Jornal da Educação - ISSN 2237-2164

Reportagens

Pioneirismo de Joinville

Pesquisa e texto: Prof. Ms. Karyne Johann 
 
No dia 15 de Novembro deste ano de 2011 a Escola Conselheiro Mafra completa 100 anos de História. A escola foi instalada no início do século XX, nos novos moldes de educação, os chamados Grupos Escolares.
O Grupo foi o primeiro instalado em Santa Catarina, em 15 de novembro de 1911, e serviu de “modelo” para a instalação dos demais Grupos Escolares do Estado. 
 
 
Escola do Padre Carlos 
 
 
O “Conselheiro Mafra” tem suas origens na antiga Escola do Padre Carlos Boeghershausen, que veio para o Brasil logo após sua ordenação, em 1857, contratado pela Sociedade Colonizadora de Hamburgo, para ser o primeiro vigário católico da Colônia Dona Francisca. 
A “Escola do Padre” foi uma das primeiras de poucas escolas que funcionaram em Joinville no século XIX. De acordo com a historiadora Iara Andrade Costa, a Escola do Padre Carlos funcionou 22 anos, funcionando em vários lugares, inclusive na casa moradores. 
A comunidade se mobilizou e passou a exigir do governo, um local definitivo e seguro para a educação das crianças. A pedra fundamental da conhecida “escola do padre”, foi lançada no dia 8 de junho de 1880, com grandes festejos”.
Além do governo, muitas pessoas da comunidade contribuíram na construção, que foi concluída em 1898. 
 
 
A escola Conselheiro Mafra influenciou em muito na cultura e na comunidade, pois ensinava em português. “Com a morte do Padre Carlos em dezembro de 1906, o Superintendente Municipal, Abdon Baptista mandou buscar o professor Orestes Guimarães, contratado para inaugurar e dirigir por dois anos, o “Colégio de Joinville”.
As aulas iniciaram em 6 de abril de 1907, com 348 alunos, com aulas das 9 às 14h30min”, conforme registrou o Jornal do Comércio em 1911.
“Foi Abdon Batista que iniciou a reforma do ensino primário em Joinville e em Santa Catarina. “O regulamento feito por Orestes Guimarães para a escola, possuía 5 títulos, 27 capítulos e 84 artigos, dividindo o ensino em quatro anos”, registrou Costa.
As regras, organizadas no ano de 1908, determinavam, dentre outras questões, que o ensino seria realizado “em quatro classes para cada sexo; a secção feminina regida por professoras e a masculina por professores; cada classe teria no máximo 45 alunos e no mínimo 15”. 
Desta forma, o professor Orestes Guimarães adaptou então o “Collegio Municipal de Joinville” com as características dos Grupos Escolares, inclusive com reformas no prédio.
Foi neste contexto que o governo estadual também resolveu contratar os serviços do professor paulista Orestes Guimarães, “na condição de Inspetor Geral da Instrução [...] para dar nova organização ao ensino público primário do estado. 
Após a saída do professor Orestes Guimarães do Grupo Escolar Conselheiro Mafra, assumiu a direção o senhor Marinho Parizio Souza Lobo, e alguns anos depois, o professor Germano Timm. 
 
Mudança de nome e local
 
 
O projeto de restauração da centenária sede da EEB Conselheiro Mafra, interditado diversas vezes pela Vigilância Sanitária, foi entregue à comunidade escolar como presente de aniversário do centenário, no dia 18 de novembro.  
 
Além das mudanças no modelo de ensino, também o nome da escola foi alterado. Conforme está descrito nos documentos da escola, “Seu patrono – Conselheiro Manuel da Silva Mafra – natural de Desterro, formado em direito,  foi  também jornalista e político. Foi presidente [da província] do Espírito Santo, sendo Ministro da Justiça, e distingui-se muito nas questões de limites entre Santa Catarina e Paraná. Escreveu livros de grande valor sobre as leis do Brasil e de Santa Catarina. Devido os grandes serviços prestados, foi homenagedo como patrôno da 1º escola pública estadual do Estado”.
“Nos primeiros dias do mês de novembro de 1936, ocorreu a mudança de sede do educandário. A nova sede construída às expensas do Estado, passa a ser na rua Conselheiro Mafra, 70, mesmo prédio onde funciona a escola até os dias atuais.
 

Please publish modules in offcanvas position.