Jornal da Educação - ISSN 2237-2164

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Secretários da Educação

JARAGUÁ DO SUL - Elson implantará ensino integral e meritocracia(JE 269)

Elson Quil Cardozo é professor licenciado em matemática e física pelo Magister. Fez também o curso técnico de química e cursou dois anos de engenharia. O novo secretário de educação adaptou-se facilmente à rotina de 50 a  60 horas de trabalho semanal, pois desde 2009, lecionava e exercia cargo de coordenação  no IFSC de Jaraguá do Sul.  Além da experiência de mais de trinta anos de sala de aula como professor da educação básica e do ensino profissional em escolas estaduais e particulares, foi professor de ensino superior na UNERJ e UNIVALLI, de Itajaí, onde fez também o  Mestrado em Educação. Sua experiência como diretor de ensino e coordenador de pesquisa e extensão e diretor do Campus – IFSC por dois anos, agregou conhecimentos para o modo tranquilo, transparente e democrático de gestão. 

 

O primeiro e grande desafio ao assumir a secretaria de educação que tem 19 mil estudantes, foi montar a equipe de trabalho interna. “Havia toda uma questão política com os cargos de confiança, mas a preocupação é sempre maior com o topo da capacidade técnica. O desafio foi convidar as pessoas certas para os lugares certos e tive que fazser isto em pouco tempo, pois fui conviado somente no final de dezembro, não houve um período de transição propriamente dito”, explica. 

E acrescenta que a escolha foi muito bem trabalhada e que foram feitas entrevistas pessoais e de acordos de trabalho cooperativo com todos os diretores de unidades e os especialistas da secretaria. “Porque para implantar uma gestão nova, com um modelo novo de pensar em educação, a mente das pessoas tem que estar voltada para aquilo que você quer.  Numa empresa você pode escrever num  papel e mandar produzir 100 peças, mas em educação não é assim, você precisa convencer as pessoas. 

Eu tempo uma visão diferente do que é uma gestão eficiente. Gosto de trabalhar na pluralidade, gosto que os membros de minha equipe tenham o mesmo objetivo, mas que pensem de forma individual, não precisa ter o mesmo pensamento que eu. Consegui montar a equipe praticamente toda com pessoal da rede, mesmo nos cargos comissionados. É mais fácil você trabalhar com quem é da casa”. 

“Logo no início da gestão, havia duas missões muito urgentes: montar a equipe e colocar a máquina a funcionar. Ainda em janeiro foi preciso contratar professores, transportes e merenda escolar, fazer a manutenção nas escolas que tinham de ser preparadas para receber os alunos em fevereiro”. 

“Um dos grandes desafios, e que ocupou bastante o meu tempo, foi a indicação dos gestores das escolas. Então, para fazer o melhor escolha, usei o método PAI – Pessoal, Administrativo e Interpessoal”.  

Elson explicou que iniciou então um processo minucioso de escolha. Os gestores já em exercício e que tinham interesse em continuar foram entrevistados pessoal. “Procurei saber como era esse gestor pelo lado pessoas com que trabalhava e o que ele queria para si mesmo. O que gostaria de melhorar na sua gestão para saber se eu reconduziria ou não. 

Depois, usando as informações do pessoal interno fiz uma avaliação da gestão administrativa (entrega de documentos, administração do dinheiro da escola, etc) e, por último, a gestão interpessoal. Avaliamos como o gestor se relacionava com a comunidade escolar e com a comunidade na qual a unidade está inserida. Para esta avaliação consultamos os servidores, pais de alunos, membros da APP e vizinhos da escola. Então, juntando estas três avaliações do PAI, montamos um grupo gestor que indicou os nomes certos para cada escola. Nos casos em que havia necessidade de troca, mudança, fizemos entrevista e só depois houve a indicação. Foi quase um conclave”, brinca. 

“Foi um método bastante interessante. Costumo dizer que a gente precisa errar menos, porque tenho que admitir que sou humano e também erro. Mas temos que errar o menos possível”, destaca.  

De um total de 58 gestores escolares, cerca de 10% mudou. “Havia muitos bons trabalhos”, reforça. 

Atualmente os profesores estão todos em sala. Estamos ainda fazendo acertos com alguns profissionais que são da Educação, mas estão trabalhando ou vão trabalhar em outros órgãos da própria prefeitura.  Mas primeiro contrato o profissional para substituir e depois vou disponibilizar o professor para o outro órgão.

Grandes metas

Implantar o ensino integral em escolas de tempo integral  e o regime de reconhecimento pela meritocracia, são as grandes metas da gestão. 

Elson quer criar um modelo próprio de escola de ensino integral e em tempo integral.  Sua equipe está incumbida de estudar diversos modelos de escolas em tempo integral já em funcionamento da cidade, como o Mais Educação do governo federal e um modelo próprio; e o modelo americano.  

Dentre as escolas no modelo americano, o secretário visitou escola da cidade de Portland-Oregon (USA), escolhida pelo atual prefeitura de Jaraguá para efetivação de uma parceria na forma de “Cidades Irmãs”. 

“Toda a minha equipe vem estudando muito para criarmos um modelo de educação integral e não somente de escola em tempo integral. Penso num modelo parecido com o que vi lá, na visita junto com o prefeito e o pessoal do planejamento. A cidade de Portland, localizada no estado do Oregon (USA) é uma cidade que estava em crise e eles mudaram o perfil da cidade usando duas ferramentas: planejamento e educação. 

Além da visita que fizemos,  tivemos uma visita aqui da primeira dama,  Nancy Hales. Estamos iniciando o processo de parceria para fazer convênios. 

Enquanto fazem o planejamento para 2014, já considerando as metas  da nova gestão, com a elaboração do Plano Plurianual a equipe vai implementando ações para a implantação da meritocracia como ferramenta de valorizar dos professores e funcionários com melhor desempenham suas atividades. 

A instalação de climatizadores nas salas de aula, a adequação tecnológica dos ambientes informatizados e a garantia do acesso à educação infantil e ao ensino fundamental a todas as crianças também estão entre as metas da gestão. 

“Não podemos fazer muita coisa de imediato, porque precisamos mudar leis e criar os meios que permitam pagar melhor, por exemplo, pois nosso orçamento já estava pronto para este ano.  

Mas podemos fazer coisas simples, como, por exemplo, colocar o rosto do servidor de destaque do mês em todos os computadores daquele setor. Pensamos em fazer intercâmbio entre os setores. São ações relativamente simples de se fazer, sem custos e que garantem algum reconhecimento ao bom profissional”, completa. 

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