Jornal da Educação - ISSN 2237-2164

Projeto Eu Vivo Aqui
São Bento do Sul

São Bento é a Cidade da madeira e dos móveis desde a colonização

     A disponibilidade de madeira de alta qualidade na região e a necessidade de móveis, cabos de ferramentas, equipamentos para a agricultura, carroças, embalagens para os produtos e a presença de imigrantes com experiência em trabalhar a madeira, foram elementos importantes para o surgimento de indústrias artesanais no início da colonização.

     Em 21 de maio de 1883, foi assinada a Lei Nº 1030 que cria o Município de São Bento, desmembrando-o de Joinville que além da erva-mate começava a ter na  madeira serrada  uma fonte de renda para os munícipes.

     São Bento do Sul  no ano de sua emancipação, via nascer a primeira serraria movida a vapor. Construída por Augusto Henning, em Oxford, era mais um passo importante para a cidade descobrir, na transformação da madeira, sua vocação.

     Em 1903, Henrique Muller adquiriu, por meio de importação, uma máquina conjugada de serra fita, serra circular, tupia e furadeira. Outras máquinas foram importadas, copiadas e adaptadas, passando  a ser fabricadas na própria região pelas ferrarias e oficinas satisfazendo as necessidades dos pioneiros do setor madeireiro e moveleiro.

     Da imbuía, do pinheiro e da canela eram produzidos móveis, cabos de ferramentas, equipamentos para a agricultura e carroças. Quem tomou a inciativa de montar pequenas fábricas artesanais foram os prórpios colonos.

A caminho da  exportação

     Há registros de empreendimentos feito  pelo administrador Manoel Gomes Tavares, que em dezembro de 1903, enviava toras de madeira de imbuia e pinho para uma exposição em São Luiz, nos Estados Unidos da América do Norte.

     Ao longo da história, a ousadia, perseverança e espírito empreendedor do são-bentense transformou  o cenário da região e a fez despontar para o mundo.  A pequena cidade cresceu, prosperou e hoje, aos 134 anos é a Capital Nacional dos Móveis além de se destacar nos setores cerâmico, plástico, metalúrgico, fiação e tecelagem.

     Somente  em 1920, apareceria o registro da primeira fábrica de móveis, a Móveis de Vime Euclides Vieira.

     Em outubro de 1921, Martin Zipperer, Jorge Zipperer e A. Ehrl iniciaram a fabricação de cadeiras junto a serraria A. Ehrl e Cia (fundada em 1921-Rio Negrinho), com mais sete marceneiros trazidos de São Paulo.

     O crescimento superou dificuldades como transporte, carência de mão-de-obra, matéria-prima, crises econômicas como as da década de 80, 90 e a atual.

O Milagre da madeira

     Na década de 60, a conjuntura nacional favoreceu São Bento do Sul que se consolidou como o maior pólo moveleiro do estado e um dos mais importantes do Brasil.

     Na região do Alto Vale do Rio Negro, muitos empreendedores aproveitaram os recursos para adquirir terrenos, construir prédios, comprar equipamentos, matéria-prima e modernizar equipamentos, parque fabril e profissionalizar a mão-de-obra. A região, como o restante do país, vivia uma euforia econômica gerada artificialmente, pela presença do capital externo abundante. 

     Com o financiamento de casas populares em larga escala, os empresários passaram a fabricar esquadrias. As novas casas precisavam ser mobiliadas e o modelo produzido na região  de móveis torneados no estilo Colonial, agradou aos consumidores do eixo Rio-São Paulo.

     A imbuia era a matéria-prima preferida. A Weihermann e Zipperer, pioneiras no estilo colonial, logo foram seguidas pelas demais empresas  moveleiras.

     Em parceria com líderes comunitários, foi organizada a Exposição do Centenário ou EXIBE-100. O objetivo era mostrar a pujança industrial e agrícola da cidade. O Slogan "São Bento do Sul-Um Milagre Feito de Trabalho"- parodiava o milagre econômico nacional e consolidava a região como a Capital Nacional do Mobiliário.

     Até a década de 60, o mercado interno era mais atraente do que o externo tanto em qualidade quanto em preço.  Já, a partir da década de 80, os investimentos foram sendo voltados à conquista do mercado internacional, consolidado na década de 90.

     A comercialização de toras e tábuas produzidas pelas serrarias para São Paulo, Rio de Janeiro, Europa e Estados Unidos ganhou impulso com a chegada, em 1913, da ferrovia.

     Os caminhos para o mercado externo, em São Bento do Sul, foram abertos pela Indústria Zipperer, exportando quadros de borboletas para o Japão. A empresa comercializava também  bolinhas de madeira para Aparecida do Norte, em São Paulo.

     Além destas empresas, as indústrias Augusto Klimeck, ou Condor, exportavam diversos produtos que utilizavam madeira em sua composição: pincéis, escovas e vassouras para os mercados Norte Americano, Ásia, África, Europa e diversos países da América Latina. A Indústria Artefama, Móveis Weihermann e Artematic S/A eram  também grandes exportadoras de móveis e artefatos de madeira.

Crescimento e Profissionalização

     A partir de 1970, São Bento do Sul e região passaram por grandes transformações. O número de estabelecimentos trabalhando com madeira e móveis havia crescido pouco nos períodos anteriores, em quantidade e também em número de empregados.

     Com o crescimento do setor, faltou mão-de-obra especializada. O Colégio São Bento iniciou algum tipo de formação para o trabalho, o Senai passou a oferecer cursos para profissionalizar e a  FETEP  promoveu estudos, pesquisas e projetos relacionados, prioritariamente para o setor madeireiro/móveis, além de formar e especializar os trabalhadores do setor e um  convênio com a FURJ (hoje Univille) a FETEP passou a oferecer o Curso Superior de Administração de Empresas em 1984.

A crise dos anos 80

     A crise do final da década de 70 levou ao fechamento de 11 importantes empresas moveleiras da cidade e outras foram vendidas. A maioria dos empresários que resistiu à crise, chegou ao final da década de 80 descapitalizada e com o parque fabril sucateado.  O mercado consumidor dos móveis da região, sempre foi instável. Até porque o móvel não é considerado um produto de primeira necessidade.      

     A partir de 1983 a economia brasileira começa a reagir, mas a inflação continua alta e a indústria entra em  nova crise, greves de trabalhadores surgem em todo o país. A indústria moveleira adaptava-se à realidade e produzia devagar. As principais empresas da região já estavam exportando e o mercado externo substituía em parte o interno que  adaptavam seus modelos aos modelos e estilos dos importadores.

     O mercado externo não era o mais lucrativo, mas naquele momento era o único negócio possível. Os Estados Unidos, o Canadá , Porto Rico e alguns países da América Latina eram os principais importadores de móveis são-bentenses até 1987.

     A recuperação do mercado interno foi lenta e a  indústria moveleria do Alto Vale do Rio Negro entra na década de 90, com diversas empresas exportando 100% de sua produção.

     Mesmo com a crise que afeta o setor moveleiro 8 empresas que oferecem entre 201 a 500 empregos diretos , seis são do setor.

     Entre auges e crises São Bento do Sul tem se destacado diante de outros municípios Catarinenses, sendo eleito em 2007 o Município mais Dinâmico do Estado de Santa Catarina e o 21º do País. O empreendedorismo dos empresários, administradores e dos munícipes faz com que cada vez mais São Bento do Sul supere suas crises e caminhe para um futuro próspero e brilhante.

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