Jornal da Educação - ISSN 2237-2164

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Pintinho viajante leva responsabilidade na gaiola

Com o objetivo de despertar nos alunos a percepção de que para viver em sociedade é preciso responsabilizar-se pela própria vida, pela vida de outros e sentir empatia pelos companheiros de jornada, a professora Rafaella de Sá M. Botelho, envolveu seus alunos dos 5ºs A e B, da EM Prefeito Baltasar Buschle, de Joinville, no projeto Diário do Pintinho Viajante.

                

 

A APP entrou com a verba para a compra dos pintinhos, um para cada turma. Por meio de eleição, os alunos escolheram o nome do mascote cada turma escolheu. Os pintinhos visitaram a casa de todos os estudantes entre o mês de julho e setembro. As gaiolas foram emprestadas pelos alunos Willian Santiago e Maria Eduarda Stock.
Durante a visita do animalzinho em casa, o aluno sorteado exercitava a responsabilidade de manter uma vida totalmente dependente para, no dia seguinte, entregar o mascote para o colega que esperava ansioso por receber a visita.
Juntamente com os pintinhos Baltasar (5ºA) e Irineu, e mais tarde Pikachu (5ºB), seguia um Diário de Bordo onde o aluno e a família deveriam registrar a experiência; a alimentação e jornais para trocar a forração da gaiola e mantê-la limpa e seca.

Página no Facebook

As visitas dos pintinhos podiam ser relatadas em textos, fotos ou vídeos no Diário de Bordo. A professora é quem criou a página e fazia as postagens diárias na página do projeto: www.facebook.com/pintinhoviajante.
Deste modo, alunos, familiares e amigos puderam acompanhar o desenvolvimento do projeto, realizado de julho até o início de outubro, quando os mascotes de cada turma foram sorteados entre os alunos participantes.
No horário de aula, os pintinhos se tornaram mascotes, ficavam nas salas de aula e também recebiam cuidados especiais dos estudantes.

     

O projeto surgiu da necessidade de trabalhar no grupo a responsabilidade após perceber que os estudantes demonstravam pouco interesse nas atividades escolares e tarefas.
Eles também demonstravam certa indiferença para com os problemas e angústias dos colegas com quem convivem boa parte do seu dia”, comentou a professora.
Alguns cuidados como pegar autorização dos pais e introduzir o tema de forma sutil foram estratégias para criar o entusiasmo pelo projeto prático nos estudantes.
Rodas de conversas, vídeos e pequenas ações práticas envolvendo o tema da responsabilidade necessária sobre os próprios atos, de auxiliar em casa, na escola e na sociedade iniciaram o projeto para os alunos que logo demonstraram interesse por uma atividade prática.
“Assim surgiu a ideia de trabalharmos na prática, para que de fato os estudantes sentissem ‘na pele’ como é difícil ser responsável por alguém 24 horas por dia. Todo o processo foi colaborativo”, ressaltou Rafaella.
“As crianças mostraram-se muito empolgadas com a ideia de ter um bichinho pelo qual eles seriam responsáveis todo o tempo. Optamos pelo pintinho, porque é um animalzinho de porte pequeno e não necessita de tantos cuidados quanto outros animais”, completou.
Combinados com os alunos previam os cuidados que todos deveriam ter com os pintinhos durante a estadia em suas casas. O interesse pelo projeto levou à criação da página, para que tanto os alunos quanto seus familiares e amigos acompanhassem os relatos dos colegas.
Denominada Diário do pintinho viajante a página foi um complemento interessante já que possibilitou a todos acompanhar a visita dos pintinhos à casa dos colegas, inclusive da outra turma. A comunicação entre a professora e os alunos era feita também por whatsapp.
Segundo a professora, a todo momento chegavam fotos e vídeos para mostrar as estrepolias do Baltasar e do Irineu (e mais tarde do Pikachu) na casa dos alunos. Os alunos poderiam fazer o registro diário por meio de desenhos, fotos, vídeos e textos.

 

Muito difícil, mas divertido

   

 

 

Os relatos enviadas pelos alunos e familiares demonstravam a dificuldade para cuidar do animalzinho. Apesar de receberem toda orientação e materiais necessários para cuidar do pintinho viajante, segundo eles, foi difícil.
A aluna Stefany ficou com o Irineu num final de semana. “O Irineu é muito divertido”, registrou. Mas acrescentou: “Ele não gosta de ficar na gaiola. Gosta mesmo é de ficar em cima da cama e de entrar no meu boné. Ele pia muito e não deixou ninguém dormir. Limpei a gaiola dele e troquei os paninhos”...
Dhalisley Klen contou que, apesar do pai ter criação de galinhas, ela nunca tinha ficado responsável pelos animais, e que a visita do Baltasar lhe deu muito trabalho:
“Nossa, foi difícil! O tempo inteiro ele fez coco e piou. Só queria comer, até meu dedo ele bicou! Tive que ficar limpando a gaiola, mas desisti de limpar toda hora e limpei só à noite porque ele faz muita sujeira. Enfim, foi muito divertido e super cansativo. Tive que trazer a gaiola da escola na mão e ficou pesado... Aprendi que não importa de quem estamos cuidando, devemos ter responsabilidade!”.
O Leonardo Bittencourt (5°B) recebeu a visita do Pikachu, pintinho que substituiu o Irineu. “O Pikachu piou sem parar. Quando chegamos em casa eu já tive que limpar a gaiola. Na terça-feira, acordei e fui direto ver o Pikachu. Pra variar, a gaiola tava toda suja de novo e minha mãe me ajudou a limpar. Meu dia com o Pikachu foi muito legal!”

A morte e o ciclo da vida

           

“Nosso objetivo foi sendo alcançado a cada dia. Desde o momento que chegavam na escola, os alunos preocupavam-se em onde colocar o pintinho, se ele tinha alimento, água, se a gaiola estava limpa”, relatou Rafaella.
A morte de Irineu, o mascote do 5ºB, atacado por um cão durante a visita na casa de uma das alunas, trouxe o tema para a sala de aula. A tristeza com a perda do mascote possibilitou à discussão sobre o ciclo vital e natural dos animais: nascimento, vida e morte.
“Os alunos ficaram tristes e decepcionados com o falecimento do Irineu, mas aproveitamos para conversar sobre o tema e conseguiram compreender que a morte faz parte do ciclo vital de todos os animais. No mesmo dia, compramos um novo pintinho e escolhemos o nome Pikachu, nosso novo mascote”, relatou a professora.
Ao final, após já ter visitado todas as casas de alunos, os pintinhos foram sorteados entre os estudantes. Baltasar, quase um frango, agora é responsabilidade exclusiva de Matheus Eduardo Biz, 5°A. João Vitor Steider foi sorteado com o Pikachu.
Rafaella explicou ainda que o projeto proporcionou uma interação maior entre o grupo, que passou a ter mais cuidado com as atitudes e melhora significativa no cumprimento das tarefas e atividades em sala.
“Acredito que ao educar as gerações para o exercício da responsabilidade este processo de construção jamais se esgotará. E estaremos todos construindo um mundo melhor, mais cooperativo e inclusivo. Em pequenas doses diárias, estamos fazendo a diferença para transformar a sociedade em um lugar melhor para se viver”, complemento.

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