Jornal da Educação - ISSN 2237-2164

Reportagens

Rede municipal formula proposta curricular

     Itapoá – Durante as duas primeiras semanas de fevereiro, os 105 profissionais da educação efetivos da Rede Municipal de Ensino, sob a coordenação da equipe da Professora Doutora Zita Lago, discutiram as bases filosóficas, didáticas e metodológicas e formularam a Proposta Curricular a ser adotada pela Rede a partir deste ano letivo de 2007.

     A Secretária da Educação, Professora Márcia Regina Eggert Soares enfatizou que “o professor construiu a Proposta Curricular da Rede Municipal porque dentro de um sistema educacional, precisa haver uma orientação, regras para serem seguidas. Isso de fazer do seu jeito de dar aula, não existe. Ninguém faz o que quer. O professor tem um contrato, um pacto com a Secretaria, e tem que cumprir. O professor precisa cumprir o contrato, porque é o dinheiro público que está sendo investido, alguém está pagando para estudar na escola pública e foram eles mesmos que construíram a Proposta”.

     “Como não tínhamos uma proposta própria, seguíamos a maior, a da rede estadual. Sentimos a necessidade de ter uma proposta própria que estipule as nossas estratégias, os conteúdos mínimos e o sistema de avaliação, estabelecendo um padrão municipal para as ações de todos os professores.  Sentimos a necessidade porque recebemos muitos professores de outras cidades e estados e cada um seguia aquilo que já estava acostumado”, explicou a Coordenadora Pedagógica da Secretaria, Sandra Regina F. da Silva.

Melhorar o pedagógico

     A Secretária explicou que ao reassumir a Secretaria, em agosto do ano passado, visitou todas as escolas e realizou reuniões, inicialmente com os professores que deveriam dizer o que estava bom, o que estava ruim e o que precisa melhorar em cada escola. Em seguida, no mesmo dia, a reunião era refeita desta vez com a participação dos pais e professores. A dinâmica e as perguntas eram as mesmas.  “Constatei que os professores colocavam a culpa da falta de qualidade de ensino no quadro, na sala de aula, enfim,  na estrutura física da escola e nos pais e; os pais colocavam a culpa nos professores. Um ficava jogando a culpa no outro e batendo de frente durante a reunião”, registrou a Márcia.

     “Após as reuniões coloquei como meta melhorar o pedagógico e priorizar a biblioteca escolar, que deve estar na porta de entrada da escola e deve ser um ambiente agradável, terá ar-condicionado e um quiosque para leitura do lado de fora. Estamos solucionando os problemas estruturais das escolas. Com a Proposta curricular estamos criando as condições, norteando os trabalhos. Além disso, estamos dando 13% de aumento para os professores neste mês de março. Em contrapartida, o professor terá de cumprir a sua parte no contrato, quero chegar na escola e ouvir do professor que não está dando conta, porque tem dificuldade e precisa de ajuda ou porque não gosta de dar aula, então vamos encontrar uma solução juntos”, enfatiza a Secretária.

     Grupos de discussão

     Reunidos em grupos distintos, os professores participaram de todas as etapas de discussão sob a orientação de mestres e doutores da equipe coordenada pela Professora Doutora Zita Lago, contratada pela Secretaria para assessorar os trabalhos de construção da Proposta. 

     O resultado foi um documento detalhado contendo as estratégicas, conteúdos mínimos e sistema de avaliação a serem adotados e seguidos por todos os profissionais da educação da rede. “Na prática pedagógica o professor tem autonomia para desenvolver aquele conteúdo livremente, mas os conteúdos deverão ser trabalhados dentro da cronologia estipulada pela Proposta Curricular”, explicou Sandra Regina. 

     A cada etapa de discussões, os professores assistiam à palestras e participavam de discussões, fazendo rodízio entre os diversos grupos.

     Os profissionais que atuam em Creches formaram um grupo para estudar a filosofia, conteúdos, inclusão, alimentação etc. Noutro espaço, os professores da Educação Infantil e das Séries Iniciais e finais construíram o currículo mínimo (até o nono ano) por disciplina e também por área. Neste grupo participaram também os professores de Educação Física, Educação Ambiental, Artes e Inglês que trabalham com todas as turmas.

     Um grupo estabeleceu as estratégias e até mesmo cronogramas para os Projetos e Interdisciplinaridade, outro determinou as normas da Inclusão e Avaliação foi trabalhada individualmente e coletivamente.

     “Os professores de áreas específicas, como Português e Matemática, por exemplo, trabalham juntamente com os das Séries Iniciais para evitar a ruptura, até então existente entre conteúdos mínimos necessários para as séries finais. Discutiram e estabeleceram o que é fundamental trabalhar até o 5o Ano e o que será trabalhado dali em diante”, explicou a coordenadora pedagógica.

     Encerrada a fase de construção, a equipe que assessorou as discussões formulou a Proposta que após ser revisada pela equipe de coordenação pedagógica da Secretaria e por um grupo de profissionais de cada disciplina, chegando a veracidade dos escritos com as propostas levantadas durante as discussões, será impressa e se tornará um documento oficial/funcional.

     Após a estruturação da Proposta, os professores retornaram à escola para adaptar a nova Proposta ao calendário escolar. No dia primeiro de março, os 2280 estudantes matriculados na rede municipal iniciaram as aulas do ano letivo de 2007, já com a nova proposta em vigência.

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