Jornal da Educação - ISSN 2237-2164

Reportagens

Planejamento requer conhecimento da realidade do aluno e da escola

A organização curricular da escola fundamenta-se no par: multidisciplinaridade/interdisciplinaridade. O currículo escolar é multidisciplinar, ou seja, é composto por várias disciplinas. Cada disciplina possui objetivos gerais e específicos e métodos próprios, nem sempre articulados entre si. A interdisciplinaridade pressupõe uma comunicação entre as disciplinas em função da determinação de objetivos comuns. Envolve, assim, uma relação de horizontalidade, mantendo-se intactos os objetivos e os métodos de cada disciplina.
Neste par, o foco das atenções está na articulação horizontal entre as disciplinas e não necessariamente nas pessoas. Contudo,  nenhum conhecimento deveria se justificar como um fim em si mesmo. As pessoas e a realização de seus projetos devem ser os objetivos principais da escola. 
Como defende Celso Vasconcellos, “é preciso situar o conhecimento a serviço dos projetos das pessoas”. A aprendizagem significativa, pode ser alcançada por meio da transdisciplinaridade que pressupõe a organização vertical entre as disciplinas, numa articulação em torno de um objeto que é maior e mais geral que elas próprias. Os temas transdisciplinares não se limitam necessariamente ao contexto de uma só disciplina. 
O objetivo maior é a formação geral das pessoas, englobando múltiplos objetos de conhecimento , diferentes metodologias de trabalho e até mesmo múltiplas dimensões do conhecimento. 
Feita a análise dos conteúdos passíveis de serem trabalhados de modo trans e interdisciplinar, é importante ter um momento de articulação entre os diversos professores da mesma turma de modo a planejar conjuntamente não somente o cronograma, o método e espaço de trabalho, mas também, as diferentes técnicas de apresenção de conteúdos e avaliação de modo a sistematizar o uso de aula com apoio de multimídia (por exemplo), evitando que os recursos tecnológicos se tornem repetitivos para o aluno, que precisa experimentar todas as possibilidades.  
 
 
1. Alguns pontos sobre os quais refletir:
 
- Quais os objetivos da aula, unidade, série ou projeto? 
- Como e quanto o uso de tecnologias, trabalhos em grupo, pesquisas, feiras, internet etc ajudará o aluno a aprender? 
- Como a escola e os pais poderão auxiliar os alunos a alcançarem os objetivos?
- Quais conteúdos poderão ser trabalhados de forma inter ou transdisciplinar otimizando o tempo, o espaço escolar e os recursos humanos e materiais para a aprendizagem?
- Quantos e quais colegas de trabalho (outros professores, assessores e outros) costumam planejar, executar ou tem disponibilidade para trabalhar em conjunto ou em parceria? 

2. Recursos e equipamentos
 
Antes de começar, é importante verificar com que recursos você vai poder contar para o seu trabalho:
- De que recursos tecnológicos a escola dispõe? (Laboratórios, biblioteca, câmera digital, projetor, softwares, tv, DVDs) 
- Você sabe usar esses recursos? Há algum assistente para auxiliá-lo?
- Há professores em sua escola que usam efetivamente essa tecnologia com os alunos? Eles poderiam ajudá-lo? 
- O que  seus  alunos  já  aprenderam   com   outros professores e com recursos próprios? 

2.1 Antes de fazer seu planejamento pergunte:
 
- Que normas regem o uso dos equipamentos como computadores, projetores, biblioteca, quadra de esportes, sala de leitura e outros na escola? 
- Como e quem faz a reserva? 
- Quantos computadores há na sala de informática. Quantos e quais livros e mesas há na biblioteca? 
- Quem passa para o aluno essas regras, o agendamento, a proposta? 
- Quais são os procedimentos necessários ao final de um período de uso e início de outro? 

2.2. Feita essa reflexão e conhecendo as regras, inicie o planejamento das atividades respondendo às questões: 
 
- Quanto tempo vai durar cada tarefa, unidade, projeto? 
- Quantas vezes você precisará de equipamentos ou espaços diferenciados (aulas, dias)? 
- Quantos alunos vão usar o mesmo equipamento ao mesmo tempo? 
- É necessário todos os alunos do grupo usarem computador (por exemplo), ou um ou dois alunos usam a máquina enquanto outros fazem outra tarefa? 
- Se não houver máquinas para todos, que tarefas os demais poderiam fazer? 
- Os alunos vão precisar planejar o tempo antes de iniciar a atividade? 
- O tempo da aula será suficiente ou será preciso completar a tarefa em outro período (talvez seja necessário pedir autorização para a direção da escola ou mesmo para os pais)? 
- Que outros materiais os alunos deverão levar à sala de informática, de vídeo, biblioteca, laboratório, etc...? Ex. Disquete, caderno, caneta etc.? 

3. Começar com o que você sabe
 
- Planeje atividades que exijam habilidades e conhecimentos que os alunos já possuam. Depois, tente a aquisição de novos conhecimentos e habilidades. 
- Comece com o que lhe é familiar. 
- Use os recursos para alcançar seus objetivos educacionais. 
- Escolha a metodologia mais adequada àquele conteúdo especifico. 

Outras dicas: 
 
- Planejar e organizar atividades requer investir tempo em uma preparação. Só assim, você terá tempo, durante a aula, para circular entre os alunos, agindo como um facilitador, respondendo às perguntas individuais ou do grupo. 
- Agrupar os alunos é um método eficiente para a integração (e uso de tecnologia) à prática cotidiana e para assegurar que todos terão igualdade de oportunidades. 
- Fazer rodízio de espaços diferenciados e equipamentos disponíveis na escola também é uma alternativa. O rodízio no uso  é determinado pelo número de alunos na classe, de classes na escola e de turmas que o usarão as máquinas. O professor deve calcular o tempo que o grupo gastará para desenvolver a atividade e montar atividades diferentes para os alunos ou turmas que não terão equipamento disponível, com o mesmo tempo de duração.
- Quando se trabalha em grupos, é importante desenvolver e afixar na sala uma cópia do planejamento que identifique os membros dos grupos e a atividade destinada a cada um. Alguns rodízios podem ser completados em um dia. As regras vão depender, em grande parte, dos objetivos educacionais, da natureza das atividades e da habilidade e maturidade dos alunos. 

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