituições com a responsabilidade de planejar, implementar e fiscalizar ações em defesa do meio ambiente e, do ponto de vista econômico, implementar o turismo.

     Em 1990, foi construído o Portal de entrada da cidade. Entre outras ações, foi criado o Conselho Municipal Agropecuário e Defesa do Meio Ambiente-COMADEMA. Já em 1993, foi inaugurado o primeiro depósito de lixo tóxico na Comunidade Braço do Norte. Também naquele ano, a primeira caixa de água coletiva com filtro, melhora a qualidade da água da comunidade do 1o  Braço do Norte. Depois destas, diversas outras caixas d’água e depósitos de lixo tóxico foram instalados em outras comunidades.

     No mesmo ano, foi implantado o Turismo Integrado entre as cidades de Massaranduba, Jaraguá do Sul, Guaramirim, Schroeder, Corupá e Pomerode. No ano seguinte, era inaugurado o primeiro hotel fazenda do município, o  “Santo Antônio”.
O ano de 1999, assiste à criação do Conselho Municipal de Turismo, iniciando um trabalho definitivo para a construção de uma cultura de turismo no município.

     A novo milêmio  chega com novidades para a cidade. No mesmo ano, 2001, em, que  a direção do Hospital Sagrado Coração de Jesus decide  fechar suas portas no mês de março. Mas a população não ficou completamente sem  atendimento, pois no mês de setembro, tem início o Serviço Municipal de Pronto Atendimento. Em 2004 é dado início à construção do hospital municipal. 

 

 

 

 

 

Fontes:

Enciclopédia dos Municípios Brasileiros, XXXII Volume, IBGE: Rio de Janeiro, 1959.
ADAMI, Luiz Saulo e ROSA, Tina.  Terra Generosa - História de Massaranduba - SC, S&T: Blumenau -SC
Jornal da Educação, Joinville, Agosto de 2002
História de Santa Catarina, 1o Volune, Grafipar. 

Please publish modules in offcanvas position.