Jornal da Educação - ISSN 2237-2164

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Projeto de joinvilense sobre afroetnomatemática é selecionado para Feira Nacional

 

A professora Andreia Cristina Maia Viliczinski, com seu trabalho África, o Berço da Matemática, realizado com os alunos do 2ª ano do ensino médio da Escola Estadual Governador Celso Ramos, de Joinville (SC), no segundo semestre de 2016, foi uma das 50 finalistas do Prêmio Educador Nota 10 e vencedora do Prêmio Mérito Educacional, concedido pelo Conselho Estadual de Educação. Este ano o trabalho foi selecionado para representar Santa Catarina na VI Feira Nacional da Matemática que acontece de 23 a 25 de maio em Rio Branco, Acre.

 

Ajude a professora a ir para a feira:

A professora de Joinville, selecionada para representar Santa Catarina na Feira Nacional de Matemática, no Acre, abriu financiamento coletivo, via o site vakinha.com.br. O objetivo é arrecadar R$ 3500,00 para custear as passagem e estadia dela e de um aluno no evento, já que não receberá subsídio do governo estadual para viajar. Segundo ela, como seu trabalho foi selecionado na Feira estadual de 2016 e em 2017, não houve Feira Nacional, a SED subsidiará somente os  trabalhos realizados em, 2017. A Campanha vai até o dia 15 de maio. 

Contribua: www.vakinha.com.br/vaquinha/feira-nacional-de-matematica-andreia-cristina-maia-viliczinski

Neste início de ano, a professora teve mais uma boa notícia. O trabalho foi selecionado para a Feira Nacional da Matemática, que acontece de 23 a 25 de maio, em Rio Branco, no Acre.
Para custear a viagem, foi aberto, no site Vakinha.com.br, um financiamento coletivo.

 

Financiamento coletivo

Neste ano, a professora e duas alunas apresentarão o projeto na VI Feira Nacional da Matemática. Para ajudar no custeio da viagem foi aberta uma ‘vakinha eletrônica’. O objetivo é conseguir a doação de R$ 3500,00 até o dia 15 de maio.

As contribuições devem ser feitas no link do Vakinha.com.br: www.vakinha.com.br/vaquinha/feira-nacional-de-matematica-andreia-cristina-maia-viliczinski

O recurso ajudará a custear passagem e estadia da professora e das alunas Andreia Caroline Barbosa e Jéssica Aimee Nielsen, em Rio Branco, no Acre, no período da VI Feira Nacional de Matemática, de 23 a 25 de maio.

O projeto desenvolvido com os alunos do segundo ano de Ensino Médio Inovador da EEM Governador Celso Ramos em 2016, teve como objetivo resgatar a importância da cultura afro na sociedade, sua influência na formação étnica atual e no meio sociocultural por meio da Afroetnomatemática.

A professora explica que “a Afroetnomatemática é uma vertente da Etnomatemática”. O resgate da história da matemática foi uma das primeiras atividades. Os primeiros indícios de contagem, oriundas do continente africano por meio do osso de Ishango, o jogo mais antigo do mundo foi uma das descobertas.

Mancala, fractais, gráficos conhecidos como Sona, a música, capoeira e o jogo de búzios, este último, com o intuito de definir probabilidade, foram alguns dos conteúdos afro lincados com a matemática.

“Pesquisas realizas em sala de aula constataram que é possível abordar vários conteúdos matemáticos através da história da África e contextualizá-las através de situações problemas atuais”, acrescentou a professora que precisa de ajuda financeira para poder apresentar seu trabalho na Feira Nacional da Matemática.

“Todos os povos têm os seus saberes, seu acúmulo específico de experiências, aprendizados e invenções. O raciocínio, a razão, o pensamento lógico e abstrato, as capacidades de observar, comparar, medir, selecionar, estão presentes em todas as sociedades”, registrou a professora.

O principal objetivo do projeto foi resgatar a importância da cultura africana para a formação da sociedade brasileira, sua influência na formação étnica atual e no meio sócio cultural através da Afroetnomatemática.

Em julho de 2016, teve início a atividade do programa Etnomatemática com os alunos do segundo ano inovador da Escola de Ensino Médio Governador Celso Ramos.
Ao longo do segundo semestre o projeto propiciou discussões sobre as relações étnicos raciais que permearam a construção do país. Através das pesquisas realizadas em sala de aula, foram abordados vários conteúdos matemáticos próprios da matriz curricular da série.

 

Etapas e resultados

 

O filme Besouro, que remete à história dos afrodescendentes no Brasil, relatando a história da capoeira e da religião foi apresentado aos alunos pela professora.

Em seguida, a classe foi dividida em quatro equipes de cinco alunos e cada equipe recebeu um tema conforme suas propensões que foi observada ao longo do ano letivo na sala de aula, na convivência com os alunos nos intervalos e nas atividades extraclasse como, por exemplo, o show de Talentos.

Cada equipe pesquisou, estudou e apresentou a pesquisa aos colegas por meio de vídeo ou slides multimídia elucidando o significado e a ligação de cada um com a matemática.

Os temas abordados foram: o osso de Ishango e o jogo Mancala; os fractais e os gráficos de Sona; a música africana; a capoeira e jogo de búzios.

Aspectos da história e cultura da África foram usados como exemplos práticos para os estudos da contribuição daqueles povos à matemática.

Diversos conteúdos como frações na música, análise combinatória nos gráficos de Sona, formas geométricas nos fractais, raciocínio lógico no jogo Mancala, números primos no osso de Ishango, ângulos na capoeira e por fim, probabilidade no jogo de búzios, integraram o conjunto de aprendizagens.



ISHANGO E O JOGO MANCALA

A primeira apresentação abordou o tema osso de Ishango e o jogo Mancala. O registro de contagem mais antigo do mundo é osso de Ishango. Ele trouxe informações sobre os primeiro indícios de contagem, o que leva a crer que foi utilizado como um calendário ou um utensílio doméstico.

Para uma melhor explanação do tema, os alunos construíram uma réplica do osso de Ishango que demonstra uma sequência de números primos, somas e subtrações.
Sobre o jogo Mancala, os alunos explanaram a história e ensinaram os colegas a jogar em sala de aula.

Durante as aulas, foi possível aprender as regras e compará-las com situações do dia a dia. Um exemplo é na agricultura, o jogo vem do ato de semear (a medida que você distribui as sementes no tabuleiro), o cultivo (conforme jogada da vez) e a colheita (recolher o maior número de sementes possíveis).

Para finalizar, foi realizada com as turmas do magistério uma oficina sobre o jogo Mancala utilizando apenas caixas de ovos e sementes de milho, com o intuito de incentivar as alunas a trabalharem com jogo Mancala na educação infantil a qual a maioria já está inserida no mercado de trabalho ou mesmo durante o estágio curricular obrigatório.



FRACTAIS E GRÁFICOS DE SONA

A segunda equipe trouxe a história dos fractais e gráficos de Sona em forma de vídeo com muita cor e imagens.
“Vale ressaltar que essas eram espetaculares. Os fractais são formas geométricas representadas por equações matemáticas através de repetições, característica essa utilizada pelos povos indígenas africanos para suas pinturas em rosto.

Foi através dessa pesquisa que foram realizadas a construção de máscaras africanas”, registrou a professora.

As máscaras foram construídas com balão, jornal, cola e tinta. Os gráficos de Sona permitiu a utilização da análise combinatória para sua interpretação, além das lendas que cada desenho traz.


MONOCÓRDIO DE PITÁGORAS

A terceira equipe apresentou a música através dos sons do violino, mostrou todos os instrumentos musicais utilizados no Brasil de origem Africana.
Além de construir uma réplica do monocórdio de Pitágoras para explicar frações e como o som se propaga através de uma curva estabelecendo relação com o conteúdo de trigonometria.

CAPOEIRA & OS ÂNGULOS

A capoeira foi apresentada como modelo de ensino e aprendizagem de ângulos. Abordando a história e os tipos de capoeira que existem no mundo. Um vídeo sobre a modalidade aplicada ao Festival de Dança de Joinville, ilustrou o status que a dança utilizada pelos escravos como forma de lutar pela liberdade, vem ganhando no setor cultural.

Através de uma parceria com o mestre Diogo, um ex aluno da escola, os estudantes participaram de uma roda de capoeira. Os movimentos da dança ao qual foi definido alguns ângulos e a simetria dos movimentos.

 

BÚZIOS E PROBABILIDADES

O jogo de búzios foi utilizado como método de ensino para estudo de probabilidade nas aulas de matemática.

Os alunos tiveram que contextualizar a história dos búzios e resolver situações problemas como, por exemplo, em um lançamento de seis búzios qual é a probabilidade de caírem três búzios abertos e três fechados?

Para um melhor esclarecimento da história dos búzios no Brasil foi convidado o Professor Doutor Gerson Machado - especialista em religiões afro e afrodescendentes na região de Joinville.

A palestra esclareceu pontos e agregou conhecimentos não abordados no filme Besouro. Ao abordar temas ligados ao Cadomblé e Ubanda, as religiões de origem africana mais praticadas no Brasil, o palestrante deixou os alunos intrigados com mitos e especialmente com os poderes atribuídos a deidades como Oxum.

 

RESULTADOS

“Quando iniciado este projeto, foram percebidos em nossa escola, alguns problemas de preconceito e também muitas dúvidas sobre como trabalhar a questão afro e afrodescendentes com os estudantes.

Depois de iniciar as atividades, foram observadas várias mudanças de postura e atitude na maioria dos educandos envolvidos. Dentre elas podemos destacar, o reconhecimento de si e do outro como partícipe de diferentes grupos sociais e étnicos, com atitudes de respeito, superando preconceitos e discriminações”, registrou a Andreia.

“O resgate da autoestima dos alunos afro e afrodescendentes, uma considerável diminuição dos apelidos e bullying na escola também foram observados. O resgate da importância e da história dessa etnia foi fundamental para essa mudança”, explicou.

 

 

Além do muros da escola

“O jogo da Mancala fez tanto sucesso na escola, que o mesmo passou a ser utilizado nas aulas de educação física, nas horas de recreação mesmo quando a professora de matemática não estava presente, propiciando a participação e divulgação entre outros alunos”, relatou.

A professora conta que uma aluna, relatou o interesse de sua mãe, que também é professora, pelo jogo. A mãe gostou tanto, que passou a utilizar como ferramenta de ensino com seus alunos.

O tema Black face suscitou interesses e a dedicação dos estudantes nas discussões do tema e de questões relacionadas, como as cotas. Nas disciplinas de língua portuguesa e geografia a história dos afro e afrodescendentes também foram tema de trabalhos e discussões.

É certo que o projeto cresceu e ultrapassou os muros da escola, a inserção da Afroetnomatemática no ensino da matemática favoreceu o ato de respeito mútuo, autoestima, a criatividade e o comprometimento com os estudos”, finalizou a professora.

A professora relatou sua satisfação com o projeto, pois além do reconhecimento externo alcançado com o projeto, como estar entre os 50 finalistas do prêmio Educador Nota 10, o Prêmio Mérito Educacional e a participação das feiras de matemática local, estadual e nacional, percebeu que a recepção, o interesse e a motivação despertados nos estudantes às aulas de Matemática influenciou determinantemente na aprendizagem, inclusive dos demais conteúdos.

“Ficou evidenciada a necessidade de buscar novos métodos para 'alcançar' os alunos, que diante de atividades como essas ficam mais receptivos a todas as outras”, reforçou.

“Outro aspecto considerando importante, foi o baixo investimento financeiro. “Basta buscar parcerias com objetivos semelhantes aos da escola. Muitas vezes com custo zero, usando os recursos já disponíveis, é possível desenvolver atividades muito proveitosas e trabalhar conteúdos contextualizados pela nossa própria história ou de outras etnias”, finalizou.

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