Jornal da Educação - ISSN 2237-2164

Projeto Perfil
Secretários da Educação

Novos secretários implementam ações para diferenciar modelo de gestão

Metas dos novos secretários Municipais de Educação de Joinville e Araquari 

 A partir desta edição, o Jornal da Educação passa a publicar uma série de entrevistas e reportagem que visam traçar o perfil dos novos gestores  da educação nas regiões de atuação do Jornal da Educação: Joinville, Blumenau, Jaragua do Sul, São Bento do Sul e Timbó.  A série de reportagem começa com as entrevistas com os novos gestores de Joinville e Araquari. 

Roque Antonio Mattei, o novo secretário da educação de Joinville é  formado em matemática e Engenharia Civil e mestre em educação. Ainda estudante, começou a lecionar matemática na EEB Dom Pio de Freitas e desde 1986, atua também na ETT-SOCIESC e Colégio Tupy. Já foi professor de ensino fundamental, ensino médio e ensino técnico e superior. Desde 1992, está em cargos de coordenação  do departamento de ensino da ETT-SOCIESC e mais recentemente foi o diretor adjunto de ensino do IST, diretor corporativo de ensino da rede SOCIESC. 

Entre os cargos em entidades comunitárias foi presidente da Associação Congresso da Qualidade na Educação, do Instituto Joinville,  do Núcleo das escolas de Educação Profissional da ACIJ e  da AMPESC – Associção de Mantenedoras Particulares de Educação Superior de SC  por dois mandatos. É conselheiro do Conselheiro do Conselho Estadual de Educação. 

Administrar em rede 

 Uma equipe multidisciplinar composta por cerca de 20 pessoas com experiência na rede municipal e na educação tem auxiliado o professor e engenheiro Roque Antônio Mattei, o novo secretário da educação de Joinville. O objetivo principal é  transformar e gerenciar todos os estabelecimentos de ensino e demais instituições ligadas a sua pasta como uma rede, um grande time. 

Logo no início da gestão, foi contratada uma assessoria externa que estabeleceu o perfil ideal dos gestores escolares e, baseados neste perfil, a equipe avaliou e decidiu pela substituição de cerca de 30% dos 300 gestores. 

O perfil inclui competências comportamentais, como  o comprometimento com as metas e objetivos, liderança e capacidade de relacionamento com pessoas.  E competências gerenciais,  como a de gerenciamento de processos para o que é preciso conhecer, aplicar e multiplicar as melhores práticas e administrar recursos financeiros.

Este perfil criado com base no Estatuto do Funcionário Público e também num perfil de um gestor moderno, foi a base para a análise “de todos os currículos e nomes de pessoas que se colocaram à disposição, inclusive os diretores em exercício”, afirma o secretario. 

As pessoas da equipe multidisciplinar passaram por um treinamento e coordenam um programa de capacitação para todos os gestores que começou em fevereiro e prevê encontros periódicos.  

“Se temos uma rede, temos que trabalhar como um sistema único, uma rede colaborativa, quando se fala em infra-estrutura, melhorar o IDEB, trazer leitura para a sala de aula, trabalhar a questão das drogas, da cidadania, tudo isso pressupõe um gestor local, na escola, com esta visão proativa.  É a pessoa que pensa na rede como uma organização única, um plano de ação, com padrões mínimos de excelência, de trabalho e gestão pública e daquilo que nós vamos dar para à comunidade, que é o beneficiário de nossas ações”, explica. “Essa nova visão de gerenciamento visa resgatar a diretora de escola que é autoridade não só na escola, mas na comunidade.Para isso os diretores tem que ter um perfil não somente de gestora da escola, mas de liderança de equipes, de proatividade e inclusive contribuir com a equipe aqui da secretaria para evitar que a rede sofra, por exemplo, com problemas de interdição, que são previsível”, explica Roque. “Não adianta ter uma equipe aqui na secretaria trabalhando sozinha. Precisamos ter as pessoas lá na comunidade, membros de um grande time, com uma visão ampla do crescimento do entorno da escola. Ter uma equipe de gestão que vai nos trazer as demandas da comunidade e trabalhar em rede também com os demais órgão do governo municipal, como a secretaria de habilitação e da infraestrutura e da cultura”. 

“Cada escola tem que ser um time, uma equipe em que cada um faz a sua parte e o time como um todo, é campeão”, acrescenta.  

Queremos colocar esse time trabalhando para colocar o sistema, a rede, a serviço da comunidade atual, mas com uma visão de comunidade para daqui a trinta anos, quando a cidade terá um milhão de habitantes. Ou seja, a população vai dobrar e cada gestor, cada equipe gestora, junto com a equipe de infra-estrutura vai determinar, vai dizer para nós como vai ser o crescimento daquele bairro e nos vamos providenciar as ampliações, contruções, reformas, etc, o que é nossa obrigação”, completa o secretário.

Roque explica que as secretarias da habitação, social e outras estão trabalhando em rede com a educação e os diretores de escolas precisam estar atentos, por exemplo aos conjuntos habitacionais e loteamentos em andamento no entorno da escola, pois, quando as crianças e jovens mudarem para as novas casas,  as escolas, CEIs, postos de saúde, enfim, todos os serviços públicos já terão de estar funcionando. 

Portal da educação

“A SEC não pode trabalhar sozinha, as diretoras, as Associação de Pais e Professores têm que nos ajudar nisso. Para trabalhar integrados, precisamos de um projeto pedagogico consistente que  pratique o aqui e o agora e planeje para o futuro. E ai entra a questão da tecnologia. 

“Por isso vamos criar um portal da educação onde integraremos as escolas, a secretaria, a biblioteca e, mais do que isso, todo o processo educativo. Queremos levar internet rápida para as escolas, tablet para os alunos e professores, notebook e equipar as salas de aula com tela digital. 

Os equipamento serão implantados primeiramente nas duas escolas com menor IDEB, a  “Silvio Schniekovisk”, no Jardim Paraíso e a “Nilson W. Bender”, no Parque Guarani.

 Burocracia atrapalha

A burocracia própria do setor público nos processos licitatórios é uma das grandes diferenças encontradas por Roque neste novo desafio profissional. “Quando cheguei aqui soube de uma escola que precisa de uma reforma grande, o tramite do processo licitatório inviabiliza a reforma imediatamente. Todo o processo dura cerca de seis meses, a antecedência que um simples projeto de reforma precisa ter no setor público. E aí está mais uma importância do trabalho dos gestores locais”.  

Para  resolver os problemas mais urgentes, a prefeitura tem um grupo de manutenção, que gerencia empresas já licitadas para fazer pequenos reparos. A equipe gerenciada pela engenheira  Rosane Mebs tem a participaçao do Seinfra, da Procuradoria e da Fundema.

Valorização do professor

Entre as marcas pessoais, foi implantada a obrigatoriedade de realizar uma cerimônia cívica de 15 minutos, com hasteamento da bandeira e leitura de uma mensagem do secretário, todas as segundas-feiras no início de cada período letivo. O secretário participa da cerimônia em alguma escola.  

Ainda no mês de fevereiro, o calendário escolar da rede municipal foi reformulado. 

“Temos que cumprir os 200 dias letivos, este é o mínimo que precisamos dar à comunidade. E precisamos também executar um grande programa de capacitação para poder implantar a rede tecnológica nas escolas. Após reformularmos, o calendário ficou praticamente igual ao da rede estadual”, explicou Roque.  

 “Infraestrutura é coisa básica, é condição sini qua non, temos que estar à frente e contar com as gestoras de escolas para mantermos a estrutura em boas condições”.

Por outro lado, “precisamos olhar para Joinville visualizando uma cidade que é pólo em educação, pólo em tecnologia, então precisamos capacitar nossos professores para que eles consigam ensinar os alunos, para esta nova cidade que vem por aí. 

Como vamos levar a tecnologia para as salas e implantar o portal, se os professores não estiverem preparados para usar essa tecnologia?  

Os professores precisam estar preparados para o aluno da geração Y, que está nas redes sociais, usa computadores e está ligado ao mundo em tempo real. Então, eles precisam incluir estes equipamentos em suas aulas. E assim, eles mesmos conseguirão reconquistar a atenção, o respeito a e a atenção de seus alunos. Não podemos fazer mais do que dar ao professor subsídios para que ele mesmo reconquiste seu lugar de destaque na sala de aula e na sociedade”, finaliza. {mospagebreak}

O professor José Lino de Souza Filho é o novo secretário de educação de Araquari. É professor de matemática, com 33 anos de atuação na área. Foi diretor da EE Tito Lívio Venâncio Rosa  e eleito  vereador por três mandatos consecutivos de 1997 a 2008, além de ser duas vezes presidente da Câmara de Vereadores de 2005 a 2006.  
Um diagnóstico das condições dos ônibus usados no transporte escolar, dos parques infantis dos CEIs e escolas e da estrutura física das 8 escolas e 15 Centros de Educação Infantil, foram as primeiras  ações de sua gestão frente à secretaria municipal de educação.
 Uma parceria com o Corpo de Bombeiros Voluntários auxiliou na detecção de problemas que pudessem comprometer a segurança  crianças e funcionários. 
“Com base nesse diagnóstico, fizemos os reparos necessários,  interditamos equipamentos dos parquinhos e iniciamos obras de pequenos reparos nas instalações de diversas unidades. Estamos em processo de aquisição de novos equipamentos para os parquinhos.
A meta para este primeiro ano de gestão é  a atualização e dinamização de procedimentos internos da secretaria para agilizar o atendimento ao munícipe e também dar respostas imediatas aos nossos gestores. 
Já no início do próximo semestre as salas de aulas devem ser instrumentalizadas com lousa digital, já em processo de licitação e, num segundo momento serão adquiridos mobiliário e eletrodomésticos para as escolas e CEIs.
 Oportunizar o aperfeiçoamento contínuo dos professores e profissionais ligados a educação, instrumentalizar e revitalizar os ambientes  e possibilitar a  participação dos professores em cursos de pós-graduação, feiras e eventos  são algumas das ações que visam a valorização destes profissionais.  O secretário informou ainda que será criado um grupo de estudo para rever o Plano de Cargos e Salários do Magistério bem como as Leis municipais de educação. 

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